• O memorial descritivo é um documento obrigatório pela Lei 4.591/64 e deve ser elaborado antes do lançamento de um empreendimento.
  • Elaborar o memorial descritivo é importante para as vendas, transparência aos clientes e proteção contra ações de má-fé na justiça.
  • Existem diferentes tipos de memoriais descritivos para cada tipo de obra, como residencial, comercial, execução de piscina, entre outros.

O memorial descritivo de obra é um documento técnico fundamental na Construção Civil, responsável por traduzir projetos e decisões técnicas em informações claras, organizadas e aplicáveis à execução. Ele orienta a definição de materiais, sistemas construtivos, critérios de desempenho, métodos de execução e responsabilidades ao longo do empreendimento.

Apesar dessa função estratégica, ainda é comum encontrar memoriais descritivos genéricos, copiados de outros projetos ou desalinhados com projetos, orçamento e normas técnicas. Esse tipo de inconsistência pode gerar interpretações divergentes na obra, que acabam resultando em falhas de comunicação entre equipes e até mesmo riscos contratuais.

Por isso, entender melhor esse documento é fundamental para aproveitar as vantagens que ele traz. Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é exatamente o memorial descritivo de obra, para que ele serve, quando é exigido, como estruturar corretamente e quais erros devem ser evitados na sua elaboração.

Vamos lá? 

O que é memorial descritivo de obra

O memorial descritivo de obra é um documento técnico, público e obrigatório, previsto na Lei nº 4.591/64, que deve ser elaborado antes do lançamento de um empreendimento. 

Ele descreve de forma detalhada e aprofundada todos os elementos do projeto, incluindo sistemas construtivos, materiais, acabamentos, critérios técnicos e métodos de execução previstos para a obra.

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Na prática, o memorial descritivo funciona como a tradução técnica do empreendimento. Enquanto os projetos apresentam soluções gráficas e dimensionais, o memorial explica como essas soluções serão executadas, com quais materiais, seguindo quais normas técnicas e quais níveis de desempenho devem ser atendidos.

É importante diferenciar o memorial descritivo, enquanto documento técnico, de outros textos descritivos genéricos ou comerciais.

O memorial exige muito mais precisão técnica, coerência com os projetos e alinhamento com o orçamento, servindo como referência para equipes internas, fornecedores, órgãos públicos e clientes.

Dentro do ciclo do empreendimento, este documento está presente desde a fase de concepção e aprovação legal, passando por vendas, planejamento e execução da obra, até a entrega final.

Por isso, para muitas construtoras e incorporadoras, o desafio está em elaborar um documento completo, com informações realmente relevantes, e mantê-lo atualizado ao longo da execução. Quando esse cuidado não existe, o memorial perde força como instrumento técnico e de gestão.

Importância do memorial descritivo em uma obra

A importância do memorial descritivo de obra está diretamente ligada à sua aplicação prática no dia a dia da obra. Ele orienta equipes técnicas, engenheiros, mestres de obras e fornecedores sobre como cada etapa deve ser executada, reduzindo interpretações subjetivas e dúvidas durante a execução.

O memorial descritivo também estabelece uma relação direta com os projetos. Tudo o que está especificado no documento precisa refletir fielmente as soluções projetadas, detalhando materiais, sistemas construtivos, métodos executivos e critérios técnicos que nem sempre estão explícitos nos desenhos.

Do ponto de vista do orçamento, ele funciona como base para composições de custos, medições e compras. É a partir das especificações técnicas definidas no documento que são estabelecidos quantitativos, escolha de insumos e contratação de serviços.

Assim, durante a execução e até a entrega, o memorial descritivo serve como referência para fiscalização, controle de qualidade e verificação do que foi efetivamente executado. Por conter todas as informações necessárias, é fundamental para garantir entregas alinhadas ao que foi prometido.

Para que serve o memorial descritivo na Construção Civil

O memorial descritivo de obra serve como um documento técnico de referência que organiza e formaliza as decisões construtivas de um empreendimento. 

