- O mercado imobiliário no Rio Grande do Sul em 2025 está marcado por mudanças estruturais, impacto de eventos climáticos, seletividade de oferta e variações no desempenho por padrão de imóvel.
- Porto Alegre e Região Metropolitana registraram quedas próximas de 50% nos lançamentos no primeiro semestre de 2025.
- Canoas, Passo Fundo e Rio Grande são cidades promissoras para lançamentos em diferentes faixas de preço no Rio Grande do Sul.
Entender o comportamento do mercado imobiliário Porto Alegre e do mercado imobiliário no Rio Grande do Sul é decisivo para gestores de construtoras e incorporadoras que buscam direcionar portfólios, avaliar riscos e identificar regiões com maior capacidade de absorção em 2025.
O estado vive um ciclo marcado por mudanças estruturais, impacto de eventos climáticos, seletividade de oferta e variações importantes no desempenho por padrão de imóvel.
Neste artigo reunimos dados atualizados de 2025 com uma leitura segmentada por faixas — econômico, médio e alto padrão — além de análises regionais que mostram onde a demanda está mais firme, quais cidades apresentam melhor ritmo de vendas e como Porto Alegre se posiciona dentro do cenário estadual.
O objetivo é oferecer uma visão clara, prática e orientada para decisões estratégicas no mercado imobiliário gaúcho. Boa leitura.
Índice
Como está o mercado imobiliário do Rio Grande do Sul em 2025
O mercado imobiliário no Rio Grande do Sul atravessa 2025 em um ciclo marcado por contrastes importantes. O estado mantém uma demanda ativa em diversas regiões, mas enfrenta uma queda expressiva nos lançamentos, influenciada pelos impactos das enchentes de 2024, pela cautela de incorporadoras e por um ambiente macroeconômico ainda pressionado pelos juros.
Mesmo diante desse cenário, o volume financeiro movimentado segue robusto. As vendas se mantiveram relativamente estáveis no primeiro semestre, com retração bem menor que a observada nos lançamentos, e o VGV atingiu cerca de R$ 3,5 bilhões no período, conforme dados apresentados no webinar Perspectivas para o Mercado Imobiliário no Rio Grande do Sul, conduzido pela Brain Inteligência Estratégica.
O comportamento dos lançamentos, por outro lado, mostra uma inflexão importante. Porto Alegre e Região Metropolitana registraram quedas próximas de 50% no primeiro semestre, enquanto Caxias do Sul praticamente não teve novos empreendimentos verticais no período.
Pelotas e Passo Fundo destoaram do padrão estadual, mantendo melhor desempenho e demonstrando maturidade de mercado. Esse movimento de retração reduz a reposição de estoque e abre espaço para uma possível pressão de oferta nos próximos trimestres, especialmente se a demanda continuar respondendo de forma positiva.
No contexto macroeconômico, o estado iniciou 2025 com sinais de recuperação: o PIB gaúcho cresceu 1,3% no primeiro trimestre, impulsionado principalmente pelos setores de serviços e Construção Civil, o que contribui para manter o mercado imobiliário ativo mesmo diante das adversidades.
Quanto aos fatores que impulsionam ou freiam o setor:
- Impulsionadores: o desejo de mudança de quase metade dos moradores de aluguel no estado, a melhora gradual do crédito imobiliário para empresas, o avanço do programa Minha Casa Minha Vida e a valorização observada em bairros menos afetados pelas enchentes. A busca por segurança, infraestrutura e localização estratégica ampliou o interesse por unidades já consolidadas, e a queda dos lançamentos fortaleceu a liquidez dos empreendimentos disponíveis.
- Restrições: o patamar elevado das taxas de juros, o recuo significativo dos lançamentos no primeiro semestre, a lentidão nos processos de licenciamento em diversas cidades e os efeitos das enchentes, que reordenaram a percepção de risco e impactaram principalmente Porto Alegre e a Região Metropolitana.
Para gestores de construtoras e incorporadoras, o cenário aponta que o mercado imobiliário no Rio Grande do Sul vive uma fase de demanda consistente e oferta limitada, com forte seletividade por localização e tipologia.
As cidades mais promissoras do Rio Grande do Sul para lançar em 2025
A análise do mercado imobiliário no Rio Grande do Sul em 2025 mostra um estado com polos que apresentam comportamentos muito distintos entre si, o que reforça a necessidade de uma leitura segmentada por padrão de produto. Os dados do IDI Brasil indicam que municípios como Canoas, Passo Fundo e Rio Grande se destacam em diferentes faixas de preço, cada um impulsionado por fatores como infraestrutura urbana, capacidade de absorção, dinâmica econômica e evolução demográfica.
