- Elevadores são adquiridos em negociação direta entre construtoras e fabricantes
- Antes de solicitar orçamento, é preciso definir todas as características técnicas do empreendimento
- A escolha do fornecedor deve considerar regulamentação, sustentabilidade e mercado restrito.
A compra de elevadores é um caso à parte na gestão de suprimentos de uma construtora. Por envolver alto valor, longa vida útil, instalação especializada e obrigações técnicas e legais que se estendem muito além da entrega, essa aquisição exige um processo de decisão estruturado, que começa bem antes da solicitação de orçamento.
Diferente de outros insumos, o elevador não é selecionado apenas por preço. A escolha envolve análise técnica do empreendimento, conformidade com normas da ABNT e certificações do Inmetro, avaliação da capacidade de manutenção do fornecedor e atenção a um mercado com poucos fabricantes dominantes. Ignorar qualquer uma dessas variáveis pode comprometer o cronograma, gerar custos não previstos ou criar passivos legais para a construtora.
Neste artigo, você vai entender como funciona o processo de compra de elevadores para edifícios, quais critérios técnicos e regulatórios precisam ser definidos antes do orçamento, como avaliar fornecedores em um mercado concentrado e o que negociar no contrato para proteger o empreendimento.
Tipos de elevadores e definição da finalidade
A primeira decisão na compra de elevadores é definir a finalidade do equipamento e o tipo mais adequado ao empreendimento. No mercado, há equipamentos para diferentes aplicações, cada um com especificações técnicas próprias:
- Transporte de passageiros: elevadores elétricos ou hidráulicos para uso geral em edifícios residenciais, comerciais e mistos.
- Elevador panorâmico: cabine envidraçada para aplicações onde a estética e a visibilidade do percurso são parte do projeto arquitetônico.
- Elevador e plataforma elevatória para PNE: equipamentos que atendem às exigências de acessibilidade da NBR 9050 e da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), incluindo plataformas elevatórias motorizadas para pessoas com mobilidade reduzida, reguladas pela ABNT NBR ISO 9386-1:2013.
- Elevadores de carga: dimensionados para peso e volume de materiais, equipamentos e veículos, com estrutura e capacidade distintas dos elevadores de passageiros.
- Elevadores para obras (cremalheira): equipamentos temporários para transporte de materiais e trabalhadores durante a execução. Veja mais sobre o elevador cremalheira e suas especificidades de uso no canteiro.
- Outros equipamentos de transporte vertical: macas hospitalares, escadas rolantes, esteiras, elevadores de plano inclinado e automóveis.
A definição da finalidade determina todas as especificações técnicas subsequentes. Por isso, ela deve ser feita antes de qualquer contato com fabricantes.
Especificação técnica: o que definir antes do orçamento
Segundo a prática consolidada no setor, os elevadores são comprados no início da obra, e a negociação exige um contrato detalhado com todas as especificações técnicas definidas antes da discussão de preços e prazos.
As características técnicas do empreendimento determinam as especificações do equipamento. Os principais parâmetros a definir são:
- Velocidade: calculada em função da população a ser transportada, da altura do prédio e do tamanho da cabine. O usuário precisa ter conforto e tempo de espera adequado ao padrão do empreendimento.
- Capacidade de carga (kg) e número de passageiros: dimensionados conforme a demanda estimada de uso e a categoria do edifício.
- Altura e dimensão da laje: determinam o curso do elevador, o tamanho do poço, a altura da casa de máquinas (quando existente) e as dimensões da cabine.
- Padrão do edifício: define acabamentos internos da cabine, tipo de porta, iluminação e tecnologia de controle de chamadas.
- Número de paradas: quantidade de andares atendidos e configuração das paradas.
- Tipo de acionamento: elétrico (tração a cabo) ou hidráulico, com implicações diretas em consumo de energia, velocidade máxima e necessidade de casa de máquinas.
A definição dessas variáveis deve envolver o arquiteto do projeto em consulta prévia aos fabricantes. Somente após essa etapa é possível solicitar orçamentos comparáveis entre fornecedores diferentes.
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Regulamentação e normas técnicas aplicáveis
A compra de elevadores envolve uma camada regulatória que vai além das especificações técnicas do equipamento. Todos os fabricantes precisam estar regulamentados nos órgãos oficiais e devem recolher a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) perante o CREA.