Nele deve constar toda a definição de sistemas construtivos, materiais, métodos de execução, critérios de desempenho e normas técnicas aplicáveis, permitindo que todos os envolvidos trabalhem com o mesmo entendimento técnico sobre a obra.

Além disso, o memorial descritivo também reúne contratos de prestação de serviços, venda de unidades e contratação de fornecedores, evitando interpretações equivocadas e servindo como base para análise de conformidade entre o previsto e o executado.

Na dimensão legal, o memorial descritivo atende às exigências normativas e legais, sendo utilizado em aprovações junto a órgãos públicos, financiamentos, registros e averbações. Ele também contribui para a rastreabilidade técnica das soluções adotadas, associando responsabilidades a profissionais habilitados.

Ou seja, o memorial descritivo organiza todas as informações essenciais para o planejamento e a execução da obra, apoia a compatibilização entre projetos, orçamento e cronograma, orienta compras e contratações e facilita a comunicação técnica entre todos os envolvidos.

Memorial descritivo como instrumento de alinhamento técnico

O memorial pode ser considerado um instrumento de alinhamento técnico, pois reduz ruídos causados por informações dispersas entre projetos, planilhas e comunicações informais.

Ao consolidar as especificações técnicas em um único documento, ele estabelece um padrão de entendimento sobre como cada sistema deve ser executado.

Esse alinhamento é fundamental para que projetistas e equipe de obra trabalhem com as mesmas premissas técnicas. O memorial detalha critérios de desempenho, tolerâncias, métodos executivos e referências normativas, evitando decisões improvisadas no canteiro de obras.

Memorial descritivo e normas técnicas: o que diz a ABNT

As normas técnicas da ABNT estabelecem critérios mínimos de desempenho, segurança, durabilidade e qualidade desde a concepção até a entrega da edificação.

Nesse contexto, o memorial descritivo é o documento responsável por registrar como esses requisitos normativos serão atendidos na obra.

Sua importância normativa está em formalizar as escolhas técnicas do empreendimento. Materiais, sistemas construtivos, métodos de execução e parâmetros de desempenho precisam estar descritos de forma coerente com as normas aplicáveis.

Entre as normas mais relevantes está a ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho), que define requisitos mínimos para edificações habitacionais. O memorial é o local onde esses requisitos são traduzidos em soluções técnicas concretas.

Como a NBR 15575 impacta o memorial descritivo

A NBR 15575 impacta diretamente a estrutura e o nível de detalhamento do memorial descritivo. A norma exige informações sobre o desempenho mínimo dos sistemas da edificação, como estrutura, vedações, coberturas, pisos e instalações.

Ela também exige a indicação de vida útil, considerando uso, manutenção e desempenho ao longo do tempo, o que demanda maior precisão técnica.

Além disso, reforça a responsabilidade técnica dos profissionais, fazendo do memorial um registro técnico das decisões do projeto, essencial para auditorias, vistorias e gestão de riscos técnicos e legais.

Tipos de memorial descritivo mais comuns

O memorial descritivo pode assumir diferentes formatos, conforme o tipo de obra, intervenção ou exigência legal. A seguir, estão os tipos mais comuns utilizados na Construção Civil:

  • Memorial descritivo residencial: utilizado em obras habitacionais, com detalhamento de sistemas construtivos, materiais e padrões de acabamento.
  • Memorial descritivo comercial: aplicado a edificações comerciais e corporativas, com especificações técnicas compatíveis com o uso e normas vigentes.
  • Memorial descritivo de desmembramento: descreve a divisão de um lote em áreas menores, com dados técnicos e urbanísticos.
  • Memorial descritivo de unificação: registra a junção de dois ou mais lotes em uma única matrícula.
  • Memorial descritivo de demolição: especifica métodos e cuidados técnicos para a demolição de edificações.
  • Memorial descritivo para execução de piscina: detalha soluções estruturais, hidráulicas e de impermeabilização.
  • Memorial descritivo de tanque séptico e fossa: utilizado para descrever sistemas de saneamento e suas especificações técnicas.
  • Memorial descritivo para usucapião: empregado na descrição técnica do imóvel em processos de regularização fundiária.