Para incorporadoras, compreender as cidades mais atrativas em cada padrão — econômico, médio e alto padrão — é essencial para ajustar portfólio, calibrar o mix de tipologias e direcionar investimentos para regiões com maior potencial de vendas.
Padrão econômico (R$ 115.160 a R$ 575.751)
- Canoas – 31º lugar no Brasil (atratividade média): Canoas se posiciona como uma das cidades mais fortes do Rio Grande do Sul no padrão econômico. O município combina densidade populacional elevada, boa oferta de serviços, presença industrial consolidada e conexões rápidas com Porto Alegre. Esses fatores sustentam a demanda por unidades compactas e de entrada, além de manter ritmo consistente de lançamentos voltados ao Minha Casa Minha Vida.
- Passo Fundo – 49º lugar no Brasil (atratividade média): Passo Fundo apresenta dinamismo econômico ligado aos setores educacional, médico-hospitalar e de serviços, o que atrai migração regional e garante fluxo contínuo de novas famílias. O mercado econômico encontra boa absorção na cidade, favorecido pelo custo de terra competitivo e pela exigência crescente por moradias acessíveis em áreas bem estruturadas.
- Rio Grande – 56º lugar no Brasil (atratividade média): Rio Grande se destaca no padrão econômico principalmente pela movimentação do porto e do setor industrial, que gera entrada constante de trabalhadores. A cidade mantém demanda sólida por moradias de entrada e apresenta bons indicadores de liquidez, especialmente em bairros próximos aos corredores logísticos e áreas com oferta de serviços essenciais.
Médio padrão (R$ 575.752 a R$ 811.479)
- Passo Fundo – 57º lugar no Brasil (atratividade baixa): No médio padrão, Passo Fundo mantém papel relevante, ainda que com atratividade menor. A cidade possui crescente verticalização e um mercado maduro para unidades de 2 e 3 dormitórios, impulsionado pela expansão universitária e pela concentração de serviços especializados. A demanda é estável e favorece empreendimentos bem localizados, com foco em praticidade e mobilidade.
- Canoas – 60º lugar no Brasil (atratividade baixa): Canoas apresenta procura consistente por tipologias de médio padrão, especialmente em regiões que passaram por recentes melhorias urbanas. A proximidade com Porto Alegre e o desenvolvimento do eixo metropolitano contribuem para ampliar o interesse por empreendimentos familiares com melhor padrão de acabamento e áreas de convivência.
- Rio Grande – 65º lugar no Brasil (atratividade baixa): No médio padrão, Rio Grande mostra demanda mais seletiva. A busca se concentra em compradores ligados ao setor industrial e a profissionais que procuram maior qualidade de vida sem migrar para cidades maiores. A atratividade baixa reflete desafios locais, mas ainda há nichos estáveis em regiões consolidadas.
Alto padrão (acima de R$ 811.480)
- Passo Fundo – 52º lugar no Brasil (atratividade média): Passo Fundo se destaca como o principal polo do interior gaúcho para projetos de alto padrão. A cidade vive um ciclo de valorização associado ao fortalecimento do setor médico-hospitalar, à presença de universidades e à expansão de bairros planejados. O público local busca unidades amplas, condomínios fechados e empreendimentos verticais com infraestrutura completa.
- Canoas – 55º lugar no Brasil (atratividade baixa): Canoas apresenta nichos relevantes no alto padrão, especialmente voltados para compradores que trabalham em Porto Alegre, mas preferem áreas com custos menores e boa infraestrutura. A demanda se concentra em regiões específicas, onde condomínios e empreendimentos verticais com proposta premium encontram absorção consistente.
- Rio Grande – 65º lugar no Brasil (atratividade baixa): No alto padrão, Rio Grande possui atração mais limitada, porém com espaços estratégicos ligados a profissionais de alta renda do setor portuário, universitário e industrial. Empreendimentos com diferenciais arquitetônicos ou localização premium mantêm liquidez moderada e atendem a um público específico, mas estável.
Como está o mercado imobiliário de Porto Alegre em 2025
O mercado imobiliário em Porto Alegre seguiu uma trajetória de resiliência e adaptação em 2025, mesmo diante de desafios macroeconômicos e eventos climáticos que marcaram a capital nos últimos anos.
A cidade, principal polo urbano e econômico do Rio Grande do Sul, registrou crescimento nas vendas de imóveis novos e um cenário de valorização gradual, o que reforça sua importância estratégica para incorporadoras que buscam operações com boas perspectivas de absorção e retorno financeiro em 2025.
Segundo a Pesquisa Panorama Imobiliário de Porto Alegre, elaborada pelo Sinduscon-RS em parceria com a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a plataforma Órulo, o total de unidades novas vendidas no 1º semestre de 2025 cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com 2.234 unidades comercializadas contra 2.069 em 2024.
O Valor Geral de Vendas (VGV) também teve alta, nesse caso de 10%, alcançando cerca de R$ 2,3 bilhões no período comparado. Esses indicadores mostram que a capital gaúcha mantém dinamismo, apesar de uma redução nos lançamentos imobiliários no mesmo intervalo.
Esse desempenho acontece em meio a um contexto de menor oferta em relação à procura: a quantidade de lançamentos no 1º semestre de 2025 representou uma queda aproximada de 6% em unidades, reforçando que Porto Alegre vive um ambiente em que a velocidade de vendas supera o ritmo de chegada de novos produtos ao mercado, pressionando o estoque disponível e contribuindo para a valorização.
Os bairros mais valorizados de Porto Alegre em 2025
A dinâmica de valorização no mercado imobiliário da capital gaúcha também se refletiu nas áreas com maior incremento de preços no primeiro semestre. De acordo com uma pesquisa realizada pela Loft, os bairros mais valorizados este ano foram:
- Chácara das Pedras liderou a lista de bairros mais valorizados, com alta expressiva de 84% no preço médio dos imóveis, atingindo valores médios elevados na comparação entre janeiro e julho de 2025.
- Cristal e Partenon também registraram variações positivas de 41% e 34%, respectivamente, refletindo forte demanda por regiões com boa infraestrutura e apelo residencial consolidado.
- Outros bairros que se destacaram em valorização foram Santana (+25%), Tristeza (+24%) e Nonoai (+22%), apontando que tanto áreas tradicionais quanto aquelas em transformação urbana têm contado com interesse crescente de compradores em 2025.
Essas variações de preço mostram que, apesar de Porto Alegre ser uma cidade com bairros de perfis distintos, há movimentos de valorização em diferentes segmentos e localizações — o que pode indicar novos focos de interesse para empreendimentos residenciais e investimentos imobiliários.
Fatores que influenciaram o desempenho em 2025
O desempenho do mercado imobiliário na capital em 2025 está ligado a diversos fatores conjunturais. Um dos mais relevantes é o impacto das enchentes de 2024, que alteraram o cenário urbano e influenciaram decisões de compra e valorização em bairros menos afetados, reforçando áreas com menor risco ambiental e boa conectividade.
Esse movimento, somado às expectativas de retomada econômica e à busca por segurança e qualidade de vida, contribuiu para o aquecimento das vendas e para o ajuste dos preços no mercado.
Ao mesmo tempo, a incerteza econômica geral do país e as taxas de juros ainda elevadas mantêm um ambiente desafiador para lançamentos em volumes maiores, o que também eleva a atratividade de empreendimentos já disponíveis e faz com que a liquidez de unidades prontas ou em obras avançadas ganhe destaque.
Resumindo, em 2025, o mercado imobiliário de Porto Alegre mostrou sinais de maturidade e resiliência, com aumento das vendas, valorização em bairros estratégicos e perspectivas positivas para quem planeja atuar com produtos alinhados às preferências atuais de compradores — especialmente em segmentos que combinam localização, infraestrutura urbana e potencial de crescimento de preço ao longo do tempo.
Conclusão: o que esperar do mercado imobiliário no Rio Grande do Sul
Como vimos neste artigo, o mercado imobiliário no Rio Grande do Sul passa por um momento de ajuste e reorganização, com demanda ativa e oferta mais restrita. A queda nos lançamentos, combinada ao crescimento das vendas e à valorização gradual dos imóveis, cria um cenário de maior seletividade e exige decisões mais precisas por parte de construtoras e incorporadoras.
Porto Alegre segue como o principal motor do mercado estadual, concentrando VGV, liquidez e valorização, mesmo em um contexto de incerteza econômica e impactos das enchentes recentes. Ao mesmo tempo, cidades do interior e da Região Metropolitana ganham relevância como alternativas estratégicas, onde a demanda permanece consistente e menos sensível às oscilações de curto prazo.
Nesse contexto, as melhores oportunidades estão concentradas em projetos com leitura territorial apurada, tipologias adequadas à renda local e atenção aos novos critérios de localização, segurança e infraestrutura.
Ou seja, para quem atua na Construção Civil, o cenário reforça a importância de planejamento estratégico, uso de dados e escolha cuidadosa do momento de lançamento para capturar valor em um mercado que segue ativo, porém mais competitivo.
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