- Design Thinking é uma metodologia de design para resolver problemas complexos em diversos setores, incluindo Engenharia civil
- Fatores críticos de sucesso incluem entender requisitos, foco no usuário, trabalho em equipe colaborativo, criatividade e abordagem pragmática
- Etapas do processo incluem Empatia, Definição dos Problemas, Idealização, Protótipo e Teste, com foco no usuário e soluções inovadoras.
O design thinking é uma metodologia estruturada para resolver problemas complexos, mal definidos ou ainda não totalmente compreendidos. Em vez de partir de soluções prontas, o processo começa pela compreensão profunda do problema e das pessoas afetadas por ele, para só então gerar e testar alternativas.
No setor da construção civil, onde os problemas envolvem múltiplos agentes, prazos longos, alto custo de erro e decisões que afetam usuários finais que ainda não existem como clientes no momento do projeto, o design thinking oferece uma estrutura de trabalho que equilibra criatividade, praticidade e viabilidade econômica.
Este artigo apresenta as 5 etapas do design thinking segundo o modelo de Rikke Dam e Teo Siang, explica o que ocorre em cada fase e mostra como aplicá-las no contexto de construtoras e incorporadoras.
O que você vai ver neste conteúdo
O que é design thinking?
Design thinking é uma abordagem de resolução de problemas centrada no ser humano. O ponto de partida não é a solução mais barata, a mais rápida ou a preferida pelos gestores, mas a compreensão real das necessidades das pessoas que vão usar o produto ou serviço em questão.
A metodologia é iterativa: as etapas podem ser revisitadas à medida que novos dados surgem, e o processo só avança quando cada fase entrega o insumo necessário para a seguinte. Isso a diferencia de abordagens lineares, onde o problema é definido no início e a solução é implementada sem revisões intermediárias.
Na construção civil, o design thinking tem aplicação em diferentes contextos: no desenvolvimento de novos produtos imobiliários, na melhoria de processos internos de obra, na resolução de problemas crônicos de qualidade, no redesenho de fluxos de atendimento ao cliente e na estruturação de novos serviços. A lógica é a mesma em todos os casos: entender antes de propor, prototipar antes de implementar.
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Fatores críticos de sucesso antes de começar
Antes de iniciar o processo, é necessário criar as condições para que ele funcione. Projetos de design thinking que falham geralmente não falham por erro metodológico: falham por ausência de comprometimento com os fatores que tornam o processo eficaz.
Os principais são: entender os requisitos e todas as necessidades envolvidas antes de estruturar o trabalho; formar equipes multidisciplinares que reúnam diferentes perspectivas, como engenheiros, arquitetos, gestores comerciais e profissionais de obra; criar espaço para ideias sem julgamento prematuro, especialmente nas fases iniciais; e manter a viabilidade econômica e financeira como critério de avaliação desde o início, para evitar que soluções criativas resultem em propostas inviáveis na prática.
No contexto da construção civil, a inclusão de profissionais de obra nas etapas de empatia e definição é especialmente relevante. Quem executa no canteiro tem informações sobre problemas reais que raramente chegam à camada de gestão estratégica.
As 5 etapas do design thinking
As 5 etapas do design thinking seguem uma sequência lógica que vai da compreensão do problema à validação da solução. O modelo proposto por Rikke Dam e Teo Siang organiza esse percurso em cinco fases: empatia, definição do problema, idealização, prototipagem e teste. Cada etapa entrega um insumo específico para a seguinte, e o processo pode ser revisitado sempre que novos dados exigirem a reformulação do desafio ou das alternativas em avaliação.

1. Empatia
A empatia é a etapa de compreensão do problema. O objetivo não é formular hipóteses sobre o que os usuários precisam, mas ir a campo para observar, ouvir e entender as experiências reais das pessoas afetadas pelo problema que se quer resolver.
Nessa fase, os participantes precisam suspender suas opiniões e suposições prévias. A tendência de profissionais experientes é partir do que já conhecem: o design thinking propõe o oposto, começar sem respostas para garantir que as perguntas certas sejam feitas.
Na construção civil, essa etapa pode envolver entrevistas com moradores de empreendimentos anteriores para entender problemas de uso, visitas ao canteiro para observar gargalos de produtividade que não aparecem nos relatórios, ou conversas com clientes que desistiram de uma compra para entender os pontos de fricção no processo comercial.
O resultado da etapa de empatia é um conjunto rico de informações qualitativas sobre as necessidades, frustrações e expectativas dos usuários, que alimenta a etapa seguinte.
2. Definição do problema
Na etapa de definição, as informações coletadas na fase de empatia são organizadas, analisadas e sintetizadas em uma declaração clara do problema. Essa declaração deve ser formulada sempre na perspectiva do usuário, não na perspectiva da empresa ou dos gestores.
A diferença entre “precisamos reduzir o custo de retrabalho em obra” e “os moradores identificam problemas de acabamento após a entrega que poderiam ter sido evitados durante a execução” é significativa. A primeira é uma meta interna. A segunda é uma declaração de problema centrada no usuário, que abre um espaço de solução muito mais amplo.
