Para definir um orçamento detalhado para um projeto, é essencial primeiro realizar o levantamento de quantitativos da obra. É esse processo que faz com que cada serviço, material e recurso necessário seja devidamente mensurado, evitando surpresas como faltas ou excessos de materiais. Muito provavelmente você já tenha se deparado com essa etapa e percebeu sua importância para a precisão do orçamento.
No entanto, sabemos que esse é um grande desafio.
Um erro na quantificação pode levar a compras desnecessárias, materiais insuficientes e até mesmo prejuízos financeiros. A rotina corrida e a complexidade dos projetos tornam essa tarefa ainda mais complicada, demandando atenção aos detalhes e o uso de ferramentas adequadas para um levantamento mais preciso.
Por isso, neste artigo, nós vamos trazer uma definição clara do que é um levantamento de quantitativos para obra, além de ensinar você a fazer um levantamento prático e realmente eficaz para suas construções. Além disso, você vai conhecer os principais métodos e dicas imperdíveis para tornar esse processo ainda mais simples.
O que é o levantamento de quantitativos da obra?
O levantamento de quantitativos é o processo de determinar a quantidade de cada um dos recursos necessários em um projeto (serviços e materiais), tendo como objetivo dar informações para a preparação do orçamento de obra.
Pode-se dizer que levantar quantitativos é o ponto inicial da elaboração do orçamento da obra, demandando muito trabalho e precisão do orçamentista, já que este terá que estudar e conferir todo o projeto.
A quantificação, em geral, é feita de forma manual e pode conter muitos erros e deficiências. Mas fique atento(a): ainda neste artigo, você verá que existem novas ferramentas para facilitar tal tarefa.
Determinando os quantitativos, aprendemos que não basta saber somente quais são os materiais e serviços que compõem um projeto, mas quanto há de cada um deles.
Vamos explorar um pouco mais… Que tal um caso prático?
Num projeto de Construção Civil é preciso, por exemplo, estimar as horas que serão necessárias para a administração da obra, seja do engenheiro, seja do arquiteto e do mestre de obras. Deve-se também estimar a área de pintura, o volume de concreto, os metros lineares de meio fio, entre outros.
Este é o início do processo de quantificação. Cada um desses itens deve ter uma quantidade relacionada ao projeto e possibilitará a determinação dos custos.
Os quantitativos e a Lei 14.133/2021
A Lei 14.133/2021 estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a:
- Obras e serviços;
- Compras;
- Alienações;
- Locações.
De acordo com essa lei, o projeto básico deve conter orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos.
É vedada a inclusão, no objeto da licitação, de fornecimento de materiais e serviços sem previsão de quantidades ou cujos quantitativos não correspondam às previsões reais do projeto básico ou executivo.
O certame licitatório deve conter obrigatoriamente o orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços unitários. Qualquer cidadão poderá requerer à Administração Pública os quantitativos das obras e preços unitários de determinada obra executada.
Mas como fazer o levantamento de quantitativos da melhor forma? É o que veremos a seguir.
Como fazer levantamento quantitativo de obras preciso: passo a passo
O levantamento de quantitativos é uma etapa fundamental para a elaboração do orçamento da obra. Um erro nessa fase pode comprometer toda a previsão de custos, impactando o planejamento, a compra de materiais e até a contratação de mão de obra. Para uma maior precisão dos quantitativos, é essencial seguir um processo estruturado.
A seguir, apresentamos um passo a passo prático para que você possa aplicar nas suas obras. Se preferir, você também pode assistir como fazer o levantamento de quantitativos em nossa série de videoaulas gratuitas do Curso de Orçamento de Obras Express: Dominando as Principais Técnicas.
1. Reúna todos os projetos da obra
Para realizar um levantamento de quantitativos preciso, o primeiro passo é se certificar de que todos os projetos técnicos estejam disponíveis e atualizados. Isso inclui:
- Projeto arquitetônico: define dimensões, distribuição dos ambientes e acabamentos;
- Projeto estrutural: indica os elementos estruturais, como vigas, lajes e pilares;
- Projeto elétrico: especifica a quantidade e localização de fiações, tomadas e luminárias;
- Projeto hidráulico e sanitário: define tubulações, pontos de água e esgoto;
- Projeto de combate a incêndios: determina extintores, hidrantes e rotas de fuga.
