• O PBQP-h é uma certificação importante para empresas da Construção Civil que desejam se destacar no mercado e atender às exigências de qualidade em obras públicas e privadas.
  • Mais de 3.000 empresas no Brasil já são certificadas, o que facilita acesso a financiamentos e credibilidade com clientes.
  • Para obter a certificação, é necessário passar por um processo de implementação das diretrizes do programa, com apoio de consultorias, alinhamento com normas técnicas, atenção aos pontos críticos, acompanhamento de atualizações do programa e uso de soluções digitais.

Se sua construtora precisa acessar financiamentos habitacionais, participar do Minha Casa, Minha Vida ou atender exigências de incorporadoras e licitações, o PBQP-h provavelmente já apareceu como requisito.  

Este guia vai direto ao ponto: quando a certificação é necessária, como implantar o SiAC, como passar na auditoria e como manter o certificado ativo. Você encontra aqui um checklist de 7 passos, o ciclo completo de auditorias e os erros mais comuns que derrubam empresas na avaliação. 

O que é o PBQP-h e como funciona? 

Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-h) é um programa do Governo Federal, coordenado pelo Ministério das Cidades, voltado a elevar os padrões de qualidade, produtividade e modernização na construção civil habitacional. 

Na prática, ele funciona como um sistema de gestão da qualidade setorial: define requisitos mínimos para que construtoras, fornecedores de materiais e fabricantes de sistemas inovadores demonstrem conformidade com boas práticas de projeto, execução e controle de obras.  

A certificação é concedida por organismos de avaliação credenciados (OACs) e reconhecida por agentes financeiros, programas habitacionais e contratantes como evidência de capacidade técnica e organizacional. 

Além de estabelecer diretrizes para a gestão da qualidade, o programa atua junto a construtoras, projetistas, fornecedores, fabricantes de materiais e proponentes de sistemas construtivos, fortalecendo toda a cadeia produtiva da construção. É, portanto, uma ferramenta estratégica de política pública voltada à qualificação técnica, responsabilidade social e inovação no setor. 

Todas as regras, requisitos e listas de empresas certificadas estão disponíveis no portal oficial do PBQP-h

Objetivos principais do PBQP-h 

Segundo o Governo Federal, os objetivos centrais do programa são: 

  • Avaliar a conformidade de empresas de serviços e obras; 
  • Melhorar a qualidade de materiais e processos; 
  • Estimular a normalização técnica e a inovação; 
  • Informar o consumidor e fortalecer a comunicação entre os agentes do setor. 

Para garantir o alcance desses objetivos, o programa funciona principalmente com avaliações da conformidade de empresas de serviços e obras. O que proporciona melhorias na qualidade no setor de construção civil e atualização tecnológica nas empresas que adotam as diretrizes do PBQP-h. 

Quando o PBQP-h é necessário? 

Antes de iniciar qualquer processo de implantação, vale responder: a certificação é uma exigência real para o meu negócio ou uma oportunidade estratégica? 

A certificação PBQP-h é exigida (ou praticamente exigida) quando: 

  • A obra é financiada pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ou por programas de crédito habitacional da Caixa Econômica Federal ou do FGTS 
  • O contrato ou edital prevê o PBQP-h como requisito de habilitação técnica 
  • A incorporadora ou contratante exige certificação no processo de homologação de fornecedores 

Fora do contexto de obrigatoriedade, o PBQP-h pode ser uma vantagem competitiva para empresas que buscam diferenciação técnica, acesso a novos mercados corporativos ou melhoria sistêmica dos processos de obra. Nesses casos, a decisão deve considerar o custo de implantação, o porte da empresa e o volume de obras no escopo. 

Importante: MCMV e crédito habitacional – se sua empresa opera com financiamentos habitacionais, valide as exigências do edital ou do financiador antes de iniciar qualquer projeto. Os requisitos de nível (A ou B) e os prazos de certificação são definidos contratualmente e variam por modalidade de financiamento. 

