• A NBR 14037 estabelece diretrizes para elaboração do manual de uso, operação e manutenção das edificações
  • A norma visa informar sobre as características técnicas do imóvel e as práticas recomendadas para sua conservação
  • É importante seguir as recomendações da norma para elaborar um manual claro, detalhado e acessível aos usuários.

A NBR 14037 é uma norma técnica brasileira que estabelece diretrizes para o uso, a operação e a manutenção das edificações. Muitas vezes negligenciada ou desconhecida por incorporadores e construtores, ela cumpre um papel importante na preservação do desempenho e da integridade estrutural e funcional dos edifícios ao longo de sua vida útil.

Vale lembrar que a norma não traz os procedimentos e práticas de manutenção, mas diz como apresentá-los em uma publicação acessível aos usuários. Em outras palavras, mostra como comunicar de forma eficaz as informações técnicas sobre o imóvel construído e as melhores práticas de como operá-lo e realizar sua manutenção, de modo a preservar sua garantia e a vida útil de seus componentes.

Neste blogpost, exploraremos em detalhes o que exatamente é a NBR 14037, sua importância no contexto da gestão de edificações e como sua aplicação pode beneficiar tanto proprietários quanto ocupantes de edificações. Além disso, abordaremos como a implementação desta norma pode influenciar positivamente na valorização do imóvel e na prevenção de problemas comuns relacionados à manutenção predial.

O que é a NBR 14037?

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas, a NBR 14037 “estabelece os requisitos mínimos para elaboração e apresentação dos conteúdos a serem incluídos no manual de uso, operação e manutenção das edificações elaborado e entregue pelo construtor e/ou incorporador, conforme legislação vigente“.

Seus objetivos são:

  • Informar aos proprietários e ao condomínio as características técnicas da edificação construída;
  • Descrever procedimentos recomendáveis e obrigatórios para a conservação, uso e manutenção da edificação, bem como para a operação dos equipamentos;
  • Em linguagem didática, informar e orientar os proprietários e o condomínio com relação às suas obrigações no tocante à realização das atividades de manutenção e conservação, e de condições de utilização da edificação;
  • Prevenir a ocorrência de falhas ou acidentes decorrentes de uso inadequado; e
  • Contribuir para que a edificação atinja a vida útil de projeto

Contexto histórico

Publicada originalmente em 1998, a NBR 14037 surgiu em um período de transformação significativa na construção civil brasileira. Esta década foi marcada por uma transição da informalidade, característica das décadas anteriores, para a adoção de processos produtivos mais organizados e padronizados. A indústria começou a abraçar normas e práticas que visavam melhorar a qualidade e a eficiência das construções, um movimento estimulado tanto por referências internacionais quanto por iniciativas nacionais.

Internacionalmente, a série ISO 9000, que estabelece normas de gestão de qualidade, estava sendo cada vez mais adotada no Brasil. Essas normas introduziram no setor de construção civil a importância de processos padronizados e controles de qualidade rigorosos, contribuindo significativamente para a confiabilidade e segurança das edificações.

Paralelamente, o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) emergiu como uma resposta nacional às demandas por melhor qualidade e produtividade no setor habitacional. Este programa governamental tinha como objetivo não apenas elevar a qualidade das habitações, mas também promover uma modernização abrangente na indústria da construção civil.

Nesse contexto de evolução do setor, a NBR 14037 foi um marco importante. Esta norma estabeleceu diretrizes claras e essenciais para a elaboração de manuais de uso, operação e manutenção de edifícios. Com isso, garantiu-se que informações cruciais para a manutenção e a longevidade das construções fossem comunicadas eficientemente aos seus usuários. A NBR 14037, portanto, representou um passo significativo no afastamento da informalidade e na consolidação de uma abordagem mais estruturada e responsável na construção civil brasileira, alinhada com as tendências globais de qualidade e sustentabilidade.

Sua versão hoje vigente é a NBR 14037:2011 Versão Corrigida:2014 – Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações — Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos.

Quando a NBR 14037 se aplica?

A NBR 14037 se aplica a todas as edificações, independentemente da altura, tipologia ou padrão construtivo. Esta norma tem como foco principal garantir que os proprietários, administradores e usuários das edificações tenham acesso a informações completas e claras sobre o uso, a operação e a manutenção do imóvel.

Para elaboração do manual de uso, a NBR 14037 deve ser adotada em conjunto com outras três normas:

  • NBR 5674:2012 – Manutenção de edificações — Requisitos para o sistema de gestão de manutenção
  • NBR 12721:2006 Versão Corrigida 3:2021 – Avaliação de custos unitários de construção para incorporação imobiliária e outras disposições para condomínios edifícios – Procedimento
  • NBR 15575-1:2021 – Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais

NBR 14037: Dicas para elaborar o Manual de Uso, Operação e Manutenção das Edificações

Seguindo as dicas a seguir, o manual se tornará um instrumento valioso para os proprietários e gestores de edificações, contribuindo significativamente para a manutenção da segurança, funcionalidade e longevidade da construção.

1. Utilize linguagem clara e recursos visuais

Simplicidade é chave! Opte por uma linguagem simples e direta, evitando jargões técnicos ou termos demasiadamente complexos. Lembre-se de que o manual deve ser compreensível para todos os usuários, independentemente do seu nível técnico.

Enriqueça o manual com ilustrações, desenhos esquemáticos, fotos e tabelas. Estes recursos visuais ajudam a explicar conceitos complexos, facilitando a compreensão e a localização de componentes específicos da edificação.

2. Ajuste o nível de detalhamento à complexidade da edificação

Personalize segundo a complexidade! O manual deve refletir a complexidade da edificação. Para edifícios com sistemas avançados ou características únicas, inclua detalhes técnicos mais aprofundados. Em contrapartida, para estruturas mais simples, mantenha o foco nas informações essenciais, evitando exceder em detalhes técnicos.

Assegure que o manual contemple tanto orientações práticas para o dia a dia quanto informações técnicas necessárias para a manutenção e operação adequadas.

3. Mantenha a precisão e a relevância do conteúdo

Utilize um vocabulário que seja ao mesmo tempo preciso e acessível. Isso assegura que as instruções e informações sejam claras e minimizem a possibilidade de mal-entendidos ou erros na manutenção e operação.

Garanta que todas as informações incluídas no manual sejam relevantes e úteis para os usuários. Evite sobrecarregar o documento com informações desnecessárias que possam desviar a atenção do essencial.

4. Siga a estrutura do manual padronizada

A NBR 14037 recomenda que os conteúdos sejam apresentados da seguinte maneira:

Capítulo
1. Apresentação Subdivisões:

Índice

Introdução

Definições

2. Garantias e assistência técnica Subdivisões:

Garantias e perdas de garantia

Assistência técnica

3. Memorial descritivo
4. Fornecedores Subdivisões:

Relação de fornecedores

Relação de projetistas

Serviços de utilidade pública

5. Operação, uso e limpeza Subdivisões:

Sistemas hidrossanitários

Sistemas eletroeletrônicos

Sistema de proteção contra descargas atmosféricas

Sistemas de ar-condicionado, ventilação e calefação

Sistemas de automação

Sistemas de comunicação

Sistemas de incêndio

Fundações e estruturas

Vedações

Revestimentos internos e externos

Pisos

Coberturas

Jardins, paisagismo e áreas de lazer

Esquadrias e vidros

Pedidos de ligações públicas

6. Manutenção Subdivisões:

Programa de manutenção preventiva

Registros

Inspeções

7. Informações complementares Subdivisões:

Meio ambiente e sustentabilidade

Segurança

Operação dos equipamentos e suas ligações

Documentação técnica e legal

Elaboração e entrega do manual

Atualização do manual

5. Não se esqueça das informações importantes de segurança

O manual deve conter recomendações para situações de emergência, com procedimentos a serem adotados em casos de vazamentos de gás, água, falhas nos sistemas elétricos, prevenção e combate a incêndio e falhas em instalações e sistemas críticos (como elevadores, ar-condicionado, instalações elétricas e hidrossanitárias etc.). Além disso, deve-se explicitar recomendações para evacuação da edificação.

O manual também deve informar que as alterações nos sistemas construtivos da edificação (estruturas, vedações, instalações etc.) devem ser submetidas à análise prévia da construtora, do projetista ou de um responsável técnico. Quando forem realizadas as modificações, elas devem ser documentadas, com projeto e memorial elaborados por um responsável técnico.

6. Forneça a documentação técnica completa

O manual deve conter a relação de documentos técnicos e legais, indicando incumbência pelo fornecimento inicial, o responsável e a periodicidade da renovação, incluindo:

  • Projeto de arquitetura;
  • Projeto de estrutura;
  • Projeto de instalações elétricas;
  • Projeto de instalações hidráulicas;
  • Projeto de Sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA)
  • Projeto de elevadores;
  • Projeto de paisagismo;
  • Projetos específicos (quando pertinente), como de luminotécnica, drenagem, ventilação mecânica, ar-condicionado, redes de telefonia e dados, impermeabilização etc.

7. Acessibilidade do manual em formato impresso

Embora os meios digitais sejam convenientes, é essencial disponibilizar uma versão impressa do manual. Isso oferece uma opção tangível e de fácil acesso, especialmente em situações onde os dispositivos eletrônicos podem não ser práticos ou seguros.

A versão impressa do manual minimiza distrações e ajuda a manter o foco durante a realização de tarefas. Considerando a segurança e praticidade, é importante ter a opção de acessar o manual em papel, seja ele completo ou em partes específicas conforme a necessidade.

Conclusão

A norma técnica NBR 14037:2011 Versão Corrigida:2014 – Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações — Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos faz parte de um contexto de modernização da gestão de qualidade na construção civil brasileira iniciado na década de 1990.

A NBR 14037 aplica-se a todas as edificações e é parte de um conjunto de normas que visam melhorar a gestão de edifícios. Ela orienta a produção do manual de uso, operação e manutenção, uma ferramenta importante para informar os usuários sobre aspectos técnicos e práticas recomendadas para a manutenção das edificações.

Ao longo deste blogpost, discutimos como elaborar um manual eficaz, enfatizando a importância de uma linguagem clara, a adequação do nível de detalhamento à complexidade da edificação, e a disponibilidade do manual em formato impresso.

Esperamos que essa publicação contribua com a melhoria dos processos de elaboração de manuais em sua construtora!

Andre Campos do Sienge Construpoint
Andre Campos do Sienge Construpoint

Engenheiro Civil com sólida trajetória na transformação comercial de empresas por meio de tecnologia, dados e processos. Atua há 10 anos com desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e digitalização na construção civil, com forte experiência se relacionando com grandes construtoras como MRV, Direcional, Tecnisa, MPD, entre outras.