O cronograma da sua obra sobreviveu ao 30/09?
O dia seguinte ao fim do Project Online.Não conseguiu migrar tudo a tempo? O que a sua equipe precisa fazer para levar o planejamento de obra para outro lugar e evitar passar por todo este trabalho novamente?
Em 30 de setembro de 2026 a Microsoft encerrou o Project Online. Pelo aviso da própria Microsoft, depois dessa data não há mais acesso aos projetos nem aos dados associados dentro do serviço.
Aviso MC1478955 da Microsoft (Message Center)Sem os arquivos, o cronograma não volta pronto. A obra, porém, continua acontecendo, e quase sempre existe mais informação espalhada pela empresa do que parece: no contrato, no orçamento, nos boletins de medição, nas atas e na memória de quem acompanha o canteiro. Este guia mostra como juntar essas peças, em ordem de urgência.
Usa Excel ou modelo híbrido? O 30/09 não afetou os seus arquivos, mas a Parte 1 e as Fases 5 e 6 valem para qualquer cronograma que alimenta medição, financeiro e reunião de obra.
O arquivo se foi. O que a obra já executou, o que o contrato exige e o que o orçamento prevê continuam existindo, e é com isso que se reconstrói.
Seis termos que aparecem ao longo do guia
Não conseguiu migrar a tempo? O que fazer?
Quem não exportou os arquivos antes do corte não tem como migrar a partir do serviço. O caminho é reconstruir o planejamento com o que sobrou fora dele, e não há recuperação garantida.
O que está em risco
Medições e relatórios para financiador, marcos contratuais, discussões de prazo e aditivos que dependiam do cronograma, e a reunião de obra da próxima semana.
Decidir na primeira semana
- Quem responde pela reconstrução de cada obra.
- A ordem das obras, pelo próximo marco ou medição.
- Quais datas valem como âncora (contrato, financiador) e quem aprova a versão provisória.
Quem faz o quê
A diretoria define prioridade e responsáveis. O planejamento reconstrói e documenta a origem das datas. A obra valida o que está no canteiro.
Diagnóstico: cinco perguntas antes de começar a reconstruir
Cada pergunta é vista de um ângulo diferente. Elas dizem por onde a reconstrução da Parte 2 deve começar.
1Lente do arquivistaQuais cronogramas reconstruir primeiro?
Reconstruir tudo ao mesmo tempo não funciona. Separe por uso:
- Vivoobra em andamento, que precisa de data e de acompanhamento esta semana.
- Referênciaobra entregue, cujas durações reais por serviço alimentam o próximo planejamento.
- Evidênciacronograma que sustenta alguma conversa de prazo, aditivo ou reequilíbrio com cliente ou contratado.
É natural deixar as obras entregues para depois. O cuidado está na categoria evidência: se existe aditivo, reequilíbrio ou discussão de prazo em curso, a origem de cada data precisa ser documentada antes de qualquer reconstrução.
As obras entregues também guardam o histórico de produtividade. Ele pode ser reconstruído mais tarde a partir de medições e diários de obra, e vale decidir hoje onde esses documentos estão.
2Lente do consumidor finalQuem depende dessas informações no dia a dia?
Existem três círculos. O primeiro edita: o planejador. O segundo consulta direto: engenheiro de obra e diretoria. O terceiro nunca abriu o software e depende dele mesmo assim: o mestre de obras com o lookahead impresso, suprimentos com a data de necessidade do insumo, o financeiro com a projeção de desembolso.
3Lente da sala de reuniãoComo a obra e a reunião seguem enquanto o cronograma é refeito?
Lembre da última reunião de obra e observe uma coisa só: qual tela estava aberta. Agora imagine essa reunião na próxima semana.
A reunião não pode esperar o cronograma perfeito. Uma versão provisória, com os marcos contratuais, as próximas três semanas e as restrições conhecidas, já sustenta a maior parte das decisões. O que importa é rotulá-la como provisória e datar.
Observe também a defasagem: quantos dias passam entre algo acontecer no campo e a informação chegar à reunião? Esse número existe na sua empresa, mesmo que ninguém o tenha medido.
4Lente do cronômetroComo replanejar enquanto a base ainda é incerta?
Num cronograma reconstruído, a primeira versão não tem histórico. Se cada pessoa replaneja por conta própria, o "Cronograma_v7_FINAL_rev3" volta rápido.
5Lente do calendárioO que não pode parar nos próximos dias?
