• O tijolo ecológico é um bloco de alvenaria feito de solo, cimento e água, sem queima em forno
  • Seu principal diferencial ambiental é a ausência de queima, o que reduz emissões de CO₂
  • É importante entender as especificações técnicas, limitações e custo real antes de decidir usar o tijolo ecológico

O tijolo ecológico, também chamado de tijolo de solo-cimento, BTC (Bloco de Terra Comprimida) ou tijolo modular, é um bloco de alvenaria produzido pela compressão de uma mistura de solo, cimento e água, sem passar por processo de queima em forno. Essa ausência de queima é o principal diferencial ambiental do material: elimina o uso de combustível e a emissão de gases de efeito estufa da etapa de fabricação.

O material não é uma novidade do mercado, mas vem ganhando relevância à medida que projetos de casas ecoeficientes se tornam mais comuns e a demanda por materiais de menor impacto ambiental cresce entre construtoras e incorporadoras. Para o gestor de obra ou comprador de materiais, a decisão de usar ou não o tijolo ecológico depende de entender suas especificações técnicas, suas limitações e o custo real por metro quadrado de parede executada.

O que é o tijolo ecológico e como é fabricado?

O tijolo ecológico é fabricado pela mistura de solo, cimento Portland e água em proporções específicas, compactada por prensa manual ou hidráulica a alta pressão. Após a prensagem, o bloco passa por um período de cura úmida de aproximadamente 7 dias, durante os quais ocorre o endurecimento progressivo da mistura pelo processo de hidratação do cimento.

A composição do solo é determinante para a qualidade do produto. Solos muito argilosos retêm mais umidade e apresentam retração de secagem que pode comprometer a resistência mecânica. Solos arenosos, com menor proporção de argila, tendem a apresentar melhor comportamento. Em função da variação natural dos solos disponíveis, é necessário definir o traço ideal da mistura para cada lote de matéria-prima, o que exige ensaios técnicos antes da produção em escala.

Uma das vantagens logísticas do material é a possibilidade de produção no próprio canteiro de obras: o solo removido no corte do terreno pode, em muitos casos, ser aproveitado como matéria-prima, eliminando o custo e o impacto do transporte. Para obras sem essa estrutura, há fabricantes que comercializam o tijolo ecológico pronto para entrega.

Por que é chamado de ecológico?

O nome “ecológico” vem de dois atributos do processo de fabricação em comparação com o tijolo cerâmico convencional.

O primeiro é a ausência de queima. O tijolo cerâmico tradicional passa por cocção em fornos a temperaturas entre 800°C e 1.000°C, processo que consome lenha ou outros combustíveis e emite CO₂ e material particulado. Estima-se que a queima necessária para fabricar mil tijolos cerâmicos convencionais consome o equivalente a cinco árvores em lenha. O tijolo de solo-cimento não passa por essa etapa, eliminando essas emissões do processo produtivo.

O segundo é o potencial de uso de resíduos como aditivos. Pesquisas em andamento no Brasil e no exterior investigam a incorporação de resíduos industriais e agrícolas na mistura, como bagaço de cana-de-açúcar, pó de pedra, escória de alto forno e resíduos de borracha. Além da função de desviar resíduos do descarte, alguns desses materiais melhoram propriedades específicas do bloco, como isolamento térmico, acústico ou resistência ao fogo.

Essa redução de impacto, porém, tem limites práticos. O tijolo deixa de ser ecológico se percorre grandes distâncias para chegar ao canteiro: o frete pode não apenas encarecer o material mas comprometer o balanço ambiental da escolha. A avaliação do ciclo de vida do produto, incluindo o transporte, é parte do estudo de impacto ambiental de qualquer projeto que busque certificação como LEED ou Selo Casa Azul Caixa.

Tipos de tijolo ecológico

O tijolo ecológico é comercializado em dois formatos principais, com características e aplicações distintas.

Tijolo maciço

O tijolo maciço tem volume sólido igual ou superior a 85% do seu volume total aparente. É utilizado principalmente em paredes aparentes, sem revestimento, exploradas como elemento estético no estilo rústico ou contemporâneo. Por dispensar reboco e pintura, reduz o custo de acabamento e acelera a entrega do ambiente.

Tijolo de dois furos (vazado)

O tijolo de dois furos tem furos verticais que cumprem três funções: reduzem o peso do bloco, permitem embutir colunas de sustentação e tubulações de instalações elétricas e hidráulicas, e formam câmaras de ar que melhoram o isolamento térmico e acústico da parede.