💡 Veja também: 

Os 3 sistemas: SiAC, SiMaC e SiNAT 

O PBQP-h é estruturado em três sistemas complementares oficiais para medir a qualidade das empresas: SiAC, SiMaC e o SiNAT, cada um voltado a um segmento da cadeia da construção: 

Sistema Para quem O que certifica 
SiAC Construtoras e incorporadoras Gestão da qualidade em obras habitacionais: processos, controle tecnológico, rastreabilidade, inspeções de serviços 
SiMaC Fabricantes de materiais e componentes Conformidade de produtos com normas técnicas (cimento, cal, cerâmica, blocos, tubulações etc.) 
SiNAT Fabricantes de sistemas inovadores Avaliação técnica de sistemas construtivos sem normalização consolidada (DATec) 

Para a maioria das construtoras, o sistema relevante é o SiAC. O SiMaC é voltado a industriais e fabricantes de materiais. O SiNAT interessa a empresas que desenvolvem ou utilizam sistemas construtivos inovadores sem norma ABNT estabelecida. 

SiAC na prática: níveis, auditorias e ciclo de certificação 

O SiAC é estruturado em torno de alguns princípios que explicam como o sistema funciona na prática: segue um regimento único nacional, válido para todas as construtoras do país.  

Ele tem caráter evolutivo, permitindo que empresas ingressem pelo Nível B e avancem para o Nível A conforme amadurecem seus processos; é revisado periodicamente junto a entidades do setor (última atualização em 2021); exige que materiais e sistemas utilizados nas obras sejam qualificados pelo SiMaC ou SiNAT; e tem suas auditorias conduzidas por OACs independentes credenciados pelo Inmetro, garantindo isenção nos resultados. 

Nível A ou B: como escolher 

O SiAC possui dois níveis com requisitos progressivos: 

Nível B abrange os requisitos parciais do SGQ: controle de serviços, inspeção e rastreabilidade de materiais nos serviços controlados. É voltado para empresas em fase inicial de implementação, com menor volume de obras ou que precisam de certificação em prazo mais curto. Serve como porta de entrada, com foco na evolução gradual até o Nível A. 

Nível A inclui todos os elementos do Nível B, acrescidos de gestão de projetos, contratos, compras, assistência técnica e análise crítica pela direção. É indicado para construtoras com maior maturidade organizacional e é exigido por determinados financiadores e programas habitacionais. Também serve como base para uma eventual certificação ISO 9001

Desde 2018, os critérios do SiAC estão alinhados às exigências da ABNT NBR 15.575 — Edificações Habitacionais: Desempenho. A versão atual do regimento, com as atualizações mais recentes, foi publicada em 2021. 

Antes de decidir: verifique o edital ou contrato. Alguns programas habitacionais exigem especificamente o Nível A. Iniciar pelo nível errado pode gerar atrasos no acesso ao financiamento. 

Ciclo oficial de certificação SiAC 

O ciclo dura 36 meses e inclui três momentos obrigatórios de auditoria com um OAC credenciado: 

  • Mês 0 — Auditoria inicial: avaliação completa do SGQ implantado. Concessão do certificado, se aprovado. 
  • 12 meses — Avaliação de manutenção: verificação da continuidade e eficácia do SGQ. Análise de não conformidades e evidências de obra. 
  • 24 meses — Avaliação de manutenção: segunda verificação periódica. Evidências de evolução e manutenção dos processos. 
  • 36 meses — Recertificação: reavaliação completa do SGQ. Início de novo ciclo se aprovado. 

As avaliações em 12 e 24 meses são obrigatórias para manutenção da validade do certificado. A ausência de evidências nessas avaliações pode resultar em suspensão ou cancelamento da certificação antes do prazo de recertificação. 

Dica operacional: trate as avaliações de 12 e 24 meses como mini-recertificações. Mantenha um calendário de registros ao longo do ano — auditores verificam a regularidade das evidências, não a quantidade produzida na véspera. 

Antes de solicitar a certificação: pré-requisitos importantes 

Antes de agendar a auditoria com um OAC, verifique se sua empresa atende aos pré-requisitos do programa: 

  • Obra em andamento: na auditoria de certificação, é necessário comprovar que a empresa já executou pelo menos metade dos serviços controlados previstos no escopo. 
  • Adequação ao SiAC: a empresa deve estar praticando todas as ações exigidas pela norma, de acordo com o nível (A ou B) pretendido. 