Ordene pelo prazo, não pela importância. Tudo que tem data nas próximas duas semanas entra primeiro.
O processo de reconstrução, fase a fase
Um ponto de partida e seis fases, com 31 passos no total. Clique em cada etapa para abrir os passos técnicos e ver onde costuma travar.
Comece aquiLevantar o que sobrou
Em linguagem simples: antes de reconstruir, descubra o que ainda existe. A maior parte dos cronogramas deixa rastros em mais lugares do que a equipe imagina.
5 passos
- Procurar arquivos em todos os lugares onde alguém trabalhou.Computadores de planejadores e engenheiros, pastas de rede, e-mails enviados e recebidos, WhatsApp, nuvens pessoais e pen drives. Procure por .mpp, .xlsx e .pdf com o nome da obra. Se encontrar um arquivo, use-o como fonte e siga as mesmas fases para conferir o que foi recuperado.Onde travaO arquivo está no computador de quem saiu da empresa.
- Recolher a última versão distribuída de cada cronograma.PDFs e impressos enviados à obra, à diretoria, ao cliente e ao financiador, além do último lookahead e de apresentações de reunião.Onde travaVersões diferentes circulando sem data.
- Reunir os documentos que carregam datas.Contrato com prazos e marcos, cronograma físico-financeiro e curva S entregues ao financiador, boletins de medição, atas, diários de obra, histórico semanal de PPC (se a empresa usava Last Planner), ordens de serviço e pedidos de compra com data de necessidade.Onde travaO documento existe, mas ninguém sabe em qual pasta.
- Perguntar à Microsoft ou a um parceiro Microsoft, por escrito, se há alguma possibilidade de recuperação.Não encontramos comunicado oficial que a confirme. Faça a pergunta em paralelo e não pare o resto à espera da resposta.Onde travaEsperar a resposta antes de reconstruir.
- Registrar a origem de cada informação.Fonte, data, quem forneceu e grau de confiança: confirmada, estimada ou lembrada.Onde travaMisturar dado confirmado com dado estimado sem rótulo.
Fase 1Priorizar as obras
Em linguagem simples: reconstruir tudo ao mesmo tempo atrasa todas. Comece pelas obras cujo prazo está mais perto.
4 passos
- Listar as obras ativas com o próximo marco e a próxima medição.Uma linha por obra, com as duas datas.Onde travaObras sem data de marco registrada em lugar nenhum.
- Ordenar por prazo, não por importância.A obra com medição em duas semanas vem antes da maior obra da carteira.Onde travaA discussão sobre qual obra é mais importante consome a semana.
- Classificar em vivo, referência e evidência.Evidência pede cuidado extra: documente a origem de cada data antes de reconstruir.Onde travaNinguém assume a decisão de deixar uma obra antiga para depois.
- Definir um responsável por cada cronograma reconstruído.Uma pessoa por obra, com autoridade para fechar a versão.Onde travaDuas pessoas reconstruindo a mesma obra em paralelo.
Fase 2Reconstruir o esqueleto do cronograma
Em linguagem simples: não recrie tudo de memória. Parta das datas que não mudam e do que já foi executado, e só detalhe o que falta.
5 passos
- Partir da EAP do orçamento.Serviços e quantidades do orçamento aprovado são a lista de atividades mais confiável que existe.Onde travaOrçamento com mais de uma versão em uso.
- Fixar as datas âncora.Início real, marcos contratuais, entregas e término contratual. Essas datas não se discutem.Onde travaTratar como âncora uma data que era apenas meta interna.
- Reaplicar o avanço real de cada serviço.Use o último boletim de medição e o diário de obra para informar o % físico por serviço.Onde travaConfundir o percentual calculado pelo tempo com o percentual físico medido no canteiro.
- Reestimar as durações do que falta.Com a produtividade observada nas equipes, ouvindo o mestre de obras, e não com a duração prevista no cronograma antigo.Onde travaCopiar a duração antiga mesmo sabendo que a equipe produz em outro ritmo.
- Recriar os vínculos lógicos só do que falta executar.Comece pelo caminho mais longo até o próximo marco. Serviços concluídos não precisam de vínculo.Onde travaGastar dias recriando vínculos de serviços já entregues.
Fase 3Validar com quem conhece a obra
Em linguagem simples: um cronograma reconstruído só vale depois que quem está no canteiro diz que ele faz sentido.
