• O Construsummit 2025 discutiu temas como inteligência artificial, gestão de custos e financiamento na Construção Civil brasileira
  • A inteligência artificial está sendo cada vez mais utilizada no setor, trazendo ganhos significativos em produtividade
  • O financiamento para produção imobiliária está passando por uma transformação, com maior presença do mercado de capitais e exigência por operações mais estruturadas.

O Construsummit 2025, realizado em Florianópolis nos dias 4 e 5 de junho, refletiu as grandes tensões e oportunidades que marcam a Construção Civil brasileira em um momento decisivo. 

Os temas que foram destaque no evento pautam os debates do presente e indicam com clareza os caminhos que o setor terá de percorrer nos próximos anos: o avanço da inteligência artificial como eixo de transformação da produtividade, a reformulação das fontes de funding, a profissionalização da gestão de custos e a necessidade urgente de repensar cultura, liderança e relacionamento com o cliente.

Neste artigo, reunimos os principais tópicos que permearam o evento, não como cobertura de falas, mas como síntese editorial dos assuntos que mais impactam incorporadoras e construtoras brasileiras. O objetivo: transformar a densidade do que foi discutido em leitura útil e aplicável para quem lidera ou influencia decisões no setor.

Tecnologia e IA: a nova fronteira da eficiência

Apresentado por Cristiano Gregorius, Diretor Executivo da Softplan Indústria da Construção, e Magno Maciel, Cofundador e CTO da Dashplan, o painel sobre tecnologia mostrou como a inteligência artificial está saindo do discurso e entrando no canteiro de obras com impacto real. 

Alguns dos dados destacados sinalizam que empresas que adotam IA corretamente já registram ganhos de até 40% em qualidade e 25% em velocidade, segundo estudo da Harvard Business School. Além disso, segundo o Boston Consulting Group, o uso da inteligência artificial generativa irá promover 1,5% de aumento na produtividade, o que representa 7% de aumento no PIB global nos próximos 10 anos. 

Mas não falamos apenas de futuro quando falamos sobre IA. Neste momento, ainda segundo o Boston Consulting Group, 80% das empresas Fortune 500 têm funcionários utilizando ChatGPT diariamente.

Na Construção Civil, passada a fase de digitalização, o que se consolida agora é uma nova etapa, em que a inteligência artificial passa a assumir papel central na tomada de decisões, na previsibilidade de obra, no controle de qualidade e no planejamento de novos produtos.

Entre os exemplos discutidos no evento, dois se destacaram: a OpenSpace.ai, dos Estados Unidos, e a Buildots, de Israel. Ambas utilizam visão computacional e análise de dados em tempo real para acompanhar o andamento físico das obras com altíssimo grau de precisão, e vêm redefinindo a tomada de decisão no campo.

No Construsummit 2025, a discussão foi além da tendência: alertou para a importância de inserir a IA no início do processo – no planejamento, na validação de ideias e no desenvolvimento de produtos – e não como ferramenta de acabamento. Aplicações práticas já demonstram aumento significativo de produtividade e redução de erros, com destaque para sistemas baseados em captura visual e análises em tempo real.

A tendência é que os sistemas passem a ser orientados por interfaces conversacionais, transformando dados técnicos em linguagem acessível. Isso exigirá das empresas uma nova lógica de operação: mais cultura de dados, mais clareza nos processos e times preparados para interpretar inteligência.

Custo de obra: o problema que ainda é mal entendido

Palestrante no evento Construsummit falando sobre erros comuns na gestão e controle de custos das obras, com uma tela de fundo colorida ao fundo.

Um dos pontos mais críticos do Construsummit 2025 foi o debate sobre custos, liderado por Aldo Dórea Mattos, Diretor Executivo do Instituto Aldo Mattos, que apontou os principais equívocos na gestão de custos de obras. Apesar da evolução das ferramentas e controles, o setor ainda confunde desembolso com execução, o que leva a distorções na avaliação de desempenho das obras.