As principais normas e exigências aplicáveis são:
- NBR 16858-1 e NBR 16858-2: publicadas pela ABNT em julho de 2020, substituindo a NBR 16042 de 2012. A NBR 16858-1 lista os requisitos de segurança para a instalação de elevadores, e a NBR 16858-2 define os cálculos, análises e testes a serem feitos com os componentes. Essas normas seguem os padrões internacionais equivalentes às normas europeias EN 81-20 e EN 81-50. C3equipamentos
- Certificação do Inmetro: motores, freios e dispositivos eletromecânicos só podem ser instalados após aprovação e lacração pelo Inmetro, conforme a Portaria 3214 e a Portaria 336, que detalham os procedimentos de aprovação de modelo e ensaios de tipo. Planning
- NBR 9050 e legislação de acessibilidade: a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) e o Decreto 5.296/2004 impõem requisitos de acessibilidade em edifícios públicos e privados, incluindo a instalação de elevadores adaptados. Planning
- NBR 15597: estabelece diretrizes para a manutenção de elevadores, escadas rolantes e esteiras rolantes, assegurando a longevidade e segurança dos equipamentos. Blog
- ART e cadastramento junto aos órgãos municipais: o cadastramento do elevador na prefeitura, Corpo de Bombeiros e demais órgãos públicos é responsabilidade da empresa fabricante, que também deve aprovar o uso do equipamento junto às autoridades competentes antes da operação.
Verificar a conformidade regulatória do fornecedor antes de fechar contrato é obrigação do comprador. A ausência de fiscalização adequada pelo CREA, técnicos sem qualificação e peças que não atendem à regulamentação vigente são riscos reais no mercado de elevadores, e a responsabilidade por contratar um fornecedor irregular recai sobre a construtora. Cleverence
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Sustentabilidade na compra de elevadores
O consumo de energia é um critério técnico que deve ser avaliado no processo de compra, não apenas por responsabilidade ambiental, mas pelo impacto financeiro que representa ao longo da vida útil do equipamento.
Elevadores representam uma parcela significativa do consumo elétrico de edifícios comerciais e residenciais. Tecnologias de recuperação de energia, acionamentos com variadores de frequência e sistemas regenerativos já estão disponíveis nos fabricantes de grande porte e devem constar na especificação técnica para comparação entre propostas.
Além do consumo energético, vale considerar se o fabricante possui políticas de descarte responsável de componentes, compatibilidade com sistemas de gestão de resíduos do edifício e certificações ambientais relevantes para empreendimentos que buscam certificações como LEED ou Selo Azul da Caixa.
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Como avaliar fornecedores em um mercado concentrado?
O mercado de elevadores para edifícios tem uma característica que o diferencia de outros segmentos de suprimentos: três empresas detêm mais de 80% do mercado de atendimento a edifícios de múltiplos pavimentos no Brasil. Isso reduz o número de fornecedores disponíveis e muda a dinâmica de negociação.
Nesse contexto, a avaliação dos fornecedores deve considerar critérios que vão além do preço:
- Tempo de vida da empresa no mercado: fabricantes com presença consolidada oferecem mais segurança quanto à continuidade do suporte técnico e fornecimento de peças ao longo da vida útil do equipamento, que pode superar 25 anos.
- Capacidade de entrega no prazo: atrasos na entrega do elevador podem comprometer o cronograma de habite-se e de entrega das unidades. Verifique o histórico do fornecedor e inclua cláusulas contratuais claras sobre prazo.
- Qualidade do produto e inovação tecnológica: avalie os sistemas de controle, eficiência energética, segurança e acabamentos disponíveis em cada fabricante para o padrão do empreendimento.
- Conformidade regulatória: confirme que o fabricante possui todas as certificações exigidas pelo Inmetro, que os engenheiros responsáveis estão registrados no CREA e que a ART será recolhida conforme exigido.
- Rede de assistência técnica: em um bem durável com necessidade de manutenção periódica, a capilaridade da rede de assistência do fabricante é determinante para a qualidade do serviço pós-venda.
A prática recomendada é solicitar orçamento aos três principais fabricantes, mas apenas após confirmar que todos atendem às especificações técnicas definidas para o empreendimento. Só então a negociação de preço, prazo e condições deve ser iniciada.
Para gerenciar esse processo com mais controle, centralizar cotações e comparar propostas de forma estruturada, ferramentas como o Sienge Construcompras permitem organizar o fluxo de cotações com múltiplos fornecedores em um único ambiente, com mapa comparativo de preços e rastreabilidade de todo o processo.