4 passos
- Percorrer o cronograma com o engenheiro e o mestre de obras.Serviço por serviço, confirmando avanço e duração restante, de preferência com fotos ou na própria obra.Onde travaValidar só com quem está no escritório.
- Comparar com a última versão distribuída.Onde a versão reconstruída difere da última que circulou, escreva por quê.Onde travaDiferenças pequenas que ninguém explica.
- Testar o caminho crítico com perguntas de campo."Se esta atividade atrasar um dia, a entrega atrasa?" A resposta do campo tem que bater com o que o cronograma mostra.Onde travaCaminho crítico que o campo não reconhece.
- Datar, nomear e aprovar a versão."Reconstruído em [data], aprovado por [nome]". Essa é a nova linha de base provisória.Onde travaVersão usada na reunião sem aprovação formal.
Fase 4Restabelecer linha de base e acompanhamento
Em linguagem simples: depois de reconstruir, a rotina precisa voltar a rodar, com regras claras de quem atualiza o quê.
5 passos
- Registrar a linha de base reconstruída.Data, fontes usadas e aprovador. Comparações com o histórico anterior precisam de ressalva.Onde travaComparar a obra com um histórico que já não existe.
- Reativar o ciclo de atualização.Quem informa o avanço, com que frequência, por qual caminho e quem aprova.Onde travaA regra morava na cabeça da pessoa que operava o sistema antigo.
- Retomar lookahead e restrições.Janela de três a seis semanas e lista de restrições com responsável e data.Onde travaLookahead feito em planilha solta, sem ligação com o cronograma.
- Retomar a medição física.Mesma regra do contrato: o que entra na medição e como é calculado o percentual.Onde travaMedição calculada com um percentual diferente do usado antes.
- Retomar a curva S e o custo, se o cronograma era carregado de custos.Reaplique a curva prevista contra a entregue ao financiador e registre a diferença.Onde travaCurva nova que não bate com a da medição bancária já aprovada.
Fase 5Religar a cadeia que vive em volta do cronograma
Em linguagem simples: o cronograma alimentava planilhas, painéis e relatórios. Cada ligação precisa ser refeita e conferida.
4 passos
- Reapontar os painéis para a nova fonte.Painéis de BI que liam o feed de dados do Project Online precisam de nova conexão e, muitas vezes, de novas medidas e cálculos.Onde travaPainel que continua abrindo com dados congelados em 30/09.
- Refazer as exportações e planilhas intermediárias.Lookahead, boletim de medição, projeção de desembolso e relatório para cliente ou financiador.Onde travaA planilha tem fórmulas que dependiam de colunas com nome e posição específicos.
- Conferir cada saída contra um número conhecido.Comparar com o relatório que a diretoria ou o financeiro já tinha aprovado, amostra por amostra.Onde travaDiferenças pequenas que só aparecem acumuladas, no fechamento do mês.
- Refazer a ligação com orçamento e financeiro.Códigos de serviço, centros de custo e pontos de medição.Onde travaCódigos de atividade que já não batem com os do orçamento.
Fase 6Sustentar e não perder de novo
Em linguagem simples: reconstruir termina quando a rotina roda sem depender de uma pessoa só e quando existe cópia do que foi refeito.
4 passos
- Treinar quem edita e quem consulta.Com roteiro por perfil e material de apoio.Onde travaTreinar só o planejador-chefe e deixar o resto improvisar.
- Rodar um ciclo completo conferido.Uma semana de lookahead e uma medição inteira, conferidas por quem conhece a obra.Onde travaA equipe perde a paciência antes do fim do ciclo.
- Eleger uma única fonte e guardar cópias regulares fora dela.Um só lugar de edição, com cópia periódica em outro local sob controle da empresa.Onde travaAlguém continua atualizando um arquivo paralelo "só por garantia".
- Documentar "Como planejamos aqui".As regras descobertas ao longo de todos os passos anteriores, em uma página que sobreviva à troca de equipe.Onde travaO documento é escrito uma vez e nunca mais atualizado.
O erro que passa despercebidoFalha barulhenta e falha silenciosa
Quando ninguém consegue abrir o cronograma, todo mundo percebe e resolve em dias. O risco que custa semanas mora no que continua abrindo e está errado: o painel que mostra o número de setembro como se fosse de hoje, o percentual físico que parou de atualizar, o código de atividade que já não bate com o do orçamento.