A análise baseada em caixa, típica da contabilidade, é insuficiente para representar o custo real. O avanço físico precisa ser o centro da avaliação, permitindo uma comparação direta com o orçamento. Isso exige controle de estoque, integração entre dados financeiros e técnicos e, principalmente, mudança de mentalidade.

Em resumo: sem estrutura de dados técnicos confiável, não existe gestão de custo funcional, apenas ilusão de controle.

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Finanças e funding: cenário exige atenção estratégica

Com contribuições de nomes como José Carlos Martins, Presidente do Conselho Consultivo da CBIC, Sandro Gamba, Presidente da ABECIP, Hailton Madureira de Almeida, secretário-executivo do Ministério das Cidades, Roberto Ceratto, diretor executivo de Habitação da Caixa Econômica Federal, e Clausens Duarte, presidente da Comissão de Habitação de Interesse Social (HIS) da CBIC, a pauta financeira foi tratada com foco na transformação estrutural do funding.

O acesso a crédito para produção imobiliária passa por um processo de reinvenção. A tradicional dependência da poupança e do FGTS começa a ser substituída por um ecossistema mais diversificado, com maior presença do mercado de capitais e exigência por estruturas mais técnicas e formais.

O programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, em sua melhor fase, tem previsão de contratar 600 mil unidades habitacionais em 2025. O crescimento, no entanto, exige atenção: a expansão precisa acompanhar a capacidade real de funding, sob risco de gerar gargalos na cadeia produtiva.

Painel de discussão no evento Construsummit 2025 com cinco participantes sentados no palco, incluindo nomes como José Carlos Martins e Sandro Gamba

Hoje, cerca de 40% do funding do mercado imobiliário já vem do mercado de capitais, enquanto a poupança, historicamente a principal fonte, vem perdendo força. O cenário exige operações de crédito mais estruturadas, com maior rigor técnico, jurídico e regulatório. Modelos informais ou improvisados estão cada vez menos tolerados no novo contexto regulatório e financeiro. Ganha quem estiver preparado para atuar com governança, relacionamento institucional e segurança jurídica.

A mensagem do Construsummit 2025 foi clara: o futuro do funding será menos subsidiado, mais técnico e mais competitivo.

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Olhar macroeconômico: juros globais e cenário fiscal

Conduzido por Caio Megale, Economista-chefe da XP Inc., o painel trouxe uma análise aprofundada: o cenário macroeconômico global está mais instável, com taxas de juros elevadas e riscos fiscais latentes, especialmente nos Estados Unidos, o que influencia diretamente o custo do capital no Brasil. 

Além disso, choques de oferta em alimentos e commodities continuam pressionando a inflação. Apesar desses fatores, a atividade econômica brasileira se mantém resiliente, sustentada por crédito disponível e mercado de trabalho forte.

Durante o Construsummit 2025, foram apresentadas projeções para 2025 que ajudam a dimensionar o contexto:

  • PIB: 2,3%
  • IPCA: 6%
  • SELIC: 15%

Esses números reforçam a necessidade de uma gestão mais prudente de investimentos, especialmente em projetos de longo prazo. Um ponto de atenção destacado foi a urgência da reforma da dívida pública brasileira, que deve ganhar protagonismo no debate econômico pós-eleições. Sem ela, aumenta o risco Brasil (ou risco-país) e a instabilidade sobre o ambiente de negócios no país.

Para o setor da construção, o recado é de cautela ativa: projetos bem estruturados, com viabilidade testada e posicionamento claro, terão mais chances de seguir adiante, mesmo num cenário mais apertado.

Sucessão, cliente e robôs na obra: o futuro construído hoje

Valter Patriani, Sócio-Fundador, e Bruno Patriani, CEO da Construtora Patriani, conduziram um painel que explorou um dos temas mais provocativos do evento: a transformação do perfil do consumidor e, consequentemente, do produto imobiliário. 

A personalização, a integração de tecnologia, o conforto climático e a sustentabilidade não são mais diferenciais, são parte da demanda essencial.

Essa mudança de paradigma impacta diretamente o processo de sucessão e de inovação nas empresas do setor. A gestão de legado se torna estratégia de resiliência, com foco em nichos específicos, diferenciação de produto e geração de valor claro para o cliente final.