Cada um desses projetos traz informações essenciais para a quantificação correta dos materiais, que precisarão ser levados em consideração.
2. Separe os serviços conforme suas especificações técnicas
Com os projetos em mãos, o próximo passo é classificar os serviços de acordo com suas características. Essa organização evita confusões entre insumos semelhantes e torna o orçamento mais preciso.
Exemplos de separação:
- Pisos e revestimentos: diferenciar porcelanato, cerâmico, vinílico e laminado;
- Pintura: separar seladores, tintas acrílicas, epóxi ou texturizadas;
- Estruturas: distinguir alvenaria estrutural da alvenaria de vedação;
- Elétrica e hidráulica: detalhar tipos de cabos, conexões e tubulações.
Essa categorização é essencial para evitar erros de quantitativo, garantindo que os materiais certos sejam adquiridos.
3. Registre a memória de cálculo
Cada cálculo realizado deve ser documentado em uma memória de cálculo. Esse registro serve para facilitar auditorias, revisões e possíveis ajustes no orçamento. A memória de cálculo deve conter:
- Fórmulas utilizadas na determinação dos quantitativos;
- Referências de consumo com base em tabelas como SINAPI ou similares;
- Explicação detalhada dos cálculos para facilitar futuras conferências.
Essa etapa ajuda na transparência do orçamento, especialmente em obras públicas ou projetos de grande porte em que a necessidade de clareza é ainda maior.
4. Utilize planilhas ou softwares especializados
A organização dos quantitativos pode ser feita em planilhas padronizadas ou softwares de orçamento. A escolha da ferramenta depende da complexidade da obra e dos recursos disponíveis na sua construtora. Algumas alternativas para essa organização, são:
- Planilhas Excel ou Google Sheets: ideais para pequenas e médias obras;
- Softwares como o Sienge eCustos: permitem uma automação mais precisa e a integração com outros processos, o que facilita muito para que a equipe esteja trabalhando alinhada;
- Plataformas BIM (Building Information Modeling): automatizam a quantificação e reduzem erros humanos.
Seja qual for a ferramenta escolhida, o mais importante é padronizar os processos para garantir precisão nos levantamentos. Mais para a frente neste artigo veremos uma lista de ferramentas que podem lhe ajudar nesse processo.
5. Defina corretamente as unidades de medida
Cada serviço e material deve ser quantificado com a unidade de medida adequada, conforme as normas do setor. Exemplos de unidades mais utilizadas:
- Metros quadrados (m²) – Para pisos, revestimentos e pinturas;
- Metros cúbicos (m³) – Para concreto, aterros e escavações;
- Metros lineares (m) – Para tubulações, rodapés e vigas;
- Unidades (un) – Para portas, janelas, luminárias e equipamentos;
- Quilogramas (kg) – Para aço, ferragens e argamassa.
Escolher a unidade errada pode levar a distorções no orçamento e na compra de materiais. Como disse Gustavo Martins, Diretor Executivo do eCustos e Diretor de operações do Gestor Obras:
“O levantamento é a etapa onde a gente calcula todo o serviço da obra, porém não se limita apenas a calcular os serviços em área, volume, quilo etc. Você pode e deve utilizar os mesmos critérios para medições. Se você considerou um critério para quantificar, leve isso também na hora de medir na obra. Quanto mais detalhado for o seu levantamento inicial, menor será a margem de erro, e maior a precisão do orçamento.”
6. Quantifique e categorize os insumos necessários
Agora que os serviços estão organizados, é hora de levantar os insumos necessários para a execução da obra. Essa etapa envolve três categorias principais:
- Materiais: tijolos, cimento, argamassa, cabos elétricos, tubos hidráulicos etc.;
- Mão de obra: pedreiros, eletricistas, carpinteiros, pintores e demais profissionais;
- Equipamentos: betoneiras, andaimes, elevadores de obra, ferramentas diversas.
Cada um desses itens deve ser quantificado de acordo com a necessidade real do projeto.
