• Mercado de galpões logísticos no Brasil em crescimento, com players regionais liderando as entregas
  • Demanda por ativos logísticos triple A aquecida devido ao e-commerce
  • Importância do planejamento eficiente desde a concepção do projeto para garantir eficiência e retorno sobre o investimento.

O mercado de galpões logísticos no Brasil vive um momento de transformação e crescimento acelerado. Pela primeira vez, os players regionais vão liderar as entregas no setor, respondendo por 53% dos 2,3 milhões de metros quadrados previstos para o segundo semestre de 2025, segundo a consultoria Erea. 

Esse movimento de descentralização faz com que desenvolvedores menos capitalizados precisem atuar com um planejamento altamente assertivo, capaz de garantir viabilidade, eficiência e cumprimento de prazos para competir com os grandes.

Ao mesmo tempo, a demanda por ativos logísticos triple A segue aquecida, impulsionada pela alta competitividade do e-commerce. O setor bateu recorde de novos contratos no segundo trimestre, com crescimento de 69% na absorção líquida em relação ao trimestre anterior, de acordo com relatório da RealtyCorp. Essa preferência do mercado pelos galpões de alto padrão eleva ainda mais o nível de exigência técnica nas obras.

Neste cenário dinâmico, projetar e executar centros logísticos com produtividade e controle se tornou ainda mais importante. Pensando nisso, neste artigo, vamos falar sobre as etapas envolvidas na otimização de galpões logísticos — desde o planejamento até o canteiro — com foco em desempenho, retorno sobre o investimento e gestão integrada.

Boa leitura!

Projeto de galpões logísticos: eficiência começa no papel

A performance de um centro logístico começa a ser definida ainda na fase de concepção. Um bom projeto de centro de distribuição precisa partir de um escopo bem estruturado, que defina claramente o conceito, as dimensões dos ambientes, os tipos de instalações e os padrões de acabamento. Essa clareza evita conflitos entre disciplinas e traz maior previsibilidade durante a obra.

Esse planejamento deve considerar também a aprovação legal do empreendimento, que depende de fatores como estudos ambientais, diretrizes urbanísticas e trâmites nos órgãos municipais. Como reforça o arquiteto Alan Gonçalves, gestor de projetos do GPA, “antes de iniciar a criação dos projetos, é preciso avaliar o que é possível construir com base no programa de necessidades fornecido pelo cliente”.

Em obras com prazos curtos, é comum adotar a estratégia de fast track, na qual o projeto e a construção ocorrem em paralelo. No entanto, isso exige atenção redobrada ao controle de escopo, que acaba se tornando um verdadeiro desafio.

Por isso, a eficiência do projeto não se resume à compatibilidade técnica. Ela está diretamente ligada ao desempenho operacional e ao retorno sobre o investimento.

Entre os elementos que contribuem para esse resultado estão: pé-direito elevado, espaçamento otimizado entre pilares, piso de alta resistência, soluções de combate a incêndio, iluminação e ventilação naturais, reaproveitamento de água e isolamento térmico.

Participação multidisciplinar

O desenvolvimento de um projeto de centro de distribuição envolve diferentes especialistas técnicos. São profissionais de arquitetura, fundações, estruturas, coberturas, instalações elétricas e hidráulicas, prevenção contra incêndio, sistemas de ventilação, pavimentação, automação, segurança, paisagismo, entre outros.

Para evitar retrabalhos e interferências durante a execução, é essencial que essas disciplinas trabalhem de forma coordenada. “Fazemos a compatibilização dos desenhos desenvolvidos, o que evita conflitos físicos entre as instalações”, explica Gonçalves.

Outro ponto crítico é a avaliação de riscos relacionados ao subsolo e ao clima local. Terrenos com potencial de recalque, por exemplo, podem demandar soluções como estaqueamento de piso, reforços ou trocas de solo, com impacto direto no prazo e no custo da obra. O comportamento meteorológico da região também deve ser considerado na elaboração do cronograma.

Quanto mais madura e integrada for a entrega técnica antes do início da construção, menor o risco de retrabalhos, atrasos e custos adicionais. Ou seja, a eficiência de um galpão logístico começa, de fato, no papel, justamente para evitar uma série de problemas futuros.

Gestão de centros logísticos exige visão de operação

A gestão eficiente de centros logísticos vai além do domínio técnico de projeto e construção. Como mencionamos anteriormente, é essencial que o gestor de projetos compreenda como o empreendimento irá operar no dia a dia, antecipando cenários e prevenindo falhas que podem comprometer a eficiência da operação.

Francisco Ayres Vicentini, gerenciador de obras da MVEP projetos, destaca que o profissional responsável pelo projeto precisa conhecer profundamente o funcionamento do empreendimento. “Imagine uma carreta manobrando onde tem um pilar com instalação de rede de água. Com certeza criará problemas para o usuário”, afirma. 

