• A Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) é uma ferramenta importante para manter o equilíbrio financeiro de empresas na Construção Civil
  • A previsão do Sinduscon-SP é de crescimento de 2% no PIB do setor em 2019, após cinco anos de quedas
  • A DRE é essencial para análise da lucratividade, feita com base no Regime de Competência, e deve ser combinada com outros documentos para uma análise completa da empresa.

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é o relatório contábil que mostra como uma empresa chegou ao seu resultado líquido em determinado período: quais foram as receitas, quais foram os custos e despesas, e qual foi o lucro ou prejuízo gerado após todos os abatimentos.

Para construtoras e incorporadoras, a DRE é especialmente relevante porque o setor opera com ciclos longos, margens sensíveis a variações de custo e receitas distribuídas ao longo de meses ou anos. Sem acompanhar esse demonstrativo de forma regular, o gestor financeiro não tem base para identificar se os empreendimentos estão gerando resultado dentro do esperado ou se há desvios que precisam de intervenção.

Este conteúdo explica o que é a DRE, quais são os itens obrigatórios por lei, como elaborá-la passo a passo e como usá-la como ferramenta de gestão na construtora.

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O que é a DRE?

A DRE é um demonstrativo contábil que apresenta, de forma estruturada, todas as receitas, custos, despesas e resultados de uma empresa em um período determinado. Seu objetivo final é evidenciar o lucro líquido ou prejuízo líquido do exercício, percorrendo cada etapa de formação desse resultado.

Na construção civil, a DRE cumpre duas funções simultâneas. Como documento legal, é exigida pela Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) e precisa seguir uma estrutura específica definida em lei. Como instrumento gerencial, ela permite que o gestor leia a situação financeira do negócio com precisão, identifique onde estão as margens sendo comprimidas e tome decisões baseadas em dados concretos.

A elaboração anual da DRE é obrigação legal, mas a prática mais eficaz para gestão é elaborá-la mensalmente para fins administrativos e trimestralmente para fins fiscais. A frequência mensal permite identificar desvios no momento em que ainda são corrigíveis.

DRE x fluxo de caixa x balanço patrimonial

A DRE faz parte de um conjunto de três instrumentos financeiros que se complementam. Usados isoladamente, cada um deles oferece uma visão parcial da saúde financeira da empresa. Combinados, fornecem um diagnóstico completo.

  • Fluxo de caixa: registra o movimento efetivo de entrada e saída de recursos no período. Mostra se a empresa tem liquidez para honrar seus compromissos no curto prazo, mas não indica se está sendo lucrativa.
  • Balanço patrimonial: apresenta os ativos, os passivos e o patrimônio líquido da empresa em uma data específica. O patrimônio líquido é calculado pela diferença entre ativo total e passivo total e representa o valor contábil da empresa para seus sócios ou acionistas.
  • DRE: mostra como o resultado líquido foi formado ao longo do período, confrontando receitas com custos e despesas. Indica se a empresa é lucrativa, mas não informa sobre a posição de caixa no momento.

Os três documentos precisam ser analisados em conjunto. Uma construtora pode apresentar lucro na DRE e ainda assim ter problemas de fluxo de caixa, situação comum em empreendimentos com recebíveis parcelados e desembolsos concentrados na fase de construção.

Regime de competência x regime de caixa

A DRE é elaborada com base no regime de competência, não no regime de caixa. Entender essa diferença é essencial para interpretar corretamente os números do demonstrativo.

  • Regime de competência: os eventos são registrados na data em que ocorrem, independentemente de quando o pagamento ou recebimento acontece. Uma venda realizada em março é registrada em março, mesmo que o recebimento ocorra em parcelas ao longo dos meses seguintes.
  • Regime de caixa: os eventos são registrados apenas na data do efetivo pagamento ou recebimento. A mesma venda de março só seria registrada nos meses em que as parcelas fossem efetivamente recebidas.