7. Determine os custos unitários dos serviços
Após definir os insumos, é necessário calcular o custo unitário de cada serviço. Esse cálculo é baseado nas composições unitárias de custo, que incluem:
Fatores para compor o custo unitário:
- Consumo de materiais por metro quadrado, metro cúbico ou unidade;
- Produtividade da mão de obra (quantos metros quadrados um pedreiro consegue assentar por dia, por exemplo);
- Tempo e uso de equipamentos necessários para cada serviço.
Exemplo prático: calculando um revestimento cerâmico
Para calcular o custo de um revestimento cerâmico, é necessário considerar inicialmente três fatores: a área total a ser revestida (m²); a quantidade de rejunte e argamassa por metro quadrado; e a produtividade do azulejista e do servente por dia.
Esses dados podem ser obtidos em bases como o SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), similares ou a partir de medições em obras anteriores. Mais adiante veremos as principais possibilidades de base para quantitativos.
Vamos testar na prática consultando a tabela abaixo do SINAPI, que mostra a composição de custos unitários para o serviço de revestimento cerâmico com placas de porcelanato.
Com a tabela, pode-se perceber que a quantificação do serviço de revestimento cerâmico é feita com base na área (m2) a ser revestida. Inserido neste serviço, estão os insumos (rejunte, argamassa) e a mão de obra (azulejista, servente).
O coeficiente refere-se ao consumo, no caso dos materiais, e à produtividade, para a mão de obra, para a execução de uma unidade do serviço. Por exemplo, na tabela abaixo note que para ser executado um metro quadrado de revestimento cerâmico são usados 8,62 Kg de argamassa.
A medida do coeficiente pode ser realizada na própria obra ou a partir de dados históricos obtidos de obras similares. Normalmente, os fabricantes de produtos utilizados na Construção Civil fornecem o consumo de cada material, sendo este o coeficiente.
O levantamento de quantidades pode envolver elementos de diversas naturezas:
- Lineares: tubulação, meio fio, cercamento, sinalização horizontal, rodapé, entre outros.
- Área: forma, vidros, pintura, revestimento cerâmico, revestimento vinílico, impermeabilização, plantio de grama, alvenaria.
- Massa: armaduras, estrutura metálica, argamassa, rejunte.
- Volume: concreto, aterro, escavação, graute, lastro, passeio em concreto.
- Adimensionais: serviços que requerem a simples contagem, como instalação de portas, placas, portões.
Bases para calcular os quantitativos
Como já mencionamos anteriormente, para garantir que o levantamento de quantitativos seja preciso e confiável, é indispensável utilizar bases de referência que forneçam as respectivas informações.
Essas tabelas são amplamente utilizadas no setor da Construção Civil e servem como parâmetro para estimativas mais realistas, reduzindo incertezas e assegurando um orçamento bem fundamentado.
Entre as principais bases utilizadas no Brasil para calcular os quantitativos de uma obra, podemos citar:
- SINAPI – Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil;
- ORSE – Orçamento de Referência de Obras;
- CUB – Custo Unitário Básico da Construção;
- TCPO – Tabela de Composição de Preços para Orçamentos;
- SICRO – Sistema de Custos Referenciais de Obras.
É importante aprender as especificidades de cada uma para escolher quais tabelas de preço você deve usar.
A SINAPI é a opção mais famosa, que estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de engenharia, contratados e executados com recursos dos orçamentos da União, para obtenção de referência de custo.
Mas lembre-se que também é importante você desenvolver uma base própria, especialmente no caso de obras privadas. Assim você evita cálculos incorretos e considera o contexto da sua região, fornecedores e mercado.
Como integrar o levantamento de quantitativos ao planejamento e cronograma da obra
Imagine uma orquestra onde cada músico recebe sua partitura com atraso e aberta na página errada. O levantamento de quantitativos funciona da mesma forma dentro do planejamento da obra: se os materiais e serviços não estiverem alinhados ao cronograma, a execução perde o ritmo.
A integração começa, portanto, com a ordenação dos quantitativos de acordo com a sequência de execução. Não faz sentido comprar acabamentos antes de concluir a alvenaria, assim como contratar um serviço antes que o local esteja preparado, certo?