Como você vê, cada tipo de memorial descritivo atende a uma finalidade específica dentro do empreendimento e deve ser elaborado conforme o uso da edificação, o tipo de intervenção e as exigências legais envolvidas. 

Independentemente do modelo, o documento precisa manter o mesmo alinhamento com projetos, normas técnicas e legislação vigente, servindo como referência técnica para aprovação, execução e controle da obra.

Quem faz o memorial descritivo e quando ele é exigido

O memorial descritivo de obra deve ser elaborado por um profissional legalmente habilitado, como engenheiro civil ou arquiteto, com registro ativo no respectivo conselho profissional. Esse profissional assume a responsabilidade técnica pelas informações contidas no documento, de modo que as especificações estejam em conformidade com os projetos, normas técnicas e legislação aplicável.

A exigência do memorial descritivo ocorre em diferentes etapas do empreendimento. Ele é solicitado em processos de aprovação legal junto a prefeituras e órgãos reguladores, pois detalha tecnicamente o que será executado; e também é comum em contratos firmados entre construtoras, incorporadoras, clientes e prestadores de serviço, funcionando como referência técnica para o escopo contratado.

Em operações de financiamento imobiliário, o memorial descritivo é utilizado por agentes financeiros para análise técnica do empreendimento, ajudando a verificar compatibilidade entre projeto, orçamento e padrão construtivo. 

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Por último, o documento também é exigido em processos de averbação da construção, regularização do imóvel e, ao final da obra, na fase de entrega, quando serve como base para conferência do que foi executado em relação ao que foi previsto.

Quanto custa um memorial descritivo (e o que influencia esse valor)

O custo de um memorial descritivo de obra pode variar conforme a complexidade do empreendimento e o nível de detalhamento exigido, mas geralmente gira em torno de 15% do custo total do projeto. 

No entanto, esse valor pode variar consideravelmente dependendo de fatores como porte da obra, tipo de edificação, número de sistemas construtivos envolvidos e necessidade de atendimento a normas específicas.

Além disso, também podem impactar no custo o grau de integração com projetos complementares, a necessidade de revisões ao longo da obra e o tempo dedicado pelo profissional responsável. 

Memoriais mais completos, alinhados a projetos executivos e ao orçamento, tendem a exigir maior esforço técnico, refletindo no investimento necessário para sua elaboração.

Como fazer um memorial descritivo de obra corretamente?

Fazer um memorial descritivo de obra corretamente começa pela compreensão do papel que esse documento desempenha dentro do empreendimento. Ele não é um anexo burocrático nem um texto padronizado, e sim o registro técnico que consolida as decisões de projeto e orienta a execução. 

Por isso, sua elaboração exige método, critério técnico e total alinhamento com os demais documentos da obra.

A estrutura do memorial precisa permitir leitura fluida e consulta prática. O documento deve apresentar inicialmente a caracterização do empreendimento e, na sequência, detalhar os sistemas construtivos de forma organizada, seguindo uma lógica semelhante à da execução da obra. Essa organização facilita o entendimento técnico e evita informações dispersas ou contraditórias.

A linguagem adotada deve ser técnica, objetiva e precisa, evitando termos genéricos, expressões subjetivas ou descrições de caráter comercial. Cada item descrito precisa deixar claro o que será executado, como será executado e quais critérios técnicos devem ser atendidos. 

Essa padronização da terminologia ao longo do documento contribui para que projetistas, orçamentistas e equipe de obra trabalhem com o mesmo entendimento.

A coerência com projetos e orçamento é um ponto sensível. Tudo o que está descrito no memorial deve estar representado nos projetos e previsto no orçamento. Quando esse alinhamento não existe, surgem dúvidas na obra, ajustes improvisados e impactos diretos em custos e prazos. 