Na prática, para uma construtora que vendeu unidades com recebimento parcelado em seis meses, o regime de competência registra a receita total no mês da venda. O regime de caixa registra apenas a parcela recebida em cada mês. Essa diferença explica por que o resultado da DRE e o saldo do fluxo de caixa raramente coincidem no mesmo período.

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Os 7 itens obrigatórios da DRE

A Lei nº 6.404/1976 define os itens que precisam estar discriminados na DRE de todas as sociedades por ações. Para construtoras e incorporadoras organizadas sob outras formas societárias, a mesma estrutura serve como referência de boas práticas contábeis.

1. Receita bruta das vendas e serviços, deduções, abatimentos e impostos A receita bruta é o total faturado no período. Dela são subtraídas as devoluções, os abatimentos concedidos, os descontos comerciais e os impostos incidentes sobre a receita.

2. Receita líquida, custo das mercadorias ou serviços e lucro bruto Da receita líquida deduz-se o custo dos serviços prestados ou das unidades vendidas, chegando ao lucro bruto. Na construção civil, o custo dos serviços inclui materiais, mão de obra direta e custos de canteiro.

3. Despesas com vendas, despesas financeiras e despesas gerais e administrativas Todas as despesas operacionais do período são listadas neste item: equipe comercial, juros sobre financiamentos, custos de escritório central, honorários de gestão e outras despesas que não se vinculam diretamente à execução das obras.

4. Lucro ou prejuízo operacional, outras receitas e outras despesas O resultado operacional é obtido subtraindo as despesas do lucro bruto. Outras receitas e despesas não operacionais, como ganhos ou perdas em aplicações financeiras ou venda de ativos, são registradas separadamente.

5. Resultado antes do Imposto de Renda e provisão para o imposto Antes de calcular o resultado líquido, a DRE apresenta o resultado antes da tributação e registra a provisão para o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

6. Participações de debenturistas, empregados, administradores e partes beneficiárias Participações nos resultados previstas em contrato ou por obrigação legal são deduzidas neste item antes do cálculo do resultado final.

7. Lucro ou prejuízo líquido do exercício e montante por ação O resultado líquido é o valor final após todas as deduções. Para sociedades por ações, a DRE também informa o lucro ou prejuízo por ação do capital social.

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Como elaborar a DRE: passo a passo

A estrutura resumida da DRE segue quatro etapas sequenciais, cada uma apurando um resultado intermediário que serve de base para a próxima.

Receita Bruta
(-) Deduções e abatimentos
(=) Receita Líquida

(-) Custo dos serviços prestados / mercadorias vendidas
(=) Lucro Bruto

(-) Despesas com vendas
(-) Despesas administrativas
(-) Despesas financeiras
(=) Resultado antes do IRPJ e CSLL

(-) Provisões de IRPJ e CSLL
(=) Resultado Líquido

Passo 1: apurar a receita líquida Parta da receita bruta total do período e subtraia as devoluções, abatimentos, descontos comerciais concedidos e os impostos incidentes sobre a receita. O resultado é a receita líquida, que representa o valor efetivamente retido pela empresa após os abatimentos obrigatórios.

Passo 2: apurar o lucro bruto Da receita líquida, subtraia o custo dos serviços prestados ou das unidades entregues no período. O resultado é o lucro bruto, que indica a margem gerada antes das despesas operacionais.

Passo 3: apurar o resultado operacional Do lucro bruto, subtraia todas as despesas operacionais: despesas comerciais, administrativas e financeiras. Adicione eventuais receitas operacionais. O resultado é o lucro ou prejuízo operacional líquido, antes da tributação.

Passo 4: apurar o resultado líquido Do resultado operacional, deduza as provisões de Imposto de Renda e CSLL e as participações previstas em lei ou contrato. O resultado final é o Lucro Líquido do Exercício, o objetivo final de toda DRE.

Como usar a DRE na gestão da construtora?

A DRE não deve ser tratada apenas como uma obrigação contábil. Ela é um instrumento de leitura financeira do negócio que, quando analisado com regularidade, permite identificar problemas antes que se tornem críticos.