Uma boa declaração de problema nessa etapa deve ser específica o suficiente para direcionar a geração de ideias, mas aberta o suficiente para não limitar as soluções. Ela também identifica os recursos, funções e condições necessárias para resolver o desafio identificado.
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3. Idealização
Com o problema bem definido, a equipe está pronta para gerar ideias. A idealização é a fase de expansão: o objetivo é produzir o maior número possível de alternativas, sem julgamento imediato sobre viabilidade ou qualidade.
A técnica mais comum é o brainstorming, onde os participantes propõem ideias livremente e as registram sem críticas durante a sessão. Outras técnicas podem ser usadas em combinação, como mapas mentais, analogias com outros setores e sessões de “e se?”, que exploram cenários hipotéticos para gerar perspectivas alternativas.
Na construção civil, essa fase pode ser usada para gerar alternativas de processo, de produto, de atendimento ou de gestão. O ponto central é adiar o julgamento: ideias que parecem inviáveis no primeiro momento frequentemente contêm elementos que, combinados com outras propostas, resultam em soluções práticas.
Ao final da idealização, as melhores ideias são selecionadas e organizadas para a etapa seguinte, considerando critérios como impacto potencial, viabilidade técnica e alinhamento com a declaração do problema.
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4. Prototipagem
A prototipagem é a etapa de materialização das ideias selecionadas. Os protótipos não precisam ser versões finais ou completas: o objetivo é criar representações testáveis com o menor custo e tempo possíveis, para que os problemas apareçam antes da implementação definitiva.
Na construção civil, um protótipo pode ser um apartamento modelo com variações de layout, um fluxo de atendimento simulado com um grupo de clientes, um processo de inspeção de qualidade testado em uma parcela da obra antes de ser adotado em todas as frentes, ou um novo formulário de registro de ocorrências testado com a equipe do canteiro por duas semanas.
Os protótipos são avaliados, revisados, rejeitados ou aprovados com base na experiência real dos usuários. Essa etapa é onde as ideias encontram a realidade, e é comum que os protótipos revelem restrições e problemas que não eram visíveis na fase de idealização.
O resultado da prototipagem é uma versão refinada da solução, com as restrições identificadas e os ajustes necessários incorporados antes do teste definitivo.
5. Teste
Na etapa de teste, a solução prototipada é avaliada de forma mais ampla, com usuários reais e em condições mais próximas do cenário de implementação definitiva. O objetivo é verificar se a solução resolve o problema definido na segunda etapa e se o faz de forma que os usuários reconhecem como válida.
Os resultados dos testes são registrados e analisados. Mesmo que a solução seja aprovada, os dados coletados servem para ajustes incrementais antes da implementação. Se problemas significativos forem identificados, o processo pode retornar a etapas anteriores: redefinir o problema, gerar novas ideias ou criar um protótipo revisado.
Esse caráter iterativo é uma das características centrais do design thinking. Ao contrário de metodologias lineares, onde o retorno a etapas anteriores é visto como falha, no design thinking a revisão é parte esperada e desejada do processo.
Design thinking e outras metodologias na construção civil
O design thinking não substitui metodologias já consolidadas no setor, como o Lean Construction ou o Last Planner System. Ele atua em um nível diferente: enquanto o Lean foca na eliminação de desperdícios nos processos de execução e o Last Planner estrutura o planejamento colaborativo de curto prazo, o design thinking é mais útil nas fases de definição de problemas e geração de soluções novas, especialmente quando o desafio não está bem compreendido.
As metodologias são complementares. Uma construtora pode usar o design thinking para identificar e definir um problema crônico de qualidade na entrega, gerar e testar alternativas de processo, e então implementar a solução escolhida com o suporte do sistema de gestão da qualidade e das ferramentas Lean já em uso.
A adoção de qualquer metodologia de melhoria depende de dados confiáveis sobre o processo atual. Sem visibilidade sobre indicadores de desempenho, prazos, custos e ocorrências de qualidade, a fase de empatia e definição do design thinking opera com informações incompletas, o que compromete a qualidade das soluções geradas.
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Da metodologia à execução com dados confiáveis
O design thinking gera soluções melhores quando parte de dados confiáveis sobre os processos atuais. Indicadores de prazo, custo, qualidade e ocorrências de obra são os insumos que tornam as fases de empatia e definição mais precisas e a fase de teste mais conclusiva.
O Sienge Plataforma centraliza a gestão de obras, financeiro e projetos em um único sistema, dando à equipe a visibilidade sobre o que está acontecendo na operação para que as decisões estratégicas, inclusive as tomadas com metodologias como o design thinking, sejam baseadas em informações reais.
Executivo com formações em Administração e Tecnologia. Atua há mais de 25 anos no segmento de TI, em operações no Brasil e na América Latina. Atualmente, é Diretor Executivo da Starian Indústria da Construção, responsável pelo Ecossistema Sienge, que integra a cadeia da construção de ponta a ponta com soluções especialistas. Sua expertise contribui para o fortalecimento da proposta de negócio da empresa para a integração de toda a cadeia da construção, com o objetivo de potencializar resultados para construtoras e incorporadoras, garantindo maior previsibilidade e eficiência operacional.


