• Sustentabilidade é um valor importante na construção hoje devido à escassez de recursos e demanda dos consumidores conscientes.
  • Vários projetos sustentáveis foram construídos recentemente no Brasil, como o edifício administrativo da Natura em SP e o edifício-sede da Rac Engenharia em Curitiba.
  • Esses projetos obtiveram certificações de sustentabilidade e incluem soluções como uso de energia solar, reúso de água, instalação de coberturas verdes e materiais sustentáveis.

A sustentabilidade na Construção Civil deixou de ser um diferencial e passou a ser um critério estratégico, como evidenciam diversos cases de aplicação de sustentabilidade na construção que demonstram sua viabilidade e impacto positivo. Além da necessidade de reduzir o impacto ambiental e preservar recursos naturais cada vez mais limitados, construtoras e incorporadoras também respondem a uma pressão crescente do mercado por soluções mais eficientes, responsáveis e alinhadas às boas práticas ambientais.

Esse movimento tem impulsionado o desenvolvimento de edificações que incorporam conceitos como eficiência energética, uso racional da água, redução de resíduos e melhoria da qualidade do ambiente interno. Como resultado, cresce o número de empreendimentos certificados por selos reconhecidos, como LEED e AQUA-HQE, que atestam o desempenho sustentável dos projetos.

Mais do que atender a requisitos técnicos, esses empreendimentos demonstram, na prática, como decisões de projeto, escolha de materiais e estratégias construtivas impactam diretamente a eficiência e o desempenho ambiental das edificações.

Neste conteúdo, você vai conhecer cinco projetos sustentáveis construídos no Brasil que se destacam pela aplicação consistente desses princípios. Os exemplos mostram como a sustentabilidade pode ser incorporada em diferentes tipologias e escalas, servindo como referência para profissionais e empresas que buscam evoluir suas práticas construtivas.

1. Edifício administrativo da Natura – São Paulo, SP

O edifício administrativo da fabricante de cosméticos Natura foi projetado pelos arquitetos do escritório Dal Pian Arquitetos e construído com três objetivos principais: integrar-se ao ambiente externo, aproveitar ao máximo a luz natural, e incentivar a interação social.

Isso levou a uma arquitetura que privilegia vidros nas fachadas, vazios que integram e o paisagismo, inserido em cada um dos pavimentos em forma de jardins escalonados.

Inaugurado em 2016, o empreendimento erguido às margens da rodovia Anhanguera, é detentor do certificado LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) na categoria Gold. O selo foi concedido pelo Green Building Council Brasil após avaliação dos seguintes itens: terreno sustentável; uso racional de água, energia e atmosfera; qualidade do ambiente interno; materiais e recursos; inovação em projeto; e prioridades regionais.

Alguns números ajudam a entender o grau de sustentabilidade atingido nesse projeto:

  • Na construção, 14% dos materiais utilizados tiveram conteúdo reciclado;
  • 41,2% do material empregado na obra foram extraídos e manufaturados em um raio de até 800 quilômetros, diminuindo a demanda por transporte e favorecendo o consumo local;
  • 100% da madeira incorporada na construção foram extraídas de forma legalizada e sempre que possível com certificação FSC (Forestry Stewardship Council);
  • 97% dos resíduos recicláveis gerados durante a obra foram desviados de aterro e encaminhados para reaproveitamento.

2. Edifício-sede da Rac Engenharia – Curitiba, PR

Inaugurado em 2017, o edifício-sede da Rac Engenharia obteve a certificação LEED Platinum com pontuação máxima na América Latina.

Entre os requisitos que possibilitaram tal resultado está o Net Zero Energia. Isso significa que edifício é capaz de gerar a energia que consome, inclusive para funcionamento de ar-condicionado e de elevadores.

Você quer saber como isso foi feito? Com a instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura que permitem geração anual de 26.509 kW em condições climáticas normais da cidade. O prédio utiliza soluções arquitetônicas comuns a outros edifícios sustentáveis, como brises nas fachadas e telhado verde.

Para racionalizar o uso de água, o prédio possui estação própria de tratamento de esgoto, que permite o reúso das águas cinzas e negras nos vasos sanitários, bem como da água da chuva. Outro fator que contribuiu para que o edifício obtivesse a nota máxima do selo de construções verdes foi a instalação de um ponto de recarga para carros elétricos.

3. Hospital Regional do Litoral Norte – Caraguatatuba, SP

Com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2019, o Hospital Regional Litoral Norte conquistou a certificação AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental) nas fases pré-projeto e projeto. O empreendimento faz parte do Projeto de Fortalecimento da Gestão da Saúde do Estado de São Paulo, financiado pelo BID e pelo Governo do Estado.

Nesse caso, entre as soluções empregadas para garantir maior sustentabilidade, destacam-se:

  • Aquecimento de água por energia solar;
  • Utilização de água de reúso nas bacias e jardins;
  • Cobertura verde;
  • Construção de bicicletário;
  • Utilização de produtos sustentáveis, como piso de borracha ou marmoleum (fibra natural);
  • Uso de pisos drenantes nas áreas externas;
  • Iluminação com lâmpadas LED;
  • Brises para redução da incidência solar nas faces leste e oeste;
  • Estudo prévio sobre a implantação do hospital na malha urbana e no terreno, garantindo acessibilidade ao empreendimento e otimização da climatização.