Análise horizontal

Na análise horizontal, as linhas da DRE são comparadas ao longo do tempo: receitas e despesas do trimestre atual em relação ao mesmo período do ano anterior, por exemplo. Essa comparação revela tendências, como crescimento de despesas acima da receita ou queda de margem bruta ao longo dos trimestres, que não seriam visíveis em uma análise pontual.

Análise vertical

Na análise vertical, cada linha da DRE é expressa como percentual de outra linha de referência, geralmente a receita líquida. Isso permite entender o peso relativo de cada custo ou despesa no resultado total. Um custo de serviço que representa 70% da receita líquida em um trimestre e 80% no seguinte é um sinal de alerta que a análise vertical torna imediato.

A combinação das duas análises fornece a base para decisões de planejamento: onde reduzir custos, onde há espaço para crescimento de receita e quais linhas de despesa estão fugindo do padrão histórico da empresa.

Para que a DRE seja útil como ferramenta gerencial, os dados que a alimentam precisam estar organizados e atualizados. Construtoras que mantêm o controle financeiro dos empreendimentos em planilhas separadas enfrentam dificuldade em consolidar a DRE com precisão e no tempo necessário para que as análises sejam acionáveis.

Sienge Plataforma: DRE integrada à gestão financeira da obra

O Sienge Plataforma centraliza o controle financeiro dos empreendimentos e gera a DRE com os dados já organizados no sistema, eliminando a consolidação manual entre planilhas e reduzindo o risco de inconsistências no fechamento. Com o histórico de receitas, custos e despesas registrado por obra, as análises horizontal e vertical ficam disponíveis sem necessidade de retrabalho de extração de dados.

Se você quer tornar a DRE um instrumento de gestão efetivo na sua construtora, e não apenas um relatório de fechamento contábil, conheça o Sienge Plataforma e solicite uma demonstração gratuita.

Perguntas frequentes sobre DRE na construção civil

O que é a DRE?

É a Demonstração do Resultado do Exercício, um relatório contábil que apresenta as receitas, custos e despesas de uma empresa em determinado período e evidencia a formação do resultado líquido, lucro ou prejuízo, ao final do processo.

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

O fluxo de caixa registra as entradas e saídas efetivas de recursos no período e indica a posição de liquidez da empresa. A DRE registra receitas e despesas pelo regime de competência, independentemente do momento do pagamento ou recebimento, e indica a lucratividade da empresa no período.

Com que frequência a DRE deve ser elaborada?

Legalmente, a DRE é exigida anualmente. Para fins gerenciais, a melhor prática é elaborá-la mensalmente, o que permite identificar desvios com antecedência suficiente para intervenção. A elaboração trimestral atende aos fins fiscais.

Quais são os itens obrigatórios da DRE?

A Lei nº 6.404/1976 define sete itens obrigatórios: receita bruta e deduções; receita líquida e lucro bruto; despesas operacionais; resultado operacional; resultado antes do imposto de renda; participações; e lucro ou prejuízo líquido do exercício.

Qual a diferença entre regime de competência e regime de caixa na DRE?

No regime de competência, usado na DRE, os eventos são registrados na data em que ocorrem, independentemente do pagamento. No regime de caixa, os eventos são registrados apenas na data do efetivo pagamento ou recebimento. Uma venda parcelada é registrada integralmente no mês da venda pelo regime de competência e mês a mês pelo regime de caixa.

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Assuntos: Contabilidade na Construção Civil Plataforma
Giovani Amaral do Sienge
Giovani Amaral do Sienge

Giovani Amaral é executivo formado em administração com MBA em administração global, tendo como principal característica o empreendedorismo e intraempreendedorismo. Apaixonado por pessoas e por desafios, atua há mais de 35 anos no segmento de TI, com passagens por grandes empresas nacionais de tecnologia. Sua expertise contribui para o fortalecimento da proposta de negócio do Ecossistema Sienge focada na integração de toda a cadeia da construção, com o objetivo de potencializar resultados para construtoras e incorporadoras, garantindo maior previsibilidade e eficiência operacional. Atualmente, é Diretor de Operações do Ecossistema Sienge.