• Normas NBR 12655 e NBR 8953 são fundamentais para a Construção Civil
  • Elas garantem qualidade, segurança e durabilidade das estruturas de concreto
  • Cumprir as normas evita falhas estruturais, reduz desperdícios e protege empresas contra responsabilidades legais

Quando falamos em NBR concreto, duas normas se destacam como fundamentais para a Construção Civil: a NBR 12655, que trata do preparo, controle e recebimento da maioria dos tipos de concreto, e a NBR 8953, responsável por classificar o material de acordo com sua resistência, massa específica e consistência.  

Juntas, essas diretrizes da ABNT orientam concreteiras, construtoras, engenheiros e equipes de controle tecnológico a trabalharem dentro de padrões que asseguram qualidade, segurança e durabilidade das estruturas. 

Como o concreto é um dos materiais mais utilizados em obras brasileiras, é fundamental seguir parâmetros técnicos rigorosos. O atendimento a essas normas é o que vai evitar falhas estruturais, reduzir desperdícios e proteger empresas contra responsabilidades legais. Além disso, as normas também ajudam a padronizar os processos, melhoram a comunicação entre fornecedor e obra e fazem com que o concreto recebido esteja de acordo com o especificado no projeto. 

Neste artigo, você vai entender o que dizem a NBR 12655 e a NBR 8953, como elas se conectam a outras normas de concreteiras e quais práticas devem ser adotadas para uma melhor conformidade técnica, rastreabilidade e eficiência em todas as etapas da concretagem. 

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O que são as normas técnicas do concreto e por que elas são tão importantes?  

Na Construção Civil, as normas técnicas da ABNT funcionam como um conjunto de diretrizes que padronizam os processos, materiais e procedimentos adotados em obra. Elas são elaboradas com base em estudos técnicos, experiências de campo e validações laboratoriais, tendo como objetivo trazer mais segurança, desempenho e durabilidade para as estruturas construídas. 

Quando falamos de concreto, essas normas estabelecem critérios que devem ser seguidos desde a definição do traço até o recebimento do material no canteiro. Além de balizar o controle de qualidade, elas ajudam a evitar erros que poderiam comprometer o desempenho da estrutura e a integridade da edificação. 

Por isso, normas como a NBR 12655 e a NBR 8953 impactam diretamente na confiabilidade do concreto utilizado, já que asseguram que ele atenda aos requisitos técnicos de resistência, trabalhabilidade e durabilidade previstos no projeto.  

É importante destacar que o cumprimento dessas normas é uma responsabilidade compartilhada. Projetistas, concreteiras e equipes de execução têm papéis complementares e devem atuar em sintonia para assegurar que todas as etapas do processo estejam tecnicamente corretas e documentadas. 

Vamos saber mais sobre isso no artigo de hoje!  

O que diz a NBR 12655 sobre preparo, controle e recebimento do concreto?  

Para balizar os parâmetros da sua utilização, os gestores de obra e demais profissionais da Construção Civil devem se apoiar na NBR 12655 (Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento). 

Lançada em 1992, a NBR 12655 é considerada a principal norma técnica sobre o concreto. Ela especifica os requisitos para as propriedades do concreto fresco e endurecido e suas verificações, composição, preparo, controle e recebimento do material em obra. 

É aplicável tanto a concreto de cimento Portland para estruturas moldadas na obra, quanto para estruturas pré-moldadas e componentes estruturais pré-fabricados para edificações e estruturas de engenharia. Além disso, também se aplica aos concretos normais, pesados e leves. Mas, lembre-se: essa norma não se aplica a concretos massa, concretos aerados, concretos espumosos e com estrutura aberta, certo? 

Embora seja considerada “a norma mãe” do concreto, a regulamentação desse material também é feita pela NBR 6118 (Projeto de estruturas de concreto – Procedimento) e pela NBR 14931 (Execução de estruturas de concreto – Procedimentos). 

Essas normas são complementares e não há como aplicá-las isoladamente no contexto de uma obra. Na prática, os projetistas estruturais acabam se baseando na NBR 6118, as construtoras, na NBR 14931, e os tecnologistas de concreto, na NBR 12655. 

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Quais foram as mudanças propostas na última revisão da NBR 12655? 

As normas brasileiras, assim como os sistemas e materiais usados na Construção Civil, passam por constantes mudanças. Com a NBR 12655 não foi diferente. 

Embora seja bastante consolidado no setor, o texto normativo já passou por revisões em 1996 e 2006 e, mais recentemente, em 2015, seguindo a orientação da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que propõe revisões a cada cinco anos para as normas técnicas. 