Atenção, empreiteiras: para conquistar o PBQP-h, a empreiteira deve possuir responsabilidade da empreitada global da obra, não apenas parcial, conforme declarado no ART. É necessário também um contrato registrado em cartório com o proprietário da obra. 

Passo a passo para implantar o PBQP-h SiAC 

A implantação segue uma lógica progressiva: primeiro estrutura, depois rotinas, depois evidências. O processo completo, da decisão à auditoria inicial, costuma levar entre 4 e 12 meses dependendo da maturidade dos processos da empresa. 

1. Conhecer e definir o escopo da norma SiAC Estude os requisitos do nível (A ou B) que sua empresa pretende alcançar e determine quais obras e atividades estão no escopo da certificação. Designe um responsável pelo SGQ — preferencialmente com autoridade para cobrar rotinas de obra. Quando a empresa possui um profissional interno capaz de liderar esse processo, a certificação tende a ser menos onerosa. 

2. Realizar diagnóstico de lacunas Compare os processos atuais com os requisitos do SiAC escolhido. Identifique o que já existe, o que precisa ser criado e o que precisa ser formalizado. Entre os principais pontos exigidos pela norma estão: manual da qualidade, controle de documentos e registros, política da qualidade, gestão de competências da equipe, planejamento de execução de obras, controle tecnológico, auditorias internas e adoção do PGR (Plano de Gerenciamento de Riscos)

3. Estruturar o SGQ e a documentação Elabore ou adapte o Manual da Qualidade, os Procedimentos do Sistema de Gestão (PSGs) e os Procedimentos de Execução de Serviços (PES). Implante controle de documentos, registros e rastreabilidade de materiais. Essa adequação pode ser conduzida internamente ou com o apoio de uma consultoria especializada — o que é bastante recomendado para evitar erros comuns em primeira certificação. 

4. Implantar rotinas de obra  

Coloque em prática os serviços controlados definidos no escopo: inspeções de serviços, controle tecnológico de materiais (ensaios, laudos), registro de não conformidades e planos de ação. Treine os responsáveis de campo. O uso de metodologias como Lean Construction pode ajudar a otimizar recursos e reduzir desperdícios ao longo desse processo. Para estruturar os registros de inspeção, a Sienge disponibiliza gratuitamente uma Planilha de Inspeção de Serviços (PES) com campos para critérios de aceite, resultado e responsável por serviço controlado. 

5. Realizar auditoria interna Antes da auditoria com o OAC, conduza uma auditoria interna completa para identificar não conformidades. Uma pré-auditoria voluntária com o próprio OAC, embora não obrigatória, ajuda a identificar pontos de ajuste antes da avaliação definitiva — aumentando significativamente as chances de aprovação na primeira tentativa. 

6. Contratar OAC credenciado e realizar auditoria inicial Escolha um Organismo de Avaliação da Conformidade credenciado pelo Inmetro (Cgcre) e solicite a auditoria informando o nível pretendido (A ou B). Durante a auditoria, tenha os registros de obra organizados e o responsável pelo SGQ disponível. Se aprovada, o próprio OAC envia os dados ao PBQP-h, que publica as informações da empresa certificada no portal oficial. 

7. Manter o SGQ ativo: avaliações em 12 e 24 meses + recertificação em 36 Após a certificação, crie um calendário de manutenção: auditorias internas semestrais, reuniões de análise crítica, controle de calibração de equipamentos e atualização de documentos. Prepare-se para as avaliações de manutenção com o mesmo rigor da auditoria inicial. Se a empresa estiver no Nível B e desejar evoluir para o Nível A, a recertificação em 36 meses é o momento ideal para ajustar o sistema. 

Erros mais comuns que derrubam a certificação 

A maioria das não conformidades encontradas em auditorias SiAC tem causas-raiz recorrentes. Conhecê-las antecipadamente é a forma mais eficiente de evitar reprovações. 

Rastreabilidade e controle tecnológico incompletos Materiais sem laudos de ensaio, notas fiscais sem vinculação ao serviço ou lote de aplicação, ausência de mapa de concretagem e resultados de controle tecnológico não registrados ou fora do prazo. É a não conformidade mais frequente em auditorias de campo. 