O empreendimento no litoral paulista foi projetado pelos profissionais do Fernandes Arquitetos Associados em parceria com a MHA Engenharia e contou com consultoria em sustentabilidade pela Inovatech.

4. Edifício Jacarandá – São Paulo, SP

Localizado em uma região densamente ocupada, na Avenida Luiz Carlos Berrini, o Jacarandá foi o primeiro edifício comercial no Brasil a receber a certificação LEED Core and Shell Platinum v3.
Projetado pelo arquiteto Carlos Bratke, falecido em 2017, e com consultoria de sustentabilidade do CTE, o prédio oferece a seus usuários fácil acesso a vários tipos de transporte coletivo.
Outras soluções impactantes para o empreendimento somar pontos para obter a certificação verde foram:

  • Construção de bicicletário com vestiários e armários para os ciclistas;
  • 100% dos estacionamentos nos subsolos, diminuindo as áreas pavimentadas, promovendo a minimização das ilhas de calor;
  • Instalação de coberturas verdes;
  • Especificação de materiais com alto índice de refletância solar;
  • Construção de 1.925 m² de áreas verdes que promovem a biodiversidade local;
  • Plano de gerenciamento de águas pluviais;
  • Sistema para coleta e tratamento de água cinza e água proveniente do dreno do sistema de ar-condicionado para fins não potáveis;
  • Simulação computacional para avaliar a eficiência energética do edifício;
  • Estratégias de racionalização de energia em toda a sua operação;
  • 93% dos resíduos gerados na construção foram destinados à reciclagem e reaproveitamento;
  • Uso de materiais com conteúdo reciclado e de origem regional, bem como de adesivos, selantes, tintas e revestimentos com baixo valor de Compostos Orgânicos Voláteis (COV);
  • Layout que permite aos ocupantes ter visibilidade das paisagens externas em todos os ambientes;
  • Implantação de lajes ajardinadas e pavimentos permeáveis, permitindo reduzir o escoamento pluvial para o sistema público em mais de 25%.

5. Edifício Aqwa Corporate – Rio de Janeiro, RJ

Um dos edifícios mais icônicos da região do Porto Maravilha, o Aqwa Corporate também é um case de sustentabilidade. O complexo corporativo triple A da Tishman Speyer foi concebido pelo arquiteto britânico Norman Foster, com a colaboração do escritório brasileiro RAF Arquitetura, para receber o selo de sustentabilidade LEED na categoria Gold.

Aqwa Corporate

Para tanto, foram adotadas uma série de soluções que adicionaram eficiência no uso de recursos naturais. Destacam-se entre elas:

  • Sistema de ar-condicionado com chillers em série, que consome menos energia;
  • Sistema de reaproveitamento de água da chuva para irrigação dos jardins;
  • Elevadores equipados com sistema de antecipação de destino de chamadas para racionalizar o consumo de energia e reduzir o tempo de espera das pessoas;
  • Construção de praça térrea integrada a um parque linear com 400 m de extensão.
  • Prevalência de sistemas construtivos industrializados, como estrutura de aço.

A fachada de vidro do Aqwa foi estudada e simulada à exaustão a fim de obter a melhor condição de conforto térmico nos interiores, sem comprometer a estética arrojada. Para minimizar o efeito indesejado da radiação, a solução encontrada pelos especialistas envolveu a combinação de faces com inclinações exatas e diferentes tipos de vidros refletivos de alto desempenho fixados em caixilhos de alumínio.

O que esses cases ensinam sobre a aplicação da sustentabilidade na Construção Civil

Os exemplos apresentados demonstram que a sustentabilidade na Construção Civil não é apenas um conceito teórico, mas uma realidade já aplicada em projetos de diferentes portes e finalidades no Brasil. A adoção de estratégias como geração de energia própria, reúso de água, uso de materiais certificados e planejamento voltado à eficiência energética comprova que é possível reduzir impactos ambientais sem comprometer a funcionalidade, o conforto ou a viabilidade econômica dos empreendimentos.

Além de contribuir para a preservação ambiental, construções sustentáveis também oferecem benefícios operacionais e financeiros relevantes, como a redução de custos ao longo do ciclo de vida do edifício, valorização do ativo imobiliário e maior alinhamento às exigências regulatórias e de mercado.

Nesse contexto, conhecer casos reais é fundamental para compreender como aplicar esses princípios na prática. Esses projetos funcionam como referência para orientar decisões mais conscientes desde o projeto até a execução, apoiando construtoras e incorporadoras na transição para modelos construtivos mais eficientes, resilientes e responsáveis.

Ao integrar a sustentabilidade ao planejamento e à gestão das obras, as empresas não apenas reduzem impactos ambientais, mas também aumentam sua competitividade, fortalecem sua reputação e preparam seus empreendimentos para um mercado cada vez mais exigente e orientado à eficiência e ao desempenho ambiental.

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