Principais itens que não podem faltar no memorial descritivo

Para que o memorial descritivo de obra cumpra, portanto, a sua função técnica, alguns elementos precisam estar claramente definidos e organizados no documento, como:

  • Sistemas construtivos: descrição técnica dos sistemas que compõem a edificação, como estrutura, fundações, vedações, coberturas, pisos, revestimentos e instalações, considerando interfaces entre projetos e condições de execução.
  • Materiais e especificações: detalhamento dos materiais previstos, com indicação de padrões de qualidade, classes, dimensões, acabamentos e características técnicas relevantes, evitando termos genéricos ou subjetivos.
  • Normas técnicas aplicáveis: referência às normas da ABNT e demais normas técnicas que orientam o projeto e a execução, deixando claro quais requisitos devem ser atendidos em cada sistema construtivo.
  • Critérios de execução e desempenho: definição dos métodos construtivos, condições de aplicação, tolerâncias admissíveis e níveis mínimos de desempenho esperados, apoiando o controle técnico e a verificação da conformidade da obra.

Quando esses itens estão bem definidos no memorial descritivo, o documento estará completo, consolidando as decisões técnicas do empreendimento em um único registro. 

Erros comuns na elaboração do memorial descritivo

Alguns erros na elaboração do memorial descritivo de obra se repetem com frequência e comprometem a qualidade técnica do documento. São eles:

Uso de modelos genéricos sem adaptação ao projeto

A reprodução de modelos prontos, sem ajuste às características específicas do empreendimento, é uma das falhas mais frequentes. Essa prática leva à inclusão de sistemas, materiais e critérios técnicos que não correspondem ao projeto, comprometendo a coerência do documento e dificultando sua aplicação na obra.

Desalinhamento com projetos e orçamento

Quando o memorial descritivo não é desenvolvido de forma integrada aos projetos arquitetônicos, estruturais e complementares, surgem inconsistências nas especificações e nos padrões construtivos. A falta de compatibilidade com o orçamento também interfere em medições, compras e planejamento da execução.

Falta de atualização e controle de versões

Alterações de projeto e decisões técnicas tomadas ao longo do empreendimento nem sempre são refletidas no memorial descritivo. Sem atualização contínua e controle de versões, o documento perde rastreabilidade e passa a gerar incertezas sobre quais especificações devem ser seguidas.

Linguagem vaga ou ambígua

Descrições genéricas, termos subjetivos e ausência de critérios técnicos claros permitem múltiplas interpretações. Esse tipo de linguagem compromete a padronização da execução e dificulta a fiscalização, reforçando a necessidade de um texto técnico objetivo e preciso.

Como a tecnologia ajuda a organizar e manter o memorial descritivo

Se você chegou até aqui, já deve ter ficado claro que a gestão do memorial descritivo ao longo do empreendimento exige organização, controle e consistência das informações técnicas. Quando esse processo ocorre de forma descentralizada, com arquivos soltos e versões paralelas, surgem divergências entre o que está documentado, orçado e executado. 

A boa notícia é que hoje em dia, você pode contar com a tecnologia a seu favor para uma boa estruturação desse fluxo, organizando o documento dentro de um sistema integrado de gestão.

Estruturas previamente definidas permitem organizar o memorial descritivo de forma consistente, mantendo critérios técnicos claros e facilitando a adaptação do conteúdo às particularidades de cada obra. Essa padronização reduz variações desnecessárias, por exemplo, e melhora a leitura técnica do documento.

Além disso, ferramentas digitais permitem um maior controle de versionamento e o registro do histórico de alterações para acompanhar revisões de projeto, ajustes de escopo e decisões técnicas tomadas ao longo da obra. Cada modificação pode ser registrada de forma rastreável, evitando o uso de versões desatualizadas no canteiro e apoiando processos de conferência, fiscalização e análise técnica.

Com isso, você consegue uma integração maior entre memorial descritivo, orçamento, projetos e execução. Com os documentos conectados, as especificações técnicas passam a dialogar diretamente com quantitativos, custos e planejamento da obra, facilitando a compatibilização e reduzindo as inconsistências entre áreas.

Um ótimo exemplo de ferramenta nesse contexto é o Sienge Plataforma. Em um só lugar, ele realiza a centralização dos documentos técnicos, o controle de versões e a integração entre memorial descritivo, orçamento, projetos e obra, de modo que você consiga facilmente acompanhar a evolução do empreendimento de forma organizada e tecnicamente consistente.

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