A dimensão padrão do modelo de dois furos é 7 x 12,5 x 25 cm. Os blocos possuem encaixes macho-fêmea nas faces que reduzem significativamente o consumo de argamassa de assentamento e facilitam a execução, embora exijam mão de obra familiarizada com o sistema.

Como usar: aplicações e limitações

O tijolo ecológico é aplicável como alvenaria de vedação em construções com estrutura independente de concreto armado ou aço. Nessa função, as paredes fecham os vãos da estrutura sem função portante, e os resultados de ensaios de resistência do material são consistentes com essa aplicação.

Uma limitação importante para o projeto é que o tijolo de solo-cimento não pode ser usado como alvenaria estrutural, ou seja, não pode substituir a estrutura convencional em uma obra de múltiplos pavimentos. Esse ponto precisa estar claro desde a fase de especificação para evitar incompatibilidades de projeto.

Outra limitação é a necessidade de impermeabilização. O tijolo de solo-cimento, mesmo quando bem fabricado, é um material poroso que absorve água. Em paredes aparentes e em ambientes com exposição à umidade, é necessário aplicar hidrofugante ou resina de proteção após a construção para evitar manchas, deterioração estética e umidade.

O Construcompras é a plataforma da Sienge para gestão de compras de materiais na construção civil. Com acesso a mais de 15 mil fornecedores cadastrados, permite cotar o tijolo ecológico e os materiais complementares da alvenaria, incluindo argamassa especial para solo-cimento e impermeabilizantes, em uma única plataforma com comparativo de preços automatizado.

💡 Leia mais:

Vantagens e desvantagens consolidadas

A tabela a seguir consolida os principais pontos para a tomada de decisão sobre o uso do tijolo ecológico em uma obra.

Vantagens Desvantagens
Sem queima: menor emissão de CO₂ na fabricação Preço unitário até 4x maior que o tijolo cerâmico convencional
Pode ser produzido no canteiro com solo do corte do terreno Não pode ser usado como alvenaria estrutural
Reduz consumo de argamassa de assentamento Exige impermeabilização após construção
Execução até 30% mais rápida pelo sistema de encaixes Requer mão de obra treinada para assentamento
Pode ser usado aparente, dispensando revestimento e pintura Baixa disponibilidade de fornecedores em algumas regiões
Câmara de ar no modelo de 2 furos melhora isolamento térmico e acústico Frete a longa distância aumenta custo e reduz vantagem ambiental
Custo final de parede pode ser até 50% menor que o tradicional com revestimento Necessita de ensaios técnicos para definir o traço correto da mistura

Normas técnicas de referência

O uso do tijolo ecológico em obra é regulamentado por um conjunto de normas ABNT que definem os requisitos do produto, os métodos de ensaio e os procedimentos de fabricação e execução. Conhecer essas referências é necessário tanto para especificar corretamente o material quanto para exigir do fornecedor a documentação de qualidade adequada.

As principais normas do conjunto são:

NBR 8491: define os requisitos do tijolo de solo-cimento, incluindo resistência mínima à compressão de 2,0 MPa (média) e 1,7 MPa (valor individual mínimo) e absorção máxima de água de 20%, com ensaios realizados com idade mínima de 7 dias. A versão de 2012 desta norma foi registrada como cancelada em plataformas de normas técnicas, sem indicação de substituta publicada até o momento. Para projetos que exigem conformidade normativa, recomenda-se consultar a situação vigente diretamente na ABNT antes de especificar.

NBR 8492: define o método de ensaio para análise dimensional, resistência à compressão e absorção de água do tijolo de solo-cimento.

NBR 10833: estabelece o procedimento de fabricação do tijolo e bloco de solo-cimento com prensa manual ou hidráulica.

NBR 10834: requisitos para blocos de solo-cimento sem função estrutural.

NBR 10837: orienta a execução de alvenaria de vedação com tijolo de solo-cimento.

Para o comprador ou especificador, o requisito prático é exigir do fornecedor o laudo de ensaio de resistência à compressão e absorção de água de cada lote, atestando que o produto atende aos parâmetros das normas de referência. Tijolos produzidos sem controle de prensa e dosagem não atingem a resistência mínima e não devem ser aceitos em obra.

💡 Leia mais:

Custo: quando o tijolo ecológico compensa?