A comissão de estudos responsável pela mudança na NBR 12655 foi composta por 53 profissionais e 36 entidades, que se reuniram para fazer melhorias que agregaram mais valor à norma. 

Entre as principais mudanças inseridas na última revisão está a sua compatibilização com outras normas regulamentadoras que complementam o seu escopo, como as já citadas NBR 14931 e NBR 6118.  

O texto traz também as alterações nos requisitos de durabilidade, informando os cuidados levados em consideração na hora de projetar e realizar as obras em regiões sujeitas às águas agressivas e aprimora as tabelas referentes à incidência de sulfetos e sulfatos. 

Qual é a importância da NBR 12655 na gestão de obras? 

O atendimento integral às exigências desta norma é fundamental para uma boa gestão de concreto. Na prática, quem cumpre a norma está automaticamente buscando aumentar a segurança e a qualidade e a vida útil do projeto. O seu cumprimento também permite a detecção de não conformidades, quando essas existirem. 

Por ser um dos materiais mais utilizados nas estruturas executadas no país, o gestor de obras tem obrigação de ter um conhecimento sólido sobre projeto, execução, materiais usados e manutenção desse tipo de estrutura. 

É importante lembrar que as normas brasileiras voltadas à engenharia têm poder de lei, ou seja, devem obrigatoriamente ser seguidas. 

Portanto, em caso de algum problema em obra, o desacordo ao atendimento das respectivas normas pode definir quem será o responsável por arcar com os custos eventuais de reparo. 

Quais são as principais exigências da NBR 12655? 

A NBR 12655 é um instrumento essencial para o gestor de obras. Com o texto normativo, esses profissionais podem contar com referências que ajudam a balizar suas decisões dentro do canteiro

Confira alguns pontos importantes dessa norma: 

Responsabilidades 

A NBR 12655 indica as responsabilidades principais de cada profissional envolvido na construção da estrutura de concreto armado. 

Cabe ao projetista estrutural determinar a resistência necessária do concreto (FCK) e a resistência mínima para retirada de cimbramento e escoramento e aplicação de protensão, por exemplo. 

Já o responsável técnico pela obra definirá a modalidade de preparo do concreto a ser escolhida (se rodado em obra ou fornecido por concreteiras) e o tipo de concreto que será usado.  Esse profissional também recebe e aceita o concreto produzido e permite a rastreabilidade do material lançado. 

Classe de agressividade 

Tanto a NBR 12655 quanto a norma de projeto de estruturas de concreto armado (NBR 6118) trazem algumas tabelas que separam o ambiente de acordo com a sua agressividade e os requisitos mínimos que os concretos nesses ambientes devem possuir. 

Com base nessas tabelas, uma obra a ser executada em perímetro urbano é classificada como classe de agressividade “moderada”. 

Medidas dos materiais e mistura  

Segundo a NBR 12655, a medida volumétrica só pode ser realizada em concreto de classe até C20 e não estruturais. Já concretos de classe C25 ou superiores, como é a exigência mínima para obras em zonas urbanas, devem obrigatoriamente ser dosados por massa (peso). 

No caso de concreto de classe C20 ou superior, obrigatoriamente deve ser realizado um estudo de dosagem racional e experimental com antecedência. 

Nesse estudo, devem ser utilizados os mesmos materiais que serão utilizados posteriormente na obra. Esse estudo também deve atuar para que o traço a ser desenvolvido atenda às necessidades do devido projeto estrutural. 

A dosagem empírica, ou seja, sem estudos preliminares, pode somente ser utilizada para concretos de classe C10 e C15, com um consumo mínimo de cimento de 300 kg/m³. 

Ensaios de controle 

Para alcançar a qualidade e a padronização do concreto produzido, devem ser realizados os ensaios de consistência (slump) na primeira massada do dia, ao reiniciar uma jornada de trabalho com interrupção superior a duas horas, na troca de operador e cada vez que forem moldados corpos de prova e de resistência à compressão. 

Esse último exige que corpos de prova sejam moldados a cada 50 m³ de concreto ou um andar, no máximo. Devem ser moldados no mínimo dois corpos de prova por idade a ser testada (sete e 28 dias, por exemplo). 

O que define a NBR 8953 sobre a classificação do concreto?  

A NBR 8953 é uma norma técnica brasileira que classifica os concretos de acordo com sua massa específica, resistência à compressão e consistência. Conhecê-la bem é fundamental, já que é o documento que orienta a produção e o controle de qualidade de um dos materiais mais importantes da construção civil. 

Seu conteúdo especifica os requisitos para classificação do concreto, considerando os aspectos que mais influenciam no seu desempenho estrutural e durabilidade. 

