• A startup Kasita foi criada por Jeff Wilson com o objetivo de desenvolver casas de custo acessível, inteligentes, sustentáveis e que ocupem pouco espaço nas cidades.
  • Jeff Wilson é conhecido por ter morado em uma lixeira adaptada durante um ano, o que o inspirou a criar a Kasita e desenvolver casas modulares de baixo custo.
  • As casas produzidas pela Kasita possuem 32m², são completas, contam com soluções inteligentes de armazenamento, automação avançada e podem ser instaladas em quintais ou empilhadas para formar apartamentos.

Desenvolver casas de custo acessível, que sejam inteligentes, alinhadas a um estilo de vida contemporâneo, sustentáveis e que ocupem pouco espaço nas cidades. Por isso a Startup Kasita surgiu, criada por Jeff Wilson.

A sustentabilidade, vem sendo o foco do trabalho do professor Jeff Wilson, empresário, acadêmico e artista, fundador da Kasita. Sua empresa, criada em 2015, foi considerada uma das 25 companhias mais disruptivas do mundo em 2017.

Tudo começou com o estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e o filósofo grego Diógenes. O estudo mediu por vários dias o tempo gasto por membros de uma família californiana em uma casa.

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Com isso, descobriu que as pessoas passavam a maior parte de seus dias em dois cômodos: a sala de televisão e a cozinha.

Já o pensador Diógenes é também conhecido por ter largado todos suas posses para morar em um barril. Assim levando a cabo a ideia de que era possível viver bem com muito menos.

Ante essas duas inspirações, o CEO e fundador da Kasita, Jeff Wilson, começou a se questionar. A dúvida era se as pessoas realmente precisavam de tanto espaço em suas casas para viver bem.

Assim, Wilson começou diminuindo o tamanho de seu escritório na universidade em que trabalhava como professor.

Depois, resolveu deixar o lugar em que morava no Texas, uma casa de 232 m², com quatro quartos e três banheiros. “Seria possível viver com 1% de espaço que as pessoas normalmente vivem, ter 1% do desperdício do americano médio, usando 1% das coisas?”, indagou o professor em sua palestra no Construsummit 2018.

Quem é o professor Jeff Wilson?

Saiba que a Kasita, assim como acontece com muitos negócios disruptivos, não surgiu de modo convencional.

Em 2014, Jeff Wilson, então professor de ciências ambientais na Universidade Huston-Tillotson, decidiu buscar resposta a uma pergunta bastante simples: “Quanto espaço as pessoas realmente precisam para viver confortavelmente?”.

Afinal, Wilson já havia concluído seu pós-doutorado em Harvard e estava determinado a explorar as possibilidades de um estilo de vida minimalista.

Sendo assim, ele então comprou um contêiner de 33 pés quadrados (o equivalente a pouco mais de 3 m²), do mesmo tipo usado como lixeira. 

Logo, com pequenas adaptações na estrutura, Wilson instalou o módulo no campus da universidade em Austin. E, assim, mudou-se para lá com pouquíssimos itens, incluindo alguns livros e roupas.

A experiência rendeu a Jeff Wilson mais do que o apelido de Professor Lixeira. Mostrou que, de fato, 33 pés quadrados são insuficientes para acomodar as conveniências básicas de uma residência. Afinal, o contêiner tinha cozinha, banheiro e eletrodomésticos.

Dessa maneira, o  tempo vivido na lixeira adaptada também ofereceu inspiração a Wilson! Tal experiência levou ao desenvolvimento de um modelo de habitação modular de baixo custo que passaria a ser comercializado pela startup Kasita.

Wilson resolveu então fazer um experimento. Foi morar em uma lixeira adaptada localizada no campus da universidade, com cerca de 3m². Surgiu assim o Professor Dumpster (Caçamba de lixo ou Lixeira) e o Projeto Dumpster.

A partir desse projeto, Wilson teve a ideia de criar a Kasita, startup que desenvolve e constrói micro casas modulares e inteligentes.