Documentação inconsistente ou desatualizada Versões antigas de procedimentos ainda em uso em obra, PES sem revisão após mudanças de método construtivo e Manual da Qualidade desatualizado — sem indicação do nível de certificação pretendido, referência correta à norma auditada ou alinhamento com as práticas reais da empresa. 

Treinamentos não evidenciados Funcionários executando serviços controlados sem registro de capacitação. O SiAC exige que a empresa defina competências necessárias para cada função crítica — formação, experiência e treinamentos — e mantenha registros com evidência de avaliação de eficácia. 

Equipamentos de medição sem calibração Trenas, níveis, medidores de umidade e outros instrumentos sem certificado de calibração válido ou sem procedimento de verificação periódica. O SiAC exige rastreabilidade metrológica dos equipamentos usados no controle de qualidade. 

Armazenamento inadequado de materiais controlados Cimento, cal, blocos e aço estocados com lotes misturados, expostos a intempéries ou sem identificação de status (aprovado, aguardando análise, reprovado). A gestão do almoxarifado em obra é frequentemente negligenciada nas auditorias. 

Descrições de cargo desconectadas da realidade Perfis de função que não correspondem à equipe real da empresa, sem comprovação de competências ou sem vínculo com os registros de treinamento existentes. 

PBQP-h é gestão, rotina e evidência. A certificação não acontece na auditoria, ela é construída registro a registro, inspeção a inspeção, ao longo de toda a obra. Ferramentas digitais que organizam o controle de qualidade em campo ajudam a manter esse padrão de forma consistente, reduzindo o risco de não conformidades e facilitando a preparação para cada avaliação do ciclo.

Construpoint é uma das formas de organizar registros e inspeções de qualidade diretamente no canteiro, sem prometer a certificação, mas tornando o caminho até ela mais rastreável. 

Perguntas frequentes sobre o PBQP-h

O PBQP-h é obrigatório para minha construtora?

Depende do modelo de negócio. É exigido para construtoras que operam com financiamentos habitacionais (MCMV, Caixa, FGTS) ou participam de licitações e contratos que preveem a certificação como requisito. Fora desses casos, pode ser uma exigência contratual de clientes ou incorporadoras. Verifique os editais e contratos do seu mercado. 

Qual a diferença entre SiAC, SiMaC e SiNAT? 

O SiAC certifica construtoras quanto à gestão da qualidade em obras. O SiMaC certifica fabricantes de materiais quanto à conformidade dos produtos com normas técnicas. O SiNAT concede a Avaliação Técnica (DATec) para sistemas construtivos inovadores sem normalização ABNT estabelecida. Para quem executa obras, o SiAC é o único subsistema relevante. 

Como é a auditoria SiAC e quanto tempo dura a certificação?

A certificação tem validade de 36 meses, com avaliações intermediárias obrigatórias em 12 e 24 meses. A auditoria inicial é realizada por um OAC credenciado e verifica documentação do SGQ e evidências de campo. O prazo para chegar à primeira auditoria varia de 4 a 12 meses, dependendo do estágio atual dos processos da empresa. 

Preciso contratar consultoria para implantar o PBQP-h? 

Não é obrigatório, mas é recomendado para empresas em primeira certificação. “Para o PBQP-h, é necessário que a construtora esteja disposta a se engajar por inteiro. Trata-se de um processo de adequação a padrões e isso requer, muitas vezes, uma mudança de cultura”, destaca Juliana Santos, engenheira de meio ambiente e qualidade do Grupo EPO. Quando a empresa possui um profissional interno capaz de liderar o processo, a certificação tende a ser menos onerosa. 

O que mais reprova em uma auditoria PBQP-h?

Rastreabilidade de materiais incompleta, documentação desatualizada em obra, ausência de registros de treinamento para funções críticas, equipamentos de medição sem calibração válida e armazenamento inadequado de materiais controlados. A maioria das falhas não é de conhecimento técnico, mas de falta de rotina ao longo do ciclo. 

Andre Campos do Sienge Construpoint
Andre Campos do Sienge Construpoint

Engenheiro Civil com sólida trajetória na transformação comercial de empresas por meio de tecnologia, dados e processos. Atua há 10 anos com desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e digitalização na construção civil, com forte experiência se relacionando com grandes construtoras como MRV, Direcional, Tecnisa, MPD, entre outras.