Situações como essa demonstram a importância de considerar fluxos logísticos, ergonomia operacional e infraestrutura adequada já na fase de projeto.

A manobra de carretas, por exemplo, exige ruas com raio de giro suficiente. Se mal dimensionadas, aumentam o número de manobras, aceleram o desgaste do piso e elevam os custos de manutenção. O mesmo se aplica a áreas técnicas mal posicionadas, como subestações, reservatórios ou salas operacionais, que podem comprometer o layout e dificultar a operação diária.

Esse nível de entendimento operacional não exige que o gestor domine todos os sistemas em detalhe técnico, mas ele precisa ser capaz de “conectar projeto, operação e execução”, como destaca Vicentini. A atuação desse profissional é decisiva para que as soluções projetadas façam sentido no contexto real de uso do galpão.

Na prática, isso significa que o gestor deve participar ativamente das fases de concepção, compatibilização e execução, sendo o elo entre as diferentes disciplinas e os objetivos do cliente. Enquanto ele antecipa o uso real do espaço e integra todas as informações de forma estratégica, o gestor assegura que o projeto entregue esteja pronto para operar com eficiência desde o primeiro dia.

Etapas do projeto: como garantir alinhamento técnico desde o início

A base de um centro logístico bem executado está no alinhamento técnico desde as primeiras fases do projeto. Para garantir eficiência e evitar retrabalhos no canteiro, é essencial seguir uma sequência específica de etapas.

  1. Estudo preliminar: o processo se inicia com o estudo preliminar, em que são avaliadas as condições do terreno, localização, topografia, restrições legais e o programa de necessidades do cliente. 
  2. Projeto básico: A partir disso, elabora-se o projeto básico, que define o escopo arquitetônico e contempla as soluções iniciais de estrutura, instalações, acabamento e áreas técnicas. 
  3. Projeto executivo: Em seguida, parte-se para o projeto executivo, com o detalhamento completo das disciplinas envolvidas.

Segundo Alan Gonçalves, “são chamados os vários projetistas para a reunião inicial e troca de informações, visando o projeto pré-executivo de arquitetura, já contemplando as questões técnicas de cada disciplina envolvida”. 

Nessa fase, são discutidos aspectos como dimensões dos ambientes, tamanho dos sanitários, áreas climatizadas, espaços técnicos e sistemas prediais, garantindo que todos trabalhem a partir das mesmas premissas.

A compatibilização de projetos é uma etapa estratégica para eliminar interferências entre as disciplinas e evitar erros no campo. Como destaca Francisco Ayres Vicentini, “na rua central de um empreendimento logístico passa a tubulação de água, esgoto, rede elétrica, instalação de segurança e sensores de incêndio. Esses projetos têm que ‘conversar’ entre si para evitar conflitos”.

O uso da tecnologia como facilitadora

Ferramentas digitais como o BIM (Building Information Modeling) têm potencial para elevar esse processo a um novo nível. O modelo permite visualizar e cruzar as informações de todos os sistemas em um ambiente tridimensional, identificando interferências antes da obra começar. 

Vicentini observa que o BIM pode reduzir significativamente o tempo e os riscos na elaboração dos projetos: “o software indica se está tudo correto ou se existe algum problema a ser resolvido”.

Planejamento e execução da obra: o diferencial está na gestão

Passada a fase de projeto, a etapa de execução em centros logísticos exige uma gestão ágil e precisa. Diferente de outros tipos de obras, centros de distribuição operam com cronogramas mais curtos, muitas vezes com prazos totais entre 10 e 12 meses — o que reduz a margem para erros e reforça a importância de um bom planejamento desde o início.

O sucesso da obra depende diretamente da entrega de projetos “redondos”. Quando o projeto chega ao canteiro com todas as compatibilizações resolvidas, escopo fechado e decisões técnicas maduras, o ritmo de execução acelera e os riscos de retrabalho diminuem. 

Por outro lado, erros ou lacunas nessa fase inicial podem gerar impactos operacionais e financeiros relevantes, forçando decisões improvisadas que comprometem custo, prazo e até desempenho futuro do ativo.

Nesse contexto, o papel do engenheiro de planejamento ou coordenador de projetos é decisivo. É ele quem garante que o planejamento executivo esteja alinhado ao cronograma realista, organizando as frentes de serviço, integrando fornecedores e acompanhando o progresso em tempo real.

Para facilitar esses processos, ferramentas como planejamento visual e dashboards de acompanhamento são aliadas fundamentais. Elas oferecem visibilidade clara sobre as metas, desvios e próximas etapas, facilitando a tomada de decisão por parte dos gestores.