Ela é dividida em classes de concreto, que variam conforme a resistência à compressão, indo desde concretos para usos estruturais mais simples até concretos de alta resistência para aplicações específicas e exigentes. 

Além disso, a NBR 8953 também aborda aspectos como a consistência do concreto, que se refere à sua capacidade de ser moldado e compactado. 

Quando a NBR 8953 se aplica? 

Entender até onde a NBR 8953 vale também é muito relevante para aplicá-la do jeito certo. E ela não atende a todos os tipos de concreto. Os tipos de material que está sob o guarda-chuva desta NBR precisa atender aos seguintes critérios: 

  • estrutura interna fechada; 
  • composto e adensado de forma a não reter ar além daquele intencionalmente incorporado; 
  • preparado a partir de mistura de cimento, agregados, água e possíveis aditivos para concreto ou adições.  

Por sua vez, a NBR 8953 não se aplica a concreto-massa, concreto projetado e concreto sem finos.  

Vale também lembrar que a NBR 8953 não determina requisitos relacionados a projeto, execução, controle e aceitação de estruturas. Todos esses aspectos são regidos por normas específicas diferentes. 

2 pontos que você precisa saber sobre a NBR 8953 

Toda NBR tem suas particularidades, e sempre vale a pena se aprofundar em alguns detalhes mais relevantes de cada uma para saber o que fazer. No caso da NBR 8953, que é muito mais específica, o documento da ABNT é bem mais sucinto e contém menor margem de erro ou interpretação, o que é algo bom. 

Ainda assim, trata de aspectos muito técnicos e que precisam ser compreendidos e levados em conta na hora de fazer a compra de materiais para a obra. 

Então aqui vão algumas dicas e recomendações mais importantes: 

1. A NBR 8953 vem acompanhada 

Algo que não é novidade alguma para quem está acostumado a trabalhar com NBRs e NRs é o fato de que elas nunca são aplicadas de forma individual. Ou seja, para aplicar as normas e diretrizes estabelecidas é preciso seguir uma série de outras NBRs. 

No caso da norma 8953, aqui estão as referências que você precisará seguir: 

  • NBR 5738, Concreto – Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova; 
  • NBR 5739, Concreto – Ensaios de compressão de corpos de prova cilíndricos; 
  • NBR 6118, Projeto de estruturas de concreto – Procedimento; 
  • NBR 6122, Projeto e execução de fundações; 
  • NBR 7187, Projeto de pontes de concreto armado e de concreto protendido – Procedimento; 
  • NBR 7212, Execução de concreto dosado em central; 
  • NBR 9062, Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado; 
  • NBR 9778, Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de água, índice de vazios e massa específica; 
  • NBR 12655, Concreto de cimento Portland – Preparo, controle e recebimento – Procedimento; 
  • NBR 14931, Execução de estruturas de concreto – Procedimento; 
  • NBR 15823-1, Concreto autoadensável – Parte 1: Classificação, controle e aceitação no estado fresco; 
  • NBR NM 67, Concreto – Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone. 

2. A NBR só trata de concreto estrutural 

Como o nome deixa bem claro, as diretrizes da NBR 8953 são exclusivas para concretos usados com fins estruturais. Isso quer dizer que ela não se aplica a elementos construtivos que tenham funções de vedação, pavimentação ou decoração – como calçadas, bancos, cobogós, balaústres, vasos etc. Nesses casos, vale consultar se existem outras normas aplicáveis. 

2 cuidados a tomar para cumprir com a NBR 8953 do jeito certo 

Depois de ver alguns pontos altos sobre a NBR, é hora de tomar nota de alguns cuidados que você terá de tomar para aplicar tudo da forma certa e não ter problemas.  

Aliás, você poderia ter 2 tipos de problemas quando o assunto é NRs ou NBRs

O primeiro é não aplicar nada. O segundo é pensar que está seguindo as normas enquanto faz errado. Em ambos os casos, as consequências podem ser sérias. Para evitar qualquer tipo de problema legal, vale a pena aplicar o que eu vou mostrar a seguir: 

1. Entenda a forma como o concreto é classificado 

Detalhes técnicos da classificação do concreto são facilmente acessíveis para quem sabe ler a descrição do material. Isso pode ajudar a ganhar tempo e evitar enganos na escolha da matéria-prima de uma obra, principalmente se for grande. 

A classificação funciona assim: 

  • O concreto é classificado primeiro com base em sua massa específica, que pode ser normal (C), leve (CL) ou denso (CD); 
  • Depois se descreve sua resistência, que é dividida entre grupos I e II, e vai de C20 a C100; 
  • Por fim, a classificação mostra sua consistência, que varia entre S10 e S220. 

