• Estimar custos por gates é crítico para projetos imobiliários
  • O processo de Front-End Loading & Gated estabelece 3 gates para tomada de decisão
  • Ferramentas de estimativas devem ser escolhidas de acordo com a fase do projeto

O processo de estimar custos por gates é bastante crítico para todo projeto e, normalmente, enfatizado pelas incorporadoras imobiliárias. No entanto, são comuns os equívocos, principalmente quando é dada elevada importância ao seu detalhamento, sem considerar a etapa de maturação do projeto.

O FEL fixa as etapas do projeto em três portões (gates): gate 1, gate 2 e gate 3Esses são os momentos de tomada de decisão pelos gestores da empresa, que vão definir o nível de maturidade do projeto.” Gustavo Horn

“Como esse processo tem um viés de conflito de interesses entre as várias áreas da construtora, é preciso que seja submetido à aprovação de quem responde pelo negócio. Diante do custo estimado, a empresa tomará a decisão se o projeto atende aos requisitos econômico-financeiros e de produto ou se deverá passar por novos estudos”, diz o engenheiro Gustavo Horn, consultor e diretor da Hausbaum Engenharia.

Etapas de maturação

 

Independent Project Analysis (IPA), instituto internacional nos moldes do Project Management Institute®(PMI), estabeleceu um processo denominado Front-End Loading & Gated (FEL), utilizado para grandes projetos de investimento.

“Defendemos esse processo por ser muito aderente à viabilização de um empreendimento imobiliário. O FEL fixa as etapas do projeto em três portões (gates): gate 1, gate 2 e gate 3Esses são os momentos de tomada de decisão pelos gestores da empresa, que vão definir o nível de maturidade do projeto”, explica Horn.

Essa teoria permite formatar o processo de estimativa de custos que se adapta a cada uma das fases do projeto. “Quanto mais preliminar for a fase do projeto, menos informações estão disponíveis. Portanto, a margem de variação dos custos pode ser maior”, explica.

É o caso das contratações de obras públicas com base no projeto preliminar. Depois de concluído o executivo, as partes constatam tardiamente que os custos serão superiores ao estimado, exigindo o estabelecimento de aditivos contratuais.

“Nessa etapa de concepção do projeto, é importante para a qualidade da estimativa de custos que o gerente de projetos tenha consciência de que há uma margem de variação possível e encontre o ponto médio. Depois, conforme o projeto for maturando, é possível convergir para um custo viável, conforme planejado nos estudos de viabilidade do projeto”, recomenda.

 

 

Gates

O FEL tem uma espinha dorsal que, basicamente, funciona com três portões (gates)gate 1 é identificado como concepção, que coincide com a etapa inicial do projeto. “É o momento de gerar e filtrar as opções de empreendimento e realizar relatório de viabilidade”, define Horn.

O segundo portão (gate 2), chamado de maturação do projeto, impõe a análise de alternativas de implantação, de definição do escopo conceitual e estimativa do seu custo. São avaliadas e selecionadas as melhores alternativas e, novamente, produzido o relatório de viabilidade.

Ao atingir o gate 3, o projeto chega à fase de definição. O escopo evoluiu e já conta com os projetos preliminares de engenharia, inclusive revisados. É a hora de finalizar a definição do escopo e dos pacotes de trabalho do projeto, além de preparar o orçamento e cronograma para monitoramento e controle.

“O gate 3 é o mais importante para a estimativa de custos, porque a empresa tem maior número de informações para tomar decisões. Dali para frente não terá mais volta. O projeto vai para a execução e já estaremos falando de planejar a obra, a operação”, expõe.

Ferramentas de estimativas

As ferramentas de estimativas de custos devem ser selecionadas de acordo com a etapa em que se encontra o projeto. “Optamos sempre por um mix de ferramentas definidas pelo guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK). Envolve as estimativas topdown, o botton up eas paramétricas”, conta o consultor.

