No 2T26, a falta ou o alto custo de matéria-prima perdeu espaço entre os principais problemas apontados pelas empresas da Construção. O indicador caiu de 16% no 1T26 para 10,1% no 2T26, passando da 6ª para a 11ª posição na lista de preocupações do setor. Esse movimento sinaliza uma percepção de menor pressão sobre os materiais no agregado.
Para quem acompanha compras, porém, esse alívio agregado exige cuidado. Uma redução na percepção geral sobre matérias-primas não significa que todos os itens da cesta estejam seguindo a mesma direção.
O preço de materiais de construção 2026 pode apresentar variações distintas entre cimento, aço, materiais de base e itens de acabamento. Usar uma média do mercado como referência para toda a política de compras pode esconder essas diferenças.
Por isso, a decisão sobre quando comprar material de obra precisa partir do comportamento de cada insumo e da necessidade da obra. Neste conteúdo, você vai entender como cruzar preço, consumo, fase do empreendimento e prazo de abastecimento para avaliar a antecipação ou postergação de compras, e muito mais.
O que os índices dizem sobre 2026 até aqui
Os índices gerais apontam para uma desaceleração no ritmo dos custos da Construção. O INCC-M passou de 0,85% em junho para 0,62% em julho, reforçando a percepção de uma menor pressão no período.
A indústria de materiais também apresentou um primeiro semestre mais fraco. O Índice ABRAMAT fechou o 1S26 com queda de 3,4% no faturamento deflacionado. Diante desse desempenho, a própria entidade revisou sua projeção para 2026, reduzindo a expectativa de crescimento de 1,9% para 0,5%.
Os dados de julho, porém, acrescentam um sinal diferente a esse quadro. O Panorama ABRAMAT mostrou que os indicadores de intenção de compra de insumos de base subiram 24 pontos, enquanto os de acabamento avançaram 16 pontos, atingindo o maior patamar da série para o mês.
Para quem acompanha o preço de materiais de construção 2026 e o IPMC, os números sugerem cautela com interpretações baseadas em um único indicador. O primeiro semestre foi marcado por desempenho mais fraco, enquanto os dados mais recentes apontam aumento da atividade em determinados grupos de materiais. Essa diferença é ainda mais evidente quando a decisão envolve antecipar ou postergar uma compra.
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Por que a média engana
Uma média consegue resumir o comportamento de um conjunto de materiais da indústria da construção, mas não mostra o que acontece com cada item da cesta individualmente.
Para suprimentos, essa diferença importa porque dois insumos relevantes podem estar seguindo direções opostas no mesmo período. O preço de um pode pressionar o orçamento enquanto o comportamento da demanda pelo outro aponta para uma dinâmica diferente.
Vamos ver abaixo algumas das principais variações até o período.
Cimento em alta
O cimento apresentou avanço de 2,08% em junho, acumulando 3,1% em 12 meses, segundo o SNIC. Isso indica uma pressão de preço que pode exigir atenção de quem tem consumo relevante do material no cronograma próximo.
Aço em queda de consumo
Por outro lado, o comportamento do aço foi diferente. O consumo caiu 5,07% em junho, marcando o terceiro mês consecutivo de queda, enquanto o consumo acumulado em 12 meses ficou em -5,37%, conforme os dados do Instituto Aço Brasil. A retração da demanda cria uma dinâmica diferente daquela observada no cimento.
O impacto na obra muda conforme a fase
Uma obra na fase de estrutura pode ter o aço entre os itens de maior impacto nas compras do período. Se o consumo está recuando, a estratégia pode considerar esse comportamento antes de antecipