• A NBR 6118 é uma norma técnica brasileira que define critérios e métodos para o projeto de estruturas de concreto armado e protendido.
  • Ela aborda aspectos como segurança estrutural, durabilidade, cálculos estruturais e especificações de materiais.
  • A norma foi atualizada em 2023, trazendo modificações importantes, como novos coeficientes, fórmulas e diretrizes para garantir a segurança e eficiência das estruturas de concreto.

A NBR 6118:2023 Projeto de estruturas de concreto é uma norma técnica brasileira que estabelece os requisitos e procedimentos para o projeto de estruturas de concreto.

Essa norma é fundamental para engenheiros civis, arquitetos e outros profissionais da construção civil no Brasil, pois orienta sobre as melhores práticas para garantir a segurança, durabilidade e eficiência das estruturas de concreto.

Aqui, vamos explorar os principais aspectos da NBR 6118 e sua importância no setor de construção civil.

O que é a NBR 6118?

Publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 6118 é uma norma técnica que define os critérios e métodos para o projeto de estruturas de concreto armado e protendido, garantindo segurança, qualidade e durabilidade.

Poucos sabem, mas ela é considerada uma evolução da primeira norma técnica brasileira publicada pela ABNT, em 1940, que na época se chamava “NB-1 – Cálculo e Execução de Obras de Concreto”.

Entre os principais aspectos da NBR 6118, destacam-se:

  • Segurança estrutural: A norma estabelece os critérios de segurança para o projeto de estruturas de concreto, incluindo os limites para a resistência dos materiais e as cargas de projeto.
  • Durabilidade: Define os parâmetros para garantir a durabilidade das estruturas de concreto, considerando fatores ambientais e de uso.
  • Cálculos estruturais: Orienta sobre os métodos de cálculo para dimensionamento das estruturas, levando em conta cargas permanentes, variáveis e acidentais.
  • Materiais: Especifica os requisitos para os materiais utilizados, como concreto, aço para armaduras e aditivos.

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Do que a NBR 6118 trata?

Veja alguns conceitos apresentados pela norma técnica de projeto de estruturas de concreto:

  • Concreto armado: Uso de aço e concreto em conjunto para resistir a cargas.
  • Concreto protendido: Técnica de pré-tensionamento do aço antes da aplicação de cargas.
  • Durabilidade: Critérios para assegurar a longevidade das estruturas de concreto.
  • Resistência do concreto: Parâmetros para a resistência à compressão do concreto.
  • Resistência do aço: Critérios para a resistência do aço utilizado na armadura.
  • Cargas permanentes e variáveis: Considerações sobre cargas fixas e móveis na estrutura.
  • Análise estrutural: Metodologias para análise de tensões e deformações.
  • Segurança estrutural: Princípios para garantir a segurança e integridade da estrutura.
  • Estados Limites Últimos (ELU): Condições extremas de carga que a estrutura deve suportar.
  • Estados Limites de Serviço (ELS): Critérios para o desempenho adequado sob condições normais de uso.
  • Flecha em vigas: Limites e cálculos para a deflexão em vigas de concreto.
  • Fissuração: Controle e limites para a fissuração no concreto.
  • Ancoragem e emendas de armaduras: Técnicas e requisitos para conexões de aço.
  • Cobrimento do concreto: Espessura do concreto sobre a armadura para proteção e durabilidade.
  • Módulo de elasticidade: Parâmetros para a rigidez do concreto e do aço.
  • Deformações por fluência: Comportamento do concreto sob cargas prolongadas.
  • Retração do concreto: Contração do concreto durante o processo de cura.
  • Consistência do concreto: Parâmetros para a trabalhabilidade do concreto fresco.
  • Aditivos para concreto: Uso de substâncias para modificar propriedades do concreto.
  • Controle tecnológico: Métodos para assegurar a qualidade dos materiais e da execução.
  • Efeitos de temperatura: Considerações sobre variações térmicas na estrutura.
  • Lajes: Design e cálculo de lajes de concreto armado ou protendido.
  • Pilares: Cálculo e dimensionamento de pilares em estruturas de concreto.
  • Vigas: Princípios de projeto e dimensionamento de vigas.
  • Paredes de concreto armado: Especificações para o projeto de paredes estruturais.
  • Juntas de concretagem: Planejamento e execução de juntas em elementos de concreto.
  • Inspeção e manutenção: Diretrizes para a inspeção e manutenção de estruturas de concreto.
  • Classe de Agressividade Ambiental: categorização do ambiente em que a estrutura de concreto será exposta – baseada em fatores como poluição, umidade, salinidade, entre outros – e que determinam sua durabilidade.

Quando a NBR 6118 se aplica?

A NBR 6118 define os critérios gerais para todo tipo de projeto que envolva estruturas de concreto. Isso quer dizer que dentro dos parâmetros da norma estão incluídos elementos como:

  • Prédios;
  • Aeroportos;
  • Portos;
  • Obras hidráulicas;
  • Edifícios;
  • Pontes;
  • Túneis;
  • e outros.

O que mudou na NBR 6118 de 2023?

Recentemente, a NBR 6118, norma brasileira para estruturas de concreto, foi atualizada para a versão 2023. Esta atualização trouxe modificações importantes, incluindo mudanças em itens como coeficientes de cálculo, fórmulas, tabelas e desenhos técnicos. A norma revisada impacta diretamente profissionais da engenharia e da construção civil no Brasil, orientando sobre práticas atualizadas no setor.

Confira algumas novidades da nova versão da NBR 6118:

  • Item 7.4.7.4 – O texto deixa claro que a redução dos cobrimentos nominais, em condições específicas, vale especificamente para estruturas projetadas de acordo com a ABNT NBR 9062, ou seja, estruturas de concreto pré-moldado.
  • Item 8.2.10.1 – A principal mudança na norma atual é a introdução de um coeficiente de fragilidade, denominado ηc. Este coeficiente é aplicável especificamente a concretos com resistência acima de 40MPa.
fck (MPa)ηc
≤401,00
500,93
600,87
700,83
800,79
900,76

Para análises não lineares, agora é possível utilizar alternativamente o diagrama de tensão-deformação que foi importado da norma europeia. Esta opção oferece uma nova abordagem para tais análises em projetos estruturais.

Figura 8.3 – Diagrama de tensão-deformação para análise não-linear
  • Item 8.3.2 – Torna mais clara a interpretação do coeficiente de aderência η1, introduzindo uma nova classificação baseada na categoria do aço (CA-25, CA-50 ou CA-60).
fck (MPa)η1
CA-251,00
CA-502,25
CA-601,00
  • Item 9.4.1.6 – O texto “Os ganchos dos estribos podem ser […] em ângulo de 45° (interno)” foi substituído para “Os ganchos dos estribos podem ser […] em ângulo de 135° (com orientação para o interior do elemento estrutural)”. Também se deixa explícita a preferência por esse tipo de dobra em detrimento à de 90°, inclusive com a introdução de uma figura para ilustrar sua execução.
  • Item 11.2.2 – Esclarece que o carregamento de água pode ser classificado como permanente, variável ou especial, a depender do contexto. A norma orienta o projetista a fazer essa avaliação com base nas definições da ABNT NBR 8681:2004
  • Tabela 11.1 – Na versão antiga, era permitido reduzir o coeficiente de ponderação das ações para 1,3 em casos de cargas permanentes de pequena variabilidade, como o peso próprio. Na NBR 6118:2023, essa redução ainda é possível, mas requer uma revisão adicional das outras ações permanentes conforme estipulado na NBR 8681.
  • Item 11.3.3.4.1 – Novo texto menciona a variável n como o número de pilares verticais que contribuem para o efeito de desaprumo global e associados à altura H adotada.
  • Tabela 13.4 – O novo texto melhora a compreensão sobre as exigências mínimas de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da armadura no caso de estruturas protendidas, em função das classes de agressividade ambiental.
  • Item 15.7.3 – Na seção “Consideração aproximada da não linearidade física”, houve a introdução do texto “Em estruturas com menos de quatro andares em que as forças verticais nos pilares sejam pequenas […], como em alguns galpões, a redução da rigidez dos elementos estruturais deve ser avaliada de forma específica”.
  • Item 15.8.1 – No item “Análise de elementos isolados – Generalidades”, houve uma mudança na apresentação do cálculo do coeficiente majorador dos efeitos locais de 2ª ordem de pilares muito esbeltos.
NBR 6118:2023 - Fórmula de cálculo do coeficiente majorador dos efeitos locais de 2ª ordem de pilares muito esbeltos
  • Item 15.8.2 – O texto estabelece que, para pilares em balanço, o coeficiente αb = 1,0.
  • Item 15.9.2 – Ajustes na figura 15.4 , que trata do comprimento equivalente le de pilares parede
  • Item 17.2.4.3.2 – A NBR 6118:2023 introduz um redutor para a verificação da protensão em concretos com resistência acima de 50MPa.
  • Item 17.2.4.4 – A nova NBR 6118:2023 estabelece limites explícitos de tensão para compressão excessiva, uma mudança significativa em relação à prática anterior, que frequentemente se baseava no American Concrete Institute (ACI). Agora, os limites para compressão excessiva devem seguir as diretrizes especificadas na norma brasileira:

17.2.4.4 Estado-limite de serviço

Devem ser atendidas as verificações do ELS estabelecidas na tabela 13.4 de acordo com o nível de protensão definido em projeto.

17.2.4.4.1 Limites de tensão na protensão

Tensões de compressão excessivas no concreto sob cargas em serviço podem provocar fissuras longitudinais e elevadas perdas de protensão por fluência. Para evitar esses efeitos, devem se limitar as tensões de compressão do concreto a um nível apropriado. Paraprotensão completa (Nível 3) e protensão limitada (Nível 2), as tensões no concreto em serviço (considerando a seção não fissurada e após todas as perdas de protensão) não podem exceder os seguintes limites:

  1. Na combinação quase permanente – 0,45 fck
  2. Na combinação frequente – 0,6 fck
  3. Na combinação rara – 0,6 fck (somente para protensão completa, Nível 3)

17.2.4.4.2 Limites de tensão de tração

A limitação das tensões de tração no concreto é uma medida adequada para reduzir a probabilidade de fissuração. Dependendo do estado-limite considerado, ELS-F e ELS-D, diferentes limites de tensão devem ser aplicados, tomando-se como base a seção não fissurada do concreto.

Quando a tensão de tração máxima no concreto no ELS-F (ver a tabela 13.4) exceder 0,7 α fctm, a seção passa a trabalhar no Estádio II (seção fissurada). No ELS-D, considera-se a tensão-limite nula de tração.

  • Item 20.3.2.6 – Na seção “Armaduras passivas e ativas”, a NBR 6118:2023 revisou as diretrizes para o uso de cabos de protensão, agora permitindo que eles sejam utilizados como parte da armadura contra colapso progressivo. De acordo com o novo texto, é possível empregar os cabos com essa finalidade, sendo necessário um mínimo de dois cabos.

Conclusão

A NBR 6118 é uma norma fundamental na engenharia de estruturas de concreto no Brasil. Ela estabelece diretrizes cruciais para a segurança, durabilidade e eficiência de variadas estruturas, desde prédios até obras de infraestrutura.

Esta norma não só continua o legado da primeira norma técnica brasileira de 1940, mas também se adapta às demandas contemporâneas com atualizações que refletem avanços tecnológicos e práticas construtivas modernas.

Com sua abordagem abrangente sobre segurança estrutural, durabilidade, cálculos estruturais e especificações de materiais, a NBR 6118 é essencial para engenheiros, arquitetos e construtores.

As atualizações na versão de 2023, incluindo ajustes textuais, novas imagens e a introdução de coeficientes e diagramas, demonstram um compromisso com a precisão e a aplicabilidade prática da norma.

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Assuntos: Normas Regulamentadoras Construção Civil
Roberta Chicoli da Construmarket
Roberta Chicoli da Construmarket

Profissional com mais de 20 anos de experiência na digitalização da construção civil, atua como Diretora da Unidade de Projetos e Obras na Construmarket, empresa do Ecossistema Sienge. Lidera as áreas de Comercial, Produto e Sucesso do Cliente com foco em crescimento sustentável e excelência na jornada do cliente. Reconhecida por sua habilidade em integrar equipes e estratégias, tem gerado resultados expressivos em receita, retenção e competitividade, sempre com uma abordagem colaborativa, orientada por dados e impulsionada pela inovação.