O processo top down (serviço pronto) é uma estimativa que tem por base os indicadores históricos de obras similares da empresa. Já o uso do botton up, processo tradicional e mais utilizado pelas construtoras, sóé recomendável para a fase de definição do projeto (gate 3). “O botton up é um orçamento detalhadofeito através da pesquisa de preços unitários no mercado, a partir do projeto executivo”, comenta.

A ferramenta paramétrica é uma mistura de ambas, na qual se divide o pacote de trabalho em outros menores. “Uma parte deles é estimada pelo top down e as lacunas que sobram podem ser respondidas por um orçamento botton up”, esclarece Horn.

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gate 3 é o mais importante para a estimativa de custos, porque a empresa tem maior número informações para tomar decisões. Dali para frente não terá mais volta. ” Gustavo Horn

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Equívocos

A estimativa de custos fica comprometida quando se comete o erro de utilizar ferramentas inadequadas, como a botton up, numa fase em que são poucas as informações. “Isso obriga o orçamentista a tomar decisões, as quais não fazem parte do seu papel, pois é uma atribuição do gerente de projetos”, lembra.

A falta de alinhamento entre os departamentos da construtora é, segundo Gustavo Horn, um dos principais erros cometidos no processo de estimativa de custos. “O conflito de interesses entre a área de engenharia e a de incorporação é um clássico”, observa.

As premissas estabelecidas nas fases preliminares devem ser debatidas com transparência, para a tomada de decisões sobre tudo o que será adotado. “Porque essas premissas resultarão nos custos finais do projeto”, diz, orientando a realização de reuniões entre as áreas, principalmente no fechamento das gates.

Riscos das gates

 

Desde a concepção do projeto, as estimativas de riscos acompanham as de custos conforme o projeto vai maturando. “Eles vão se relacionando, ou seja, ao longo do processo, a estimativa de custos dá um número e o processo de riscos dá uma margem de variação possível. O gerente administra esses números, adequando-os à viabilidade do projeto”, afirma.

Na mesma medida em que o sucesso do empreendimento está no cumprimento do orçamento até a conclusão da obra, boa parte das construtoras tem a cultura de negligenciar os riscos e, até mesmo, partes do escopo do projeto. “E os projetos terminam com custos muito maiores do que o orçado, principalmente quando as empresas atacam itens do projeto com custos de menor peso, deixando passar os mais elevados”, destaca.

O ideal é identificar os problemas e fazer as mudanças a tempo. Se necessário, revisitar o escopo. “Quanto mais tarde, com o projeto já aprovado, o custo será maior, pois a possibilidade de alterações se reduz”, conclui Horn.

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Colaboração técnica

Gustavo Horn – Engenheiro Civil, graduado em 2005 pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas e pós-graduado em 2013 pela FGV em Negócios Imobiliários e da Construção Civil. Tem mais de 20 anos de atuação no setor da construção civil, sendo dez no mercado de infraestrutura pesada, atuando em equipes de projetos de estradas, óleo e gás, aeroportos, logística e indústria.

Desde 2009, atuando no mercado imobiliário como gestor de equipes de urbanização e de áreas técnicas de grandes empresas do mercado imobiliário, tendo como especialidade o planejamento e orçamento de obras e a implantação de processos de gerenciamento do projeto e portfólio. A partir de 2017 passa a atuar como consultor independente.

Construmanager
Assuntos: construmanager Gestão de Escopo e Controle de Projetos
Roberta Chicoli da Construmarket
Roberta Chicoli da Construmarket

Profissional com mais de 20 anos de experiência na digitalização da construção civil, atua como Diretora da Unidade de Projetos e Obras na Construmarket, empresa do Ecossistema Sienge. Lidera as áreas de Comercial, Produto e Sucesso do Cliente com foco em crescimento sustentável e excelência na jornada do cliente. Reconhecida por sua habilidade em integrar equipes e estratégias, tem gerado resultados expressivos em receita, retenção e competitividade, sempre com uma abordagem colaborativa, orientada por dados e impulsionada pela inovação.