Um exemplo seria C25 S100, em que C mostra que é um concreto normal, 25 é a resistência e S100 diz respeito à consistência. 

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2. Entenda as definições dos tipos de concreto 

Compreender as descrições técnicas do material é sempre bom quando se trata de seguir normas altamente específicas como a NBR 8953. Quando falamos em concreto normal, leve ou denso (também conhecido como pesado), isso é o que eles representam em termos exatos: 

  • concreto normal (C): massa específica seca entre 2 000 kg/m3 e 2 800 kg/m3 
  • concreto leve (CL): massa específica seca inferior a 2 000 kg/m3; 
  • concreto pesado ou denso (CD): massa específica seca superior a 2 800 kg/m3. 

Isso pode servir como boa referência para determinar se o concreto que a sua obra precisa estar no escopo da NBR 8953 ou se é preciso buscar outras normas para seguir. Além disso, sempre é importante lembrar que uma NBR nunca é aplicada de forma 100% individual. 

Assim, como vimos com as dezenas de referências que a NBR 8953 faz a outras normas, vale a pena consultar aspectos pontuais desses documentos em caso de dúvida.  

Outras normas que também se aplicam ao concreto usinado  

Além da NBR 12655 e da NBR 8953, outras normas técnicas da ABNT complementam o processo de produção, controle e aplicação do concreto. Entre as principais estão: 

  • NBR 7212 – Execução de concreto dosado em central: trata da produção, transporte e entrega do concreto usinado, estabelecendo prazos máximos para descarregamento e adensamento, bem como critérios de aceitação. 
  • NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto: define requisitos de dimensionamento, durabilidade e segurança estrutural, sendo a base de cálculo para projetistas. 
  • NBR 5738 – Moldagem e cura de corpos de prova: especifica os procedimentos para obtenção de amostras representativas do concreto fresco, fundamentais para o controle tecnológico. 
  • NBR 5739 – Ensaios de compressão de corpos de prova cilíndricos: descreve o método de ensaio para verificar a resistência à compressão, parâmetro essencial para a aceitação do concreto. 

Essas normas funcionam de forma integrada às NBR 12655 e 8953. Enquanto a 12655 define as regras de preparo, recebimento e controle, e a 8953 classifica os concretos quanto à resistência, consistência e massa específica, as demais asseguram que o ciclo seja fechado: projeto bem dimensionado (6118), produção controlada em central (7212), amostragem confiável (5738) e ensaios precisos (5739). 

Na prática do canteiro, essa interligação garante que o concreto fornecido pela concreteira corresponda ao que foi projetado pelo engenheiro e que os ensaios confirmem sua conformidade técnica. O resultado é mais segurança estrutural, rastreabilidade e transparência em todas as etapas da obra. 

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O que as concreteiras devem fazer para atender às normas?  

Para fornecer concreto em conformidade com a NBR 12655 e a NBR 8953, as concreteiras precisam estruturar processos de qualidade robustos e alinhados às exigências normativas. Isso envolve desde a seleção de insumos até a entrega final no canteiro. Entre as principais práticas estão: 

  1. Certificação de processo e controle de qualidade interno: manter traços de concreto certificados, com monitoramento contínuo da produção e rastreabilidade das matérias-primas utilizadas. 
  1. Laboratório de ensaio e emissão de relatórios técnicos: realizar ensaios de consistência e resistência com frequência, emitindo relatórios técnicos que comprovem a conformidade com os parâmetros normativos. 
  1. Registro e rastreabilidade dos carregamentos: documentar cada entrega, com notas fiscais e canhotos detalhando horário de carregamento, slump, quantidade e destino, assegurando transparência em caso de auditorias ou questionamentos. 
  1. Interface clara com a equipe de obra para controle e aceitação: manter comunicação técnica entre a central de concreto e o engenheiro responsável pela obra, orientando sobre recebimento, ensaios em campo e cuidados no lançamento. 

Quando essas práticas são seguidas, o fornecimento de concreto se torna mais previsível e seguro. A obra passa a contar com dados confiáveis, reduzindo falhas de comunicação entre fornecedor e construtora e assegurando que o material entregue atenda às especificações do projeto estrutural. 

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Boas práticas para compra de concreto dentro das normas técnicas   

A compra de concreto exige cuidados específicos, pois esse é um dos materiais mais críticos da Construção Civil. A escolha da concreteira, a definição correta do pedido e o controle no recebimento são etapas que influenciam diretamente na segurança, na qualidade e nos custos da obra. 