Os lugares onde ela costuma se esconder:
- painéis e relatórios que liam dados direto do Project Online;
- planilhas de lookahead alimentadas por exportação manual;
- códigos de atividade que precisam bater com os códigos do orçamento;
- calendários de feriados e de dias de chuva;
- versões reconstruídas circulando sem data nem aprovação.
Procure números parados. Abra cada painel e cada planilha da cadeia e procure valores que não mudaram desde 30/09.
Reconstrução concluída tem quatro sinais
Um cronograma reconstruído, por si só, não conta como sinal. Contam estes:
- Todo marco contratual dos próximos 90 dias com data aprovada por quem conhece a obra.
- A primeira medição fechada sobre o cronograma reconstruído, sem retrabalho manual.
- Um replanejamento concluído por alguém que não é o planejador-chefe.
- Uma amostra de cada relatório de saída conferida contra uma fonte conhecida.
Para levar para a equipeChecklist do dia seguinte
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A saída: planejar onde a obra já conversa com o resto
O trabalho da Parte 2 está em reconstruir e religar o que cresceu em volta das barras. Evitar que isso se repita é a pergunta que decide o destino.
Perguntas de aderência para qualquer alternativa
- Entende obra repetitiva, com pavimentos-tipo ou lotes, e mostra o ritmo das equipes (linha de balanço), ou mostra só barras?
- Mede avanço físico por serviço e transforma esse avanço em medição?
- Conversa com o orçamento e com o financeiro sem redigitação?
- Consolida várias obras numa visão de portfólio?
- Reconstrói o cronograma a partir do orçamento, sem depender de um arquivo antigo?
O Prevision: planejamento de obra dentro do Ecossistema Sienge
O Prevision é a solução do Ecossistema Sienge para planejar prazo e custos de obra, da incorporação à entrega. Em vez de montar uma cadeia de planilhas em volta do cronograma, a ligação entre cronograma, medição física e financeiro já faz parte do produto.
O que deixa de ser costura manual
Cada linha liga uma etapa trabalhosa da Parte 2 ao recurso do Prevision que trata do mesmo assunto.
Nenhum produto substitui as decisões de planejamento: qual linha de base vale, quem aprova um replanejamento, o que entra na medição. O que muda é quanto da cadeia em volta dessas decisões precisa ser costurada pela sua equipe, obra por obra, mês a mês. Quem já precisou reconstruir um planejamento do zero conhece o custo de depender de peças soltas.
O 30/09 mostrou o custo de depender de um único lugar
Releia as fases. Quase todo passo existe porque o cronograma, a medição e o financeiro viviam em lugares separados e porque ninguém tinha um plano de saída. O motivo da perda varia, serviço descontinuado, arquivo extraviado ou pessoa que sai da empresa, e o trabalho de reconstrução é o mesmo.
Tudo morava no mesmo serviço
Cronograma, campos, calendários e regras de atualização ficavam em um ambiente que a empresa não controlava. Quando ele saiu do ar, saiu tudo junto.
Cada ligação com o resto era manual
Exportação, planilha intermediária e painel: cada um é um ponto de erro e precisa ser refeito (Fase 5).
Ninguém sabia o que existia fora
Sem cópia periódica nem registro da origem das datas, a reconstrução parte de PDFs e de memória.
Ele continua disponível, e traz outro problema: dois ambientes de trabalho
A Microsoft informa que o Project desktop segue disponível e com suporte. O arquivo dele, porém, não permite edição simultânea em tempo real: enquanto uma pessoa edita, as outras esperam ou trabalham em cópias, e é aí que nascem as versões "FINAL_rev3". Para várias pessoas no mesmo cronograma ao mesmo tempo, é preciso recorrer a um ambiente online, o Planner, que é mais simples que o Project.
O resultado são dois programas: o Project desktop para o planejamento detalhado e o Planner online para a edição em conjunto. São duas formas de trabalhar para treinar, duas fontes para manter iguais e mais um ponto de cópia manual entre elas.
Planejamento, medição física e financeiro no mesmo lugar, dentro do Ecossistema Sienge
A tabela acima mostra, etapa por etapa, o que o Prevision reúne no lugar da costura manual. O cronograma vive conectado ao orçamento e ao financeiro. Se um dia for preciso recomeçar, a base já está na mesma casa, e o cronograma pode ser remontado a partir da EAP do orçamento, em vez de reconstruído de memória. E o planejamento fica em um só ambiente, sem dividir a equipe entre dois programas.
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