• Composição de custo unitário é uma técnica relacionada à engenharia de custos, utilizada na elaboração de orçamentos de obras e serviços.
  • É importante conhecer os passos para fazer uma boa composição de custo unitário, como conhecer o serviço, identificar insumos, levantar custos, calcular consumo, encontrar índices e obter preço unitário do serviço.
  • A utilização do CPU pode trazer benefícios como agilidade nos cálculos, mais assertividade na elaboração do orçamento, auxílio no dimensionamento da equipe, redução de desperdícios e aumento na produtividade.

Sempre que o tema é orçamento de obras, é comum associá-lo a imprevistos, retrabalho e dificuldade para fechar números confiáveis. A composição de custo unitário existe para resolver exatamente esse problema: ela transforma a elaboração de preços em um processo estruturado, com parâmetros rastreáveis e resultados mais consistentes.

Neste conteúdo, você vai entender o que é a técnica, como executar cada etapa e de que forma aplicá-la para aumentar a precisão orçamentária da sua construtora.

🎁 Baixe grátis: Planilha de Gestão de Custos de Obra 2.0

Sienge Demonstração

O que é composição de custo unitário?

Conhecido também como Composição de Preços Unitários (CPU) essa técnica está relacionada à engenharia de custos. Ela é utilizada na elaboração de orçamentos de obras e serviços.

Em geral, são calculados os índices de produtividade da mão de obra e consumo de materiais e equipamentos para execução de uma unidade.

Ao aplicar o método de CPU em seus empreendimentos, é possível prever as necessidades de insumos e estimar os custos diretos e indiretos de cada serviço.

Basicamente, a prática se resume à atividade de relacionar todos os custos praticados durante a obra ou após a sua execução.

A composição de custo unitário oferece esses valores com qualidade e um controle mais preciso, que permite negociações mais vantajosas. Com isso, é possível reduzir o custo final da obra e ampliar a margem de lucro.

💡 Leia mais:

Composição resumida x composição detalhada: qual a diferença?

A composição de custo unitário pode ser elaborada de forma resumida ou detalhada. Como o nome já indica, a diferença entre elas está no nível de aprofundamento das informações utilizadas no orçamento e no controle da obra.

Na composição resumida, os insumos aparecem agrupados em conjuntos mais amplos. Esse modelo oferece mais rapidez na elaboração orçamentária e costuma ser utilizado em estudos preliminares, análises de viabilidade ou estimativas iniciais.

Já a composição detalhada apresenta todos os insumos envolvidos na execução do serviço de forma individualizada, incluindo materiais, mão de obra, equipamentos e até consumos auxiliares. Esse nível de detalhamento amplia o controle sobre apropriação de custos, produtividade e consumo real da obra.

Ou seja, quanto menor o detalhamento, maior o risco de deixar itens relevantes fora do orçamento. Pequenos insumos, perdas de material, equipamentos de apoio e atividades complementares podem acabar esquecidos, gerando desvios financeiros ao longo da execução.

Além disso, composições detalhadas permitem análises mais precisas sobre produtividade das equipes, desperdícios e desempenho operacional. Essas informações servem de base para decisões de planejamento, negociação com fornecedores, contratação de equipes e revisão de métodos construtivos.

Por isso, muitas construtoras utilizam composições resumidas nas fases iniciais do empreendimento e acabam evoluindo para composições detalhadas conforme o orçamento executivo avança e a necessidade de controle aumenta.

💡 Leia mais:

6 passos para fazer uma boa composição de custo unitário

Os passos que vamos apresentar a seguir são importantes para que você evite erros durante a composição de custos. Com isso, você pode garantir mais assertividade em relação aos valores e ter mais chances para negociações. E tudo isso se resume em aumento na produtividade e lucro.

Mas antes de mais nada, é importante que você entenda qual a função de cada componente que aparece durante a composição de custos:

  • Insumos: representam cada um dos elementos necessários para a realização de um serviço. Os insumos podem ser referentes à mão de obra, materiais ou equipamentos;
  • Unidade: trata-se da unidade de medida de compra de cada insumo, por exemplo: metro, m², m³, quilograma, tonelada, etc;
  • Índice: refere-se ao coeficiente de utilização de cada insumo aplicado no projeto. Ou seja, é a quantidade necessária para obter uma unidade de serviço;
  • Custo Unitário: é o valor representativo do custo de cada unidade de insumo;
  • Custo Total: nada mais é do que a fórmula: Índice x Custo Unitário. Este é o valor total do insumo necessário para a realização de uma unidade de serviço.

1º Passo: Conheça o serviço

É extremamente importante conhecer e identificar o nome de cada serviço que ocorrerá durante a obra, bem como sua unidade de execução. Por isso, faça uma descrição detalhada, onde será possível compreender o método e os processos de execução.

2º Passo: Saiba identificar os insumos

Parece muito óbvio, mas é comum que algumas pessoas não saibam diferenciar insumos e serviços. E você irá precisar identificar cada um deles para sua execução.

Os insumos são definidos em três aspectos:

  • Material: envolve todos os tipos de materiais que serão utilizados em todas as etapas da obra. Por exemplo: areia, pedra, cimento, barras de aço, etc;
  • Mão de Obra: são os custos relacionados à contratação de todo o tipo de serviço especializado. Trata-se dos pedreiros, pintores, serventes, carpinteiros, entre outros;
  • Equipamento: todo o valor que se relaciona à aquisição ou aluguel dos mais diversos equipamentos ou máquinas. Dentre eles, lixadeira, furadeiras, lixeira, etc.

💡 Leia mais:

3º Passo: Faça o levantamento dos custos dos insumos

Para desenvolver a composição de custo unitário é necessário levantar os custos diretos dos insumos. Tais como: salários e encargos de mão de obra e o valor da compra dos materiais.

Deve ser algo semelhante ao item abaixo:

  • Custos de Mão de Obra (salário + encargos): Pedreiro: R$ 19,81/hora; Servente: R$14,01/hora;
  • Custos de Materiais: Tijolo cerâmico maciço: R$0,31/unidade.

4º Passo: Calcule o consumo dos insumos

Ao aplicar a composição de custo unitário você consegue calcular a produtividade da mão de obra. Mas para isso é preciso acompanhar a equipe na execução do serviço. Além disso é preciso anotar as horas trabalhadas por cada profissional e a quantidade de material consumido.

Seguindo o exemplo acima:

  • Produtividade da Mão de Obra: 1 Pedreiro e 1 Servente gastaram 24 horas para fazer 3 m³ do serviço;
  • Rendimento dos Materiais: Foram gastos 3.285 Tijolos cerâmicos maciços de 5 x 10 x 20 cm e 0,855 m³ de argamassa traço 1:2:8 (cimento, cal e areia média) para a execução de três m³ do serviço.

5º Passo: Encontre os índices

Com todas as informações acima em mãos, já é possível calcular os índices de consumo de cada insumo para a execução de uma unidade de serviço.

Os índices de consumo e produtividade são um dos pontos mais sensíveis da composição de custo unitário. Pequenas variações nesses coeficientes podem gerar impactos significativos no orçamento e até alterar a viabilidade financeira de um contrato.

Para ilustrar, considere um trator de esteira trabalhando na remoção de solos de 1ª categoria em campo aberto. Nesse cenário, o índice de produtividade do equipamento pode variar entre 0,0174 m³ e 0,0211 m³ por hora produtiva, dependendo da profundidade da escavação.

Em uma licitação, por exemplo, essa diferença de pouco mais de 20% na produtividade pode alterar completamente a competitividade da proposta e até definir se vale a pena assumir ou não determinado contrato.

Essa análise também vale para mão de obra. Como as equipes representam uma parcela relevante do custo total da obra, qualquer alteração nos índices de produtividade influencia o dimensionamento das equipes, o prazo de execução e os custos operacionais.

Além disso, fatores como experiência profissional, repetitividade do serviço, curva de aprendizado e condições de execução interferem diretamente no desempenho em campo. Equipes mais experientes ou serviços altamente repetitivos tendem a apresentar ganhos progressivos de produtividade ao longo da obra.

Por esse motivo, muitos orçamentistas utilizam bancos de referência como TCPO, SINAPI e SICRO para obter parâmetros iniciais de composição. Ainda assim, esses dados devem servir como base comparativa, já que cada obra possui características próprias que impactam o desempenho real das equipes e equipamentos.

6º Passo: Obtenha o preço unitário do serviço

Após encontrar o índice de consumo dos insumos, basta multiplicar pelo seu custo unitário para encontrar o custo total de cada um.

Desta maneira ao somar o custo total de cada insumo, você obterá o custo total de uma unidade de serviço.

💡 Leia mais:

Como ler uma tabela de composição de custo unitário?

Uma tabela de composição de custo unitário oferece muito mais informações do que apenas o custo final de um serviço. Quando analisados corretamente, os índices revelam padrões operacionais importantes para o planejamento e controle da obra.

Entre os principais pontos que podem ser interpretados estão:

  • Produtividade da mão de obra: o índice mostra quantas horas de cada profissional são necessárias para executar uma unidade de serviço;
  • Proporcionalidade entre categorias: permite entender o equilíbrio entre oficiais, ajudantes, encarregados e equipes de apoio envolvidos na execução;
  • Consumo de materiais: evidencia quanto de cada insumo será necessário para produzir determinada unidade;
  • Percentual de perdas: índices elevados de consumo podem indicar desperdícios, sobras operacionais ou baixa eficiência executiva;
  • Utilização de equipamentos: ajuda a avaliar tempo produtivo, ociosidade e impacto do maquinário no custo final;
  • Sensibilidade orçamentária: serviços com índices muito altos ou insumos de maior peso financeiro exigem acompanhamento mais rigoroso durante a execução.

Essa leitura técnica permite transformar a composição de custo unitário em uma ferramenta de gestão, e não apenas em um documento utilizado para formação de preço.

Bancos de dados de referência

Na composição de custo unitário, é comum utilizar bancos de dados referenciais para obter índices de produtividade, consumo de insumos e custos médios de mercado.

Entre os principais utilizados na Construção Civil estão SINAPI, SICRO, TCPO, ORSE e EMOP. Essas bases ajudam na elaboração de orçamentos, estudos de viabilidade e participação em licitações.

No entanto, esses indicadores não devem ser tratados como valores absolutos. Cada obra possui características próprias que impactam produtividade, consumo de materiais e desempenho das equipes.

Fatores como tipologia da obra, repetitividade dos serviços, logística do canteiro, perfil da mão de obra e nível de mecanização podem alterar significativamente os índices reais de execução.

Uma equipe experiente em obras repetitivas, por exemplo, tende a apresentar produtividade superior aos parâmetros genéricos de mercado. Já obras com restrições operacionais ou baixa industrialização podem exigir índices mais conservadores.

Por isso, o ideal é utilizar os bancos referenciais como ponto de partida e ajustar os coeficientes conforme a realidade operacional da empresa.

Uma prática bastante eficiente consiste em criar um banco de dados próprio a partir dos apontamentos reais das obras. Esse acompanhamento permite registrar produtividade das equipes, consumo efetivo de materiais, desempenho de subempreiteiros e utilização de equipamentos.

Com o tempo, essas informações ajudam a identificar desvios entre previsto e realizado, comparar desempenho entre equipes, revisar índices de produtividade e embasar decisões contratuais com dados históricos da própria construtora.

💡 Leia mais:

O que uma boa composição permite extrair?

Uma composição de custo unitário bem elaborada não serve apenas para definir o preço de um serviço. Quando os índices são consistentes e atualizados, ela também se transforma em uma importante ferramenta de planejamento, controle e tomada de decisão na obra.

A partir das composições, é possível gerar análises estratégicas como:

  • Curva ABC de serviços e insumos: ajuda a identificar os itens de maior impacto financeiro da obra, facilitando negociações, revisão de métodos executivos e avaliação de alternativas construtivas;
  • Histograma de mão de obra: permite visualizar picos de equipe, necessidade de estrutura de apoio, ciclos de contratação e possíveis impactos relacionados a passivos trabalhistas;
  • Relatório de necessidade de compra: melhora o planejamento de suprimentos, amplia o poder de barganha com fornecedores e favorece compras em maior volume;
  • Custo horário de equipamentos: auxilia decisões entre locação ou compra de máquinas, além de apoiar análises de depreciação, utilização e gestão de ativos.

Na prática, orçamento e planejamento funcionam como processos interativos. Quanto maior a qualidade das composições, maior também a capacidade da construtora de antecipar cenários, reduzir riscos e aumentar previsibilidade financeira ao longo da obra.

💡 Leia mais:

Quais as vantagens da composição de custo unitário?

A composição de custo unitário permite um panorama mais controlado e planejado para que a sua equipe possa prever situações que tornem o cronograma mais fácil a ser seguido.

Dentre os principais benefícios que a utilização do CPU pode proporcionar para sua construtora, são:

  • Agilidade nos cálculos;
  • Mais assertividade na elaboração do orçamento;
  • Auxílio no dimensionamento da equipe;
  • Auxílio na estimativa de quantitativos de materiais e equipamentos;
  • Redução de desperdícios;
  • Aumento na produtividade.

Os serviços referem-se a todos os insumos utilizados para o desenvolvimento de uma etapa de produção que seja mensurável no projeto.

Dessa maneira, sua construtora passa a se organizar com muito mais assertividade, menos imprevistos e um controle exato do tempo necessário para concluir cada etapa.

💡 Leia mais:

Como uma plataforma apoia a composição de custo unitário

Ao adquirir uma plataforma de gestão de obras para auxiliar nessa etapa, é importante verificar se essa ferramenta vem acompanhada de um banco de dados com as composições de custos.

Pode ser que você já tenha suas próprias composições e índices. Mas muitas vezes, pode ser vantajoso comparar os seus custos com os do órgão solicitante. Inclusive para analisar a viabilidade da obra.

Os bons sistemas de orçamento de obras já vêm com as composições de diversos órgãos e revistas especializadas, com facilidade para atualização dos preços dos insumos. E ainda oferecem a importação, exportação e integração com outros bancos.

Além da possibilidade das planilhas e dos ERPs, você também pode encontrar na internet índices com os preços atualizados dos insumos.

O DNIT, por exemplo, divulga mensalmente suas composições e custos de equipamentos, inclusive com preços diferenciados por região do país. O EMOP e a FGV também compartilham periodicamente seus preços.

👉 Tenha mais inteligência, controle e eficiência em cada etapa da construção com o Sienge Plataforma

Perguntas frequentes sobre composição de custo unitário

O que é composição de custo unitário na construção civil?

É uma técnica da engenharia de custos que calcula o custo de execução de uma unidade de serviço, considerando os índices de produtividade da mão de obra e o consumo de materiais e equipamentos. O resultado é o preço unitário de cada serviço do orçamento.

Qual a diferença entre composição resumida e composição detalhada?

Na composição resumida, os insumos são agrupados em categorias amplas, o que acelera a elaboração mas reduz o nível de controle. Na composição detalhada, cada insumo é listado individualmente, permitindo análise precisa de produtividade, consumo e desvios durante a execução.

Quais bancos de dados são mais utilizados para composição de custo unitário?

Os mais utilizados na construção civil brasileira são SINAPI, SICRO, TCPO, ORSE e EMOP. O SINAPI, mantido pela Caixa Econômica Federal, é referência obrigatória em obras públicas.

Por que os índices de produtividade impactam tanto o orçamento?

Porque pequenas variações nos coeficientes de produtividade afetam diretamente o custo de mão de obra, o prazo de execução e a competitividade do preço final. Em licitações, diferenças de 15% a 20% na produtividade podem definir a viabilidade do contrato.

Posso usar os índices do SINAPI diretamente nas composições da minha obra?

Sim, mas com ajustes. Os índices referenciais servem como ponto de partida; a produtividade real da equipe, o perfil da obra e as condições de canteiro podem exigir coeficientes diferentes. O ideal é criar um banco de dados próprio a partir dos apontamentos reais das obras.

Como um software de orçamento auxilia na composição de custo unitário?

Um software especializado centraliza os bancos de dados referenciais, facilita a atualização de preços de insumos e permite criar, armazenar e comparar composições próprias, reduzindo o tempo de elaboração do orçamento e aumentando a rastreabilidade dos valores.

Qual a relação entre composição de custo unitário e o BDI?

A CPU calcula o custo direto de execução de uma unidade de serviço. O BDI é aplicado sobre esse valor para cobrir despesas indiretas, impostos, riscos e margem de lucro, resultando no preço unitário final que entra na proposta.

Sienge Plataforma: ERP para construtoras
Assuntos: Engenharia de Custos e Composição de Custos em Obras Plataforma
Cristiano Gregorius do Sienge
Cristiano Gregorius do Sienge

Executivo com formações em Administração e Tecnologia. Atua há mais de 25 anos no segmento de TI, em operações no Brasil e na América Latina. Atualmente, é Diretor Executivo da Starian Indústria da Construção, responsável pelo Ecossistema Sienge, que integra a cadeia da construção de ponta a ponta com soluções especialistas. Sua expertise contribui para o fortalecimento da proposta de negócio da empresa para a integração de toda a cadeia da construção, com o objetivo de potencializar resultados para construtoras e incorporadoras, garantindo maior previsibilidade e eficiência operacional.