A lixeira adaptada onde morou por um ano contava com poucas coisas: ar condicionado, IoT para as condições climáticas e telhado deslizante.

Mas nela, Wilson tinha menos gastos, como água por exemplo, e gerava menos lixo. Além disso, o fato de viver na universidade, fez com que ele diminuísse o tempo e a distância para ir trabalhar. Logo, sobrava mais dinheiro e tempo para outras atividades. Em suma, Wilson tinha uma vida melhor.

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Como são as mini casas produzidas pela Kasita?

As casas produzidas por Jeff Wilson são completas, com 350 pés quadrados (pouco mais de 32 m²). Projetadas para serem fabricadas industrialmente, podem ser transportadas em caminhões de 18 rodas.
A um custo de US$ 139 mil, as moradias contam com muito vidro para entrada de luz natural e pé-direito alto. Tais recursos ajudam a dar mais amplitude aos ambientes.
Da mesma maneira, as casas também dispõem de soluções inteligentes de armazenamento, equipamentos como lavadora e secadora de roupas, além de automação avançada.
Mais do que isso, os módulos podem ser instalados em quintais ou coberturas. Outra possibilidade é empilhar os módulos, formando apartamentos.
Se quiser saber mais sobre as casas produzidas pela Kasita no vídeo abaixo (em inglês).

Novo mercado imobiliário

Nos últimos anos, a aquisição de casas nos Estados Unidos vem caindo drasticamente. Assim, diferente do que aconteceu com seus pais e avós, os millennials (conhecidos também como geração Y) não estão comprando casas. Isso sobretudo por conta dos custos envolvidos.

Especialmente cidades densamente urbanizadas como São Francisco e Nova York vêm sofrendo com a especulação imobiliária. Logo, enfrentam um grave problema de acesso à moradia.

“Desenvolver casas de custo mais acessível é imperativo nesse cenário”, defende Wilson. Assim, ele reforça que com design, tecnologia e industrialização é possível atingir esse objetivo.

O fundador da Kasita destaca que, nessa ocasião, começou a pensar nas necessidades das pessoas nos EUA no que diz respeito à moradia. Assim, constatou que havia um mercado enorme a ser explorado.

“Nos EUA, metade de quase todos os aluguéis costuma representar mais de 30% da renda do locatório. Além disso, mais de 6 milhões de unidades habitacionais precisam ser construídas”, diz. Ao mesmo tempo, as inovações tecnológicas na construção e na engenharia civil quase inexistiram.

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Wilson resolveu inovar de uma forma radical e pensou: “Por que não construímos casas como produtos?”. A inspiração para a Kasita veio da Apple, no sentido de fornecer para o usuário a melhor experiência possível. Wilson explica que a natureza da habitação tradicional é estática. As casas são feitas em torno do espaço e não do usuário. Já o produto é uma experiência.

Segundo o fundador da Kasita, o mundo está mudando e a startup quer aproveitar as novas tendências. Wilson destaca que o setor de serviços está se tornando preponderante na economia. Ou seja, que as pessoas estão mais nômades, que as informações estão sendo armazenadas na nuvem. Logo, o compartilhamento de moradias é uma tendência.

Nesse sentido, Wilson quis desenvolver uma casa com um sistema operacional interno chamado ORIENT. “A casa é inteiramente automatizada, projetada para ser exatamente como o usuário deseja e andar com ele o tempo todo, diz.

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Assuntos: Ecossistema Inovação e Startups na Construção Civil e Mercado Imobiliário
Guilherme Quandt do Sienge
Guilherme Quandt do Sienge

Administrador e profissional de Marketing, possui mais de 20 anos de carreira, fazendo a diferença tanto em startups como multinacionais e apoiando o crescimento de negócios através de vasta experiência em Planejamento Estratégico, Marketing, Comunicação, Relações Públicas, Branding e Data. Atualmente, é membro dos Conselhos de Administração da Agger e da Construmarket, Diretor de Estratégia e Marketing do Ecossistema Sienge e Diretor de Marketing da Starian.