• Construção foi o setor que mais gerou empregos no Brasil em 2020
  • Atividades do setor ainda estão 36% abaixo do pico de 2014
  • Expectativas positivas para a Indústria da Construção em 2021, com projeção de expansão de 4% no PIB do setor

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou recentemente uma retrospectiva sobre o desempenho do nosso setor em 2020 e as projeções da Indústria da Construção em 2021. Em um momento de tantas incertezas como o atual, é essencial que você esteja por dentro dos números do setor. 

Até porque, mesmo em um cenário tão incerto e desafiador, houve avanços. Quer um exemplo? A construção foi o setor que mais gerou empregos no país nos primeiros dez meses de 2020, com a criação de 138.409 vagas formais, de acordo com dados do Ministério da Economia. Esse é o melhor resultado para o período desde 2013, quando a construção gerou 207.787 novas vagas.

A construção foi o setor que mais gerou empregos no país nos primeiros dez meses de 2020
O número de trabalhadores com carteira assinada na Indústria da Construção cresceu 6,4% de janeiro a outubro/2020

E poderia ter sido melhor se o nível de atividade da construção estivesse em níveis mais elevados. Atualmente, as atividades do setor estão 36% abaixo do pico de 2014, quando atingiram seu melhor nível. E o PIB da construção civil no 3º trimestre de 2020 ficou no mesmo patamar do observado no início de 2007. 

Sienge Demonstração

“As nossas atividades não foram paralisadas. Em março, imaginávamos que fecharíamos o ano com PIB negativo de até 11%. No entanto, vamos chegar ao fim do ano com projeção de redução de 2,8% e mais de 100 mil vagas geradas”, explica o presidente da CBIC, José Carlos Martins. 

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Desafios da Indústria da Construção em 2021

Para falar dos desafios que as construtoras precisam enfrentar em 2021, é preciso, antes, olhar os problemas de 2020, como a questão do desabastecimento. O desabastecimento é preocupante porque, entre outras coisas, inibe os lançamentos imobiliários

O desabastecimento de materiais preocupa o setor

Na visão dos empresários da construção, conforme sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da CBIC, o principal problema que eles enfrentaram no 3º trimestre de 2020 foi a falta ou o alto custo de matéria-prima, com 39,2% das assinalações.

De acordo com o INCC-Materiais e Equipamentos, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a alta de preços no período de janeiro a novembro foi de 17,78%, a maior do período pós-Real. Alguns insumos chegaram a registrar aumentos superiores a 50% no mesmo período.

A alta nos preços dos materiais foi um problema para a construção em 2020
A alta de 17,78% do INCC foi a maior desde o Plano Real

Mas vale lembrar que o INCC mede o custo da construção em sete capitais do país (Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo). Sendo assim, aumentos maiores do que esses podem ter sido observados.

É importante ressaltar que esse cenário de aumento de preços de materiais pode ter contribuído para reduzir o ritmo de atividades do setor, pois gerou instabilidade e incerteza perante os contratos. Então, num país com meta para inflação de 4% em 2020, estes aumentos são excessivos e prejudicam o andamento das atividades.

Dessa forma, a melhora do setor em 2021 passa pela resolução desses problemas e também da elevada carga tributária, que aparece em segundo lugar na lista, com 28,2% de assinalações, seguida da demanda interna insuficiente, com 26,4%.

Projeções: o que esperar do setor em 2021

Mesmo com um cenário ainda incerto, a Sondagem da Indústria da Construção mostra que os empresários do setor possuem expectativas bem positivas para os próximos seis meses. 

Os resultados do trabalho sinalizam aumento na compra de insumos e geração de novas vagas.

Os índices de expectativa também demonstram que os empresários estimam o aumento do nível de atividade e um maior volume de lançamentos de novos empreendimentos e serviços.

PIB otimista 

A perspectiva é que a economia brasileira encerre o ano de 2020 com queda de 4,41% no PIB. A retração aguardada para a construção no ano é de 2,8%. 

Para 2021, as expectativas para o país são positivas: expansão de 3,5% para a economia brasileira e 4% para a construção civil, segundo projeções realizadas pela CBIC.

Assim, caso a estimativa se confirme, essa será a maior expansão para a construção civil desde 2013, quando o setor tinha crescido 4,5%. Tudo indica, então, que a Indústria da Construção em 2021 terá um desempenho melhor que o restante da economia.

O risco para esse desempenho é, de fato, o desabastecimento. “Com esse PIB, seriam abertas cerca de 150 mil novas vagas de trabalho. Estamos otimistas, mas conservadores”, afirma o presidente da CBIC.

Para que a avaliação se concretize, de acordo com Martins, é importante que os programas de concessões e os debates para reformas estruturantes tenham andamento tanto no Poder Executivo Federal quanto no Congresso Nacional. 

CBIC projeto crescimento de 4% para o PIB da construção em 2021

Medidas como a sanção da Lei 13.786/2018, a chamada Lei do Distrato Imobiliário, o Novo Marco do Saneamento e o lançamento do programa Casa Verde e Amarela também contribuem para o cenário favorável para 2021.

Investimentos para melhorar a Indústria da Construção em 2021

A retomada do crescimento da Indústria da Construção em 2021 também passa pelo crescimento dos investimentos. Pois, no 3º trimestre de 2020, a taxa de investimento do Brasil em relação ao seu PIB foi de apenas 16,2%. 

É um número baixo se olharmos para outros países:

  • China: 42,84%
  • Espanha: 20,02%
  • Austrália: 23,31%
  • Canadá: 22,1%
  • Chile: 22,44%
  • França: 23,63%
  • Uruguai: 17,18%

Na última década (2010-2019), no entanto, a construção foi responsável por cerca de 50% dos investimentos no Brasil. Em 2019, esse número foi de cerca de 44%.

Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, destaca que quando a taxa de investimento do Brasil foi superior a 21%, a construção civil participava com mais de 50% dessa taxa. “A taxa de investimento, para melhorar, precisa necessariamente passar pelo setor da construção civil”, afirma.

A CBIC também apresentou uma análise da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de Brasil, Canadá, Portugal, Colômbia, Espanha, Israel e México. Os dados mostram que é no Brasil onde a construção tem a menor participação no indicador. 

No Canadá, a participação da construção na FBCF é de 69,25%, em Portugal 52%, na Colômbia 62,65%, na Espanha 49,87%, em Israel 53,16% e no México 55,69%.

No Brasil, a participação da construção na FBCF é de 44,16%. Dessa forma, o país que possui a menor participação da construção na FBCF é, justamente, o país que também possui, nessa comparação, a menor taxa de investimento.

Considerações finais

Para finalizar, quero acrescentar aqui mais alguns dados que corroboram o otimismo para a Indústria da Construção em 2021:

  • O número de trabalhadores com carteira assinada na Construção Civil cresceu 6,4% de janeiro a outubro de 2020.
  • No acumulado dos primeiros nove meses de 2020 observa-se incremento de 8,4% nas vendas de imóveis novos no país.
  • Nos primeiros dez meses de 2020, os empréstimos destinados à aquisição e construção de imóveis, com recursos do SBPE, totalizaram R$ 92,67 bilhões. Isso correspondeu a um incremento de 48,8% em relação a igual período de 2019 (R$ 62,258 bilhões).
  • O volume de financiamento de janeiro a outubro de 2020 já superou o valor total financiado em 2019 (R$ 78,702 bilhões). Além disso, o valor financiado em 2020, até outubro, foi o maior para o período desde 2014.
  • De janeiro e outubro de 2020, foram financiadas 324,6 mil unidades, o que correspondeu a 36,8% de alta em relação a igual período de 2019 (237,4 mil). Foi o maior número de unidades financiadas para o período desde 2014.

Vendas do mercado imobiliário fecham em alta em 2020

Portanto, em um ano que tinha tudo para ser péssimo, notamos que houve avanços e precisamos comemorá-los. Agora, tudo indica que teremos um 2021 melhor que 2020.

Por isso, esteja preparado e conheça todas as tendências para o setor em 2021. Então, baixe agora o nosso e-book com as principais informações sobre tendências para os próximos meses da Indústria da Construção.

Sienge Plataforma: ERP para construtoras
Assuntos: Ecossistema Tendências e Perspectivas
Cristiano Gregorius do Sienge
Cristiano Gregorius do Sienge

Executivo com formações em Administração e Tecnologia. Atua há mais de 25 anos no segmento de TI, em operações no Brasil e na América Latina. Atualmente, é Diretor Executivo da Starian Indústria da Construção, responsável pelo Ecossistema Sienge, que integra a cadeia da construção de ponta a ponta com soluções especialistas. Sua expertise contribui para o fortalecimento da proposta de negócio da empresa para a integração de toda a cadeia da construção, com o objetivo de potencializar resultados para construtoras e incorporadoras, garantindo maior previsibilidade e eficiência operacional.