Avaliar a capacidade de produção do fornecedor 

O primeiro cuidado é verificar se a concreteira realmente tem capacidade de atender ao volume contratado. Fornecedores que assumem mais do que conseguem entregar geram atrasos e desorganização no canteiro. A concreteira confiável é aquela que apresenta cronograma claro de entregas e cumpre os prazos combinados com a equipe de obra. 

Atenção à qualidade durante a compra de concreto 

Nem todas as concreteiras seguem os mesmos padrões de qualidade. É fundamental optar por fornecedores que comprovem atendimento às normas técnicas de produção, uso de insumos qualificados e emissão de relatórios de controle. Uma concreteira séria é aquela que assume a responsabilidade em caso de falhas e mantém rastreabilidade de seus processos. 

Especificação correta do pedido 

Na hora da compra, o pedido deve ser formulado com base em parâmetros normativos — resistência (fck), consistência e dimensão máxima do agregado. Solicitações mal-feitas resultam em concreto inadequado e estimulam práticas de correção em obra, como a adição de água, que reduzem a resistência final da estrutura. 

Verificação da conformidade no recebimento 

O recebimento é uma das etapas mais críticas do processo, pois é nesse momento que se confirma se o concreto fornecido corresponde ao que foi contratado e projetado. Um controle mal feito nessa fase pode comprometer toda a estrutura, gerar retrabalhos e até litígios entre fornecedor e construtora. 

Para mais conformidade, a equipe de obra deve adotar alguns procedimentos indispensáveis: 

  • Slump test no ato da entrega: o ensaio de abatimento deve ser realizado imediatamente após a chegada do caminhão, verificando a consistência e a trabalhabilidade do concreto. Valores fora da faixa especificada indicam não conformidade. 
  • Conferência documental: a nota de remessa deve apresentar dados claros de resistência característica (fck), classe de consistência, tipo de agregado e horário de carregamento. Esses elementos precisam coincidir com o que foi solicitado em contrato. 
  • Registro de ajustes em campo: caso haja necessidade de correção, como adição de água, isso deve ser formalmente registrado no canhoto da entrega, com assinatura do responsável técnico. Essa prática protege tanto a obra quanto a concreteira em eventual análise de responsabilidades. 
  • Moldagem de corpos de prova: a coleta de amostras deve seguir a NBR 5738, de modo que os corpos de prova representem fielmente o concreto lançado. Esses corpos serão submetidos aos ensaios de compressão descritos na NBR 5739, confirmando se o concreto atingiu o fck previsto em projeto. 
  • Rastreabilidade e tecnologia: sempre que possível, utilizar ferramentas digitais para registrar informações como horário de chegada, abatimento, número do caminhão e identificação do operador. Esse histórico facilita a rastreabilidade e reduz a chance de falhas humanas. 

Lembre-se de que um recebimento bem conduzido não é burocracia: é a garantia de que o concreto lançado na estrutura estará em conformidade com as normas e com o projeto estrutural. Por isso, não deixe nenhum desses pontos de lado.  

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Planejamento e devoluções de concreto 

Um planejamento inadequado leva ao desperdício e à devolução de concreto, que chega a representar cerca de 3% do volume produzido no Brasil. Solicitar mais concreto do que o necessário é uma prática comum para evitar faltas, mas gera custos extras e impactos ambientais.  

O correto é adotar margens de perda realistas e alinhar prazos de concretagem com a concreteira, para que o material seja aplicado dentro do tempo previsto em norma. Fazer a reciclagem correta do concreto sobressalente também é uma boa opção. 

Conclusão: seguir as normas não é burocracia — é segurança e qualidade  

As normas técnicas que regem o uso do concreto, como a NBR 12655 e a NBR 8953, não devem ser vistas como um obstáculo ao andamento das obras, mas sim como ferramentas de apoio à produtividade e à segurança estrutural. Elas oferecem um caminho claro para a execução correta, desde a produção em usina até o recebimento em obra, permitindo decisões mais assertivas e reduzindo riscos. 

Cumprir as normas significa evitar retrabalhos, reduzir o surgimento de patologias nas estruturas e proteger empresas e profissionais de responsabilidades legais em caso de falhas. Além disso, fortalece a cultura de transparência, padronização e rastreabilidade, essenciais em um setor cada vez mais pressionado por prazos, custos e exigências de qualidade. 

Construtoras e concreteiras que tratam a conformidade normativa como parte da sua rotina se diferenciam no mercado. Além de atender a requisitos técnicos, elas constroem confiança, entregam obras mais seguras e contribuem para elevar o padrão da Construção Civil no Brasil. 

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