A análise de custo do tijolo ecológico não pode se limitar ao preço unitário do bloco, que pode ser até quatro vezes maior do que o tijolo cerâmico convencional. O custo real por metro quadrado de parede executada é o parâmetro correto de comparação, e nele a equação muda significativamente.

O menor consumo de argamassa de assentamento, a maior velocidade de execução (até 30% mais rápida pelo sistema de encaixes), a possibilidade de parede aparente dispensando reboco e pintura, e a facilidade de embutir instalações nos furos do bloco reduzem os custos dos serviços complementares. Dados de fabricantes e estudos acadêmicos indicam que o custo final de uma parede em tijolo ecológico pode ser até 50% inferior ao de uma parede convencional com revestimento, considerando todos esses fatores.

Além disso, em casos onde o solo do canteiro pode ser aproveitado como matéria-prima, o custo do tijolo cai significativamente. Essa possibilidade precisa ser avaliada por ensaio: nem todo solo é adequado para produção de solo-cimento sem ajustes de traço.

Para o controle de material de construção e a gestão de estoque no canteiro, o tijolo ecológico demanda os mesmos cuidados de qualquer bloco de alvenaria: armazenamento protegido da chuva antes da aplicação do impermeabilizante, controle de lotes por data de fabricação e rastreabilidade do fornecedor.

💡 Leia mais:

Cotação e gestão de compras de materiais sustentáveis

Incluir o tijolo ecológico em uma obra exige mais do que a decisão de projeto: é preciso encontrar fornecedores confiáveis na região, comparar preços por lote, exigir laudos técnicos e garantir que o material chegue dentro do prazo de cada etapa de alvenaria.

O Construcompras centraliza a gestão de compras de materiais de construção com acesso a mais de 15 mil fornecedores cadastrados, cotação automatizada e comparativo de preços em um único ambiente. Para obras que combinam tijolo ecológico com outros materiais sustentáveis, como madeira de reflorestamento e concreto com adição de pozolanas, o Construcompras mantém o controle de todos os pedidos e fornecedores em um só lugar.

👉 Tenha compras mais econômicas e rápidas na Construção Civil com o Construcompras

Perguntas frequentes sobre tijolo ecológico

O tijolo ecológico pode ser usado em área molhada como banheiro ou cozinha?

Pode ser usado como vedação nessas áreas desde que receba impermeabilização adequada nas faces expostas à umidade. O tratamento com hidrofugante ou resina é obrigatório para superfícies aparentes em contato com água ou vapor.

É possível fazer uma casa inteira com tijolo ecológico?

Sim, para construções térreas e de até dois pavimentos com estrutura independente de concreto armado, o tijolo ecológico pode ser usado em todas as paredes de vedação. O projeto precisa ser desenvolvido por profissional habilitado com ART ou RRT.

O tijolo ecológico precisa de reboco?

Não. Uma das vantagens do material é a possibilidade de uso aparente, o que dispensa reboco e pintura. O acabamento aparente requer tratamento com impermeabilizante para proteção da superfície. Caso o projeto exija revestimento, o tijolo ecológico é compatível com qualquer argamassa de reboco convencional.

Como verificar a qualidade do tijolo ecológico antes de comprar?

Exigir do fornecedor o laudo de ensaio de resistência à compressão e absorção de água, conforme a NBR 8492, com resultados que atendam aos parâmetros da NBR 8491 (resistência mínima de 2,0 MPa e absorção máxima de 20%). Tijolos sem laudo técnico não devem ser aceitos em obra.

Tijolo ecológico é reconhecido pela prefeitura para aprovação de projeto?

Sim. O uso é reconhecido para alvenaria de vedação em projetos aprovados por profissional habilitado. O memorial descritivo do projeto deve especificar o material e comprovar conformidade com as normas técnicas aplicáveis.

Construcompras - plataforma de gestão de compras para construção civil
Assuntos: Construcompras Materiais Inovadores e Tecnologias Construtivas
Roberta Chicoli da Construmarket
Roberta Chicoli da Construmarket

Profissional com mais de 20 anos de experiência na digitalização da construção civil, atua como Diretora da Unidade de Projetos e Obras na Construmarket, empresa do Ecossistema Sienge. Lidera as áreas de Comercial, Produto e Sucesso do Cliente com foco em crescimento sustentável e excelência na jornada do cliente. Reconhecida por sua habilidade em integrar equipes e estratégias, tem gerado resultados expressivos em receita, retenção e competitividade, sempre com uma abordagem colaborativa, orientada por dados e impulsionada pela inovação.