Por este motivo, é muito importante que o profissional responsável pelos quantitativos visite a obra pessoalmente para entender melhor os processos.
“O conhecimento é importante, mas você precisa também ir na obra e ver como os serviços são realizados. Orçamento nada mais é que você prever a obra, então você precisa fazer essa previsão. A gente usava muito a analogia do jogo de xadrez: antes de movimentar uma peça, você precisa simular várias possibilidades, entender como será executado aquele serviço na prática. Para prever bem, é essencial já ter visto pelo menos alguma coisa acontecendo na obra”, recomenda Gustavo Martins.
O próximo passo é transformar números em ações estratégicas. Saber quantos blocos de concreto serão necessários não basta; é preciso definir quando comprá-los e em qual quantidade por etapa. É essa sincronia que vai evitar desperdícios, reduzir custos com armazenagem e evitar paradas na obra por falta de insumos.
Sabemos que o planejamento não é estático: o cronograma de uma obra é um organismo vivo, sujeito a mudanças e imprevistos. Se um serviço atrasa ou se há uma alteração no projeto, os quantitativos precisam ser revistos. Por isso, o alinhamento entre orçamentistas, engenheiros e fornecedores deve ser constante, garantindo que qualquer ajuste aconteça sem comprometer o andamento da construção.
Principais erros e como evitá-los
Bom, a esta altura do artigo você já deve saber que o levantamento de quantitativos é uma etapa fundamental para garantir um orçamento preciso e um planejamento eficiente. Porém, quando essa tarefa não é realizada corretamente, diversos problemas podem surgir, comprometendo a gestão financeira e até mesmo a execução da obra como um todo.
A seguir, destacamos os principais erros cometidos nesse processo e como evitá-los para ter uma maior precisão e eficiência na obra.
1. Erros na interpretação do projeto
Uma das principais causas de falhas no levantamento de quantitativos é a má interpretação dos projetos. Quando os documentos técnicos não são analisados com atenção, há o risco de omissão ou duplicação de serviços, levando a inconsistências nos cálculos.
Como evitar? Antes de iniciar a quantificação, lembre-se de revisar todos os projetos da obra – arquitetônico, estrutural, elétrico, hidráulico e complementares – para se certificar de que estejam atualizados e compatíveis entre si. O uso de ferramentas como o BIM (Building Information Modeling) pode ajudar nesse momento, pois permite extrair quantitativos diretamente do modelo digital.
2. Falta de padronização na quantificação
Outro erro comum é a ausência de um padrão de medição para os insumos e serviços. Por exemplo, um determinado material pode ser calculado em metros cúbicos (m³) em uma parte do orçamento e em quilos (kg) em outra, gerando discrepâncias no levantamento.
Como evitar? Adotar planilhas padronizadas ou softwares de orçamento, a fim de que todas as unidades de medida sigam um mesmo critério. Além disso, utilizar bases de referência confiáveis, como SINAPI, ORSE e TCPO, evita variações indesejadas.
3. Subestimação ou superestimação dos quantitativos
A falta de precisão na quantificação pode levar tanto à subestimação quanto à superestimação dos insumos. Quando os quantitativos são menores do que o necessário, há risco de falta de materiais e atrasos na obra. Por outro lado, a superestimação resulta em desperdícios e aumento desnecessário dos custos.
Como evitar? Para evitar esses problemas, é fundamental utilizar coeficientes de consumo e produtividade confiáveis, obtidos a partir de dados históricos de obras anteriores ou de tabelas de referência, como o SINAPI e o SICRO. Além disso, revisar os cálculos com a equipe técnica reduz a possibilidade de erros.
4. Negligência na memória de cálculo
Sem um registro claro dos cálculos realizados, qualquer tentativa de conferência ou ajuste se torna um desafio. A ausência de memória de cálculo pode dificultar a identificação de erros e comprometer a transparência do orçamento.
Como evitar? Documentar todas as fórmulas e coeficientes utilizados na memória de cálculo, garantindo que qualquer revisão possa ser feita de forma rápida e eficiente. Esse registro também facilita auditorias e comprova a coerência dos quantitativos levantados.