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O que negociar no contrato de compra?
Por se tratar de um bem durável de alto valor, o contrato de compra de elevadores precisa ser detalhado e ir além das condições comerciais básicas. Os principais pontos a negociar e documentar são:
- Especificações técnicas completas: todas as características do equipamento devem constar no contrato para evitar divergências na entrega.
- Prazo de entrega e penalidades: dada a dependência do cronograma da obra, o prazo de entrega e as penalidades por atraso devem ser formalizados com clareza.
- Garantia do equipamento: período, cobertura e condições da garantia, incluindo o que é e o que não é coberto sem custo adicional.
- Responsabilidade pelo cadastramento: confirmar no contrato que o cadastramento junto à prefeitura, Corpo de Bombeiros e demais órgãos é responsabilidade do fabricante.
- Contrato de manutenção: sempre que possível, negociar o contrato de manutenção junto com o de aquisição. Essa prática garante melhores condições comerciais e assegura que o equipamento será mantido pelo próprio fabricante durante os primeiros anos de operação.
Fornecimento de peças: verificar se há garantia de disponibilidade de peças de reposição e por quanto tempo o fabricante se compromete a manter o suporte ao modelo adquirido.
Entrega, instalação e cadastramento
O recebimento dos elevadores é feito pelo engenheiro de obra. A empresa fornecedora entrega junto com os equipamentos um laudo técnico assinado pelo engenheiro responsável da fabricante, atestando que o elevador está em condições de uso.
A instalação é sempre feita pelos próprios fabricantes, não por terceiros contratados pela construtora. Isso é um ponto de atenção no planejamento da obra: o cronograma de instalação deve ser alinhado com o fabricante com antecedência, pois a disponibilidade das equipes de instalação dos grandes fabricantes pode ser um gargalo em períodos de alta demanda.
Após a instalação, o fabricante é responsável por obter a aprovação do uso do elevador junto aos órgãos públicos competentes. No caso de São Paulo, essa aprovação é obtida na Prefeitura por meio do CONTRU (Departamento de Controle do Uso de Imóveis). O cadastramento junto ao Corpo de Bombeiros e demais órgãos também é de responsabilidade da empresa fabricante.
Manutenção: item que começa na negociação
A manutenção de elevadores é uma obrigação contínua do condomínio ou do responsável pelo edifício após a entrega do empreendimento, regulada pela NBR 15597. Por isso, ela deve ser considerada desde a fase de negociação da compra, e não apenas após a entrega.
Os contratantes dos serviços de manutenção de elevadores, primordialmente condomínios e construtoras, muitas vezes priorizam o custo e ignoram a importância de uma prestação de serviço qualificada. Uma política de preços baixos a qualquer custo pode envolver técnicos sem qualificação adequada e peças de baixa qualidade que não atendem à regulamentação e às normas técnicas vigentes. Cleverence
Para evitar esse risco, a negociação do contrato de manutenção junto com a compra garante condições mais favoráveis e assegura que o fabricante mantenha responsabilidade técnica sobre o equipamento nos primeiros anos de operação. O contrato de manutenção deve especificar frequência das visitas, escopo dos serviços cobertos, tempo de resposta para chamados de emergência e política de substituição de peças.
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Compra de elevadores: decisão técnica que exige processo estruturado
A compra de elevadores é uma das aquisições mais complexas de um empreendimento, porque combina alto valor, especificação técnica rigorosa, mercado concentrado, obrigações regulatórias e responsabilidade de longo prazo com a manutenção do equipamento.
Construtoras que estruturam esse processo com antecedência, definem todas as especificações antes de solicitar orçamentos, avaliam fornecedores além do preço e negociam manutenção junto com a aquisição, reduzem significativamente o risco de problemas no cronograma, no habite-se e na operação do edifício após a entrega.
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Executivo com mais de 20 anos de experiência em planejamento estratégico, desenvolvimento de negócios e gestão comercial, com ênfase em negócios digitais e transformação empresarial. Formado em Administração de Empresas e em Direito, possui especializações internacionais em Estratégia de Produtos e em Liderança Transformacional. Ao longo de sua carreira em grandes empresas, destacam-se a criação e a implementação de estratégias de crescimento, parcerias e inovação em marketplaces e programas de fidelidade. Atualmente, é Diretor de Marketplace do Ecossistema Sienge.