Recursos como linha de balanço, curvas de avanço físico-financeiro e alertas automáticos contribuem para manter o controle em obras de alta velocidade. O uso da tecnologia nesse sentido é indispensável, pois, além de proporcionar o acesso às ferramentas, agiliza as informações e automatiza tarefas, evitando erros humanos e disparidades nos algarismos.

Quando há alinhamento entre projeto, planejamento e execução, o resultado é uma obra mais fluida, com menos interferências e maior confiabilidade nos prazos. A gestão, assim, deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica para o sucesso do empreendimento.

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Sustentabilidade e eficiência: requisitos cada vez mais valorizados

A sustentabilidade se tornou um requisito estratégico na concepção de centros logísticos de alto padrão. Incorporar soluções ambientais desde a fase inicial do projeto influencia diretamente o desempenho operacional do empreendimento, reduz o custo de operação (OPEX) e aumenta a atratividade para locatários exigentes.

Certificações devem estar previstas desde o escopo

Certificações ambientais como o LEED (Leadership in Energy & Environmental Design) precisam ser consideradas já na definição do escopo. Elas envolvem critérios técnicos que impactam projeto, cronograma e execução. Quando incorporadas desde o início, evitam retrabalhos, garantem alinhamento entre as disciplinas e facilitam a obtenção dos créditos necessários para a certificação ao final da obra.

Reuso de água, eficiência energética e sistemas inteligentes

Entre os requisitos mais valorizados em galpões sustentáveis estão o reuso de águas pluviais ou cinzas, eficiência energética por meio de iluminação e ventilação naturais, isolamento térmico, além da aplicação de sistemas inteligentes de automação. Esses recursos reduzem o consumo de energia e água, otimizam a operação e tornam o empreendimento mais competitivo ao longo do tempo.

A eficiência operacional deve ser pensada como um investimento, não como um custo. Projetos que consideram desde o início a performance dos sistemas prediais conseguem entregar resultados mais previsíveis, econômicos e duradouros para os proprietários e operadores logísticos.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

A demanda por ativos logísticos triple A tem ampliado a exigência por sustentabilidade nos empreendimentos. Locatários de grande porte, como operadores logísticos e empresas de e-commerce, priorizam imóveis certificados e com menor impacto ambiental — tanto por critérios ESG quanto por performance operacional.

Empreendimentos que entregam eficiência energética, menor custo de manutenção e adequação ambiental saem na frente na hora de atrair contratos de longo prazo. Além disso, galpões com atributos sustentáveis tendem a apresentar menor taxa de vacância e maior valorização de mercado, consolidando a sustentabilidade como um diferencial competitivo real.

Conclusão

Os galpões logísticos têm ocupado um papel estratégico na cadeia de abastecimento e exigem cada vez mais precisão técnica, agilidade na execução e eficiência operacional. São ativos que, além de suportarem operações complexas, precisam entregar desempenho, flexibilidade e retorno sobre o investimento desde o primeiro dia de uso.

Em um mercado cada vez mais competitivo como o nosso, a qualidade do projeto, a gestão integrada entre as disciplinas e a visão operacional desde a concepção se tornaram fatores decisivos, que podem ser enormes diferenciais para a empresa. Não se trata só de construir bem, mas de conectar decisões técnicas com os objetivos estratégicos do negócio.

Diante desse cenário, vale a pena revisar processos internos, identificar gargalos e buscar ferramentas que contribuam para mais produtividade, controle e previsibilidade ao longo de todo o ciclo do empreendimento. Hoje é possível utilizar a tecnologia em favor da empresa até mesmo para não perder competitividade com a concorrência.

Utilizar soluções como o Construmanager na fase de projeto, por exemplo, e a Prevision no planejamento e acompanhamento da obra, já fornece a você recursos voltados justamente para esse desafio: alinhar pessoas, informações e decisões com foco em resultado.

Por isso, gostamos de dizer que a otimização de galpões logísticos começa muito antes da obra e se estende muito além da entrega. É na forma de planejar e gerir que está o verdadeiro diferencial competitivo.

Construmanager
Assuntos: construmanager Gestão de Projetos por Tipologia de Empreendimento
Roberta Chicoli da Construmarket
Roberta Chicoli da Construmarket

Profissional com mais de 20 anos de experiência na digitalização da construção civil, atua como Diretora da Unidade de Projetos e Obras na Construmarket, empresa do Ecossistema Sienge. Lidera as áreas de Comercial, Produto e Sucesso do Cliente com foco em crescimento sustentável e excelência na jornada do cliente. Reconhecida por sua habilidade em integrar equipes e estratégias, tem gerado resultados expressivos em receita, retenção e competitividade, sempre com uma abordagem colaborativa, orientada por dados e impulsionada pela inovação.