5. Impacto negativo na negociação de preços
Quando os quantitativos são mal calculados, a negociação com fornecedores e prestadores de serviço fica comprometida. Se os valores são subestimados, a empresa pode acabar contratando materiais insuficientes. Se forem superestimados, há risco de desperdício e aumento de custos.
Como evitar? O ideal é ter um levantamento criterioso e detalhado, permitindo que as cotações sejam feitas com base em valores reais. Dessa forma, a empresa pode negociar melhores condições de compra e evitar retrabalho na aquisição de insumos.
6. Problemas em concorrências públicas e aditivos contratuais
Em obras públicas, um quantitativo mal elaborado pode resultar em processos licitatórios fracassados ou até mesmo em aditivos contratuais desnecessários. Caso os valores apresentados sejam imprecisos, pode ser necessário alterar o contrato, impactando prazos e custos.
Como evitar? Para garantir conformidade com a legislação, é essencial utilizar tabelas de referência reconhecidas, como o SINAPI e o SICRO, e revisar os quantitativos antes de submeter a proposta para a licitação.
Ferramentas e tecnologias para o levantamento de quantitativos
O levantamento de quantitativos é um processo que exige precisão e organização. Com a evolução da tecnologia e das metodologias de gestão, hoje em dia diversas ferramentas auxiliam engenheiros, arquitetos e orçamentistas a quantificar insumos e serviços com maior eficiência.
A seguir, destacamos as principais soluções utilizadas no setor para otimizar o levantamento de quantitativos.
Estrutura Analítica do Projeto (EAP)
A Estrutura Analítica do Projeto (EAP) é uma metodologia de gestão que organiza a obra em níveis hierárquicos, facilitando a decomposição do projeto em partes menores e mais gerenciáveis. Essa estrutura permite que os serviços e materiais sejam quantificados de maneira lógica e estruturada, reduzindo riscos de omissões ou duplicações.
Por meio de uma EAP de orçamento como a do Sienge Plataforma, os insumos e etapas da obra são distribuídos de forma clara para que cada item seja contabilizado corretamente. Além disso, a metodologia melhora a comunicação entre os setores envolvidos no projeto, pois todos passam a trabalhar com uma visão detalhada do que precisa ser executado e dos recursos necessários.
Softwares de orçamento
Os softwares de orçamento permitem automatizar o levantamento de quantitativos, reduzindo falhas humanas e fazendo com que todos os insumos sejam calculados corretamente. Soluções como o Sienge eCustos integram as tabelas de referência, facilitando a precificação e proporcionando uma maior precisão nos cálculos.
Além da automação, essas ferramentas permitem atualizações constantes dos custos, considerando variações de mercado e ajustes no projeto. Dessa forma, o orçamento reflete com mais fidelidade a realidade da obra, evitando surpresas desagradáveis durante a execução.
Building Information Modeling (BIM)
O BIM (Building Information Modeling) é uma das tecnologias mais inovadoras no setor da Construção Civil e tem revolucionado também o levantamento de quantitativos. Com essa solução, é possível criar um modelo digital inteligente da obra, onde cada elemento possui informações detalhadas sobre suas dimensões, materiais e especificações técnicas.
Uma das grandes vantagens do BIM é que qualquer alteração feita no projeto é atualizada automaticamente, evitando possíveis inconsistências nos quantitativos. Além disso, a metodologia permite a integração entre diferentes disciplinas da obra, reduzindo erros e otimizando a compatibilização dos projetos.
Plataformas de gestão de obras
As plataformas de gestão de obras auxiliam para que os números levantados no orçamento inicial correspondam à realidade do canteiro de obras. Algumas soluções, como a Prevision, permitem acompanhar o consumo de materiais, a produtividade da equipe e a necessidade de ajustes no planejamento.
Essas plataformas facilitam a comunicação entre os setores envolvidos na obra, evitando problemas como falta de insumos ou compras excessivas. Com um controle mais preciso, a equipe consegue tomar decisões estratégicas para otimizar custos e garantir que a execução siga conforme o previsto.