Como parte desse olhar para o futuro, a Construtora Patriani anunciou que, a partir de 2026, será a primeira da América Latina a iniciar testes com robôs humanoides aplicados a canteiros de obra. A iniciativa está alinhada à estratégia de inovação contínua da empresa e reforça o compromisso com soluções que aumentam a segurança e a produtividade. Voltados para tarefas repetitivas e pesadas, esses equipamentos apontam para um futuro de obras mais seguras, eficientes e com menor desgaste humano.

Outro ponto debatido foi a mudança no perfil do comprador: a geração 40+ demanda imóveis com tecnologia integrada de verdade, soluções como ventilação cruzada, automação funcional, fazendas solares, infraestrutura para carro elétrico e conforto pensado desde o projeto. Não se trata apenas de pensar no cliente, mas de começar o projeto a partir dele: o imóvel como extensão da identidade e da rotina de quem vai habitá-lo.

Verticalização e eficiência em grandes obras

Com apresentação de Stéphane Domeneghini, Diretora Executiva da Talls Solutions, o painel abordou os desafios técnicos e estratégicos da construção de arranha-céus residenciais. A discussão partiu da constatação de que a verticalização é uma resposta inevitável à escassez de solo urbano, mas que construir mais alto exige uma lógica de eficiência completamente diferente.

Em edifícios residenciais de altíssima verticalização, também chamados de “superaltos”, os maiores desafios se concentram em fundação, estrutura e sistemas de transporte vertical, como elevadores. Mais do que engenharia de ponta, essas obras demandam lideranças técnicas capazes de coordenar projetos complexos, integrando inovação construtiva, conforto ambiental e sustentabilidade em grande escala.

A Senna Tower, um dos exemplos citados, mostra como a complexidade pode se tornar diferencial competitivo quando bem gerida. O projeto ilustra o potencial da engenharia brasileira de atuar em empreendimentos de alto impacto global, combinando ambição, inteligência técnica e compromisso ambiental.

Cultura como motor de inovação real

Homem de camiseta preta falando em palestra com apresentação de fundo que destaca a frase "Se o conselho é bom, o exemplo arrasta" em destaque em cores azul e vermelha.

Em um painel inspirador, Rony Meisler, cofundador da Reserva, provocou o público a repensar o papel da cultura organizacional como motor da inovação real. Em sua fala, destacou que em vez de começar por um projeto ou produto, empresas deveriam iniciar com um movimento de escuta e conexão com as pessoas.

“Se começasse uma construtora hoje, começaria com a comunidade, não com o projeto”. Na mesma linha, reforçou que as empresas propusessem o diálogo: “Chega o CPF antes do tijolo”, defendendo que é preciso ouvir, gerar pertencimento e só então propor soluções que façam sentido.

Esse raciocínio deu origem a uma proposta concreta: manter conversas semanais ou mensais com a comunidade local antes mesmo do lançamento de um novo projeto. A ideia é entender os problemas e os potenciais do entorno, ouvindo quem vive no bairro, e transformando esses aprendizados em insumos valiosos para o negócio. Este é o funil ACP, onde a escuta ativa antecede qualquer PowerPoint, planilha ou projeto arquitetônico.

Modelos hierárquicos rígidos perdem espaço para estruturas mais colaborativas, onde o aprendizado contínuo se torna ativo estratégico. A cultura deixa de ser periférica e passa a ser motor de diferenciação.

Conclusão

O Construsummit 2025 não apresentou receitas prontas , mas deixou claras as urgências estratégicas da Construção Civil brasileira. Em todos os painéis, a mensagem era uma só: quem quiser continuar competitivo precisará repensar processos, investir em inteligência, fortalecer sua estrutura de capital e, acima de tudo, colocar o ser humano no centro das decisões.

A próxima edição do Construsummit já tem data: 1 e 2 de julho de 2026, em Florianópolis. Programe-se desde já para estar entre os líderes que vão construir o futuro do setor, com mais inteligência, colaboração e visão estratégica.

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