Drones e tecnologia de escaneamento 3D
Em obras de grande porte, os drones e os scanners 3D são ferramentas poderosas para levantar quantitativos com alta precisão. Os drones capturam imagens aéreas detalhadas, permitindo a medição de terrenos, volumes de movimentação de terra e áreas construídas. Já os scanners 3D criam modelos digitais altamente precisos, facilitando cálculos para estruturas complexas.
Essas tecnologias são especialmente úteis para projetos de infraestrutura, onde medições manuais podem ser demoradas e suscetíveis a erros. Integrando os dados obtidos com softwares de orçamento e BIM, por exemplo, é possível melhorar ainda mais a precisão dos quantitativos e otimizar a gestão da obra, trazendo diversos benefícios em sua gestão. Vamos ver alguns deles a seguir.
Benefícios de um bom levantamento de quantitativos
Como você já viu até aqui, o levantamento de quantitativos é essencial para um orçamento preciso, que ajude a evitar desperdícios e manter a obra dentro do planejamento. Quando essa etapa é feita corretamente, os impactos positivos são muitos, e podem realmente fazer a diferença para sua construtora ou incorporadora.
A seguir, destacamos os cinco principais benefícios desse processo para a Construção Civil.
1. Precisão no orçamento da obra
Um orçamento bem elaborado depende de um levantamento de quantitativos detalhado. Quando os insumos e serviços são mensurados de forma correta, os custos são calculados com mais precisão, reduzindo o risco de déficits financeiros e evitando estouros de prazo e orçamento. Isso permite um planejamento mais seguro e uma gestão eficiente dos recursos disponíveis, sabendo que tudo estará no lugar certo quando for necessário.
2. Redução de desperdícios e otimização de recursos
Com a quantidade exata de materiais levantada previamente, a compra e o uso dos insumos se tornam mais eficientes. Isso evita desperdícios por sobras desnecessárias ou falta de materiais, que podem levar a atrasos e gastos imprevistos. Além disso, a alocação da mão de obra também se torna mais eficaz, evitando períodos de ociosidade por falta de insumos, por exemplo.
3. Melhor negociação com fornecedores
Quando a construtora tem um levantamento preciso das quantidades necessárias, ela pode negociar melhor com fornecedores e prestadores de serviço. Compras bem planejadas possibilitam a obtenção de descontos por volume, melhores prazos de pagamento e redução de custos logísticos, resultando em economia sem comprometer a qualidade.
4. Maior controle e transparência no projeto
Um ótimo levantamento de quantitativos também melhora o controle financeiro e operacional da obra, de modo que os custos estejam sempre alinhados com o planejamento.
Além disso, oferece maior transparência para gestores, clientes e investidores, facilitando auditorias e evitando questionamentos sobre gastos e desperdícios. Em obras públicas, por exemplo, essa transparência é ainda mais importante para garantir a conformidade com a legislação.
5. Redução de imprevistos e aditivos contratuais
Um dos maiores problemas em obras mal planejadas é a necessidade constante de ajustes no orçamento e no contrato devido a falhas na previsão dos quantitativos. Quando essa etapa é bem feita desde o início, esses imprevistos são reduzidos, minimizando a necessidade de aditivos contratuais que podem acabar impactando o cronograma e aumentando os custos da obra.
Ou seja, investir em um levantamento de quantitativos detalhado é uma estratégia essencial para qualquer obra. Além de proporcionar um orçamento mais confiável, ele melhora o planejamento, elimina boa parte dos desperdícios e facilita a tomada de decisões estratégicas ao longo da execução do projeto.
Conseguiu entender o que é o levantamento de quantitativos e sua importância?
Logo no início, mencionamos que a quantificação fornece subsídios para o orçamento de uma obra. Então, é um grande desafio e responsabilidade levantar os quantitativos de um projeto, pois essa atividade impactará diretamente na gestão de custos.
Em resumo, pode-se dizer que um quantitativo deficiente acarretará um levantamento de custos questionável e pouco assertivo. Por isso, leve em consideração as dicas que trouxemos aqui para otimizar cada vez mais os seus orçamentos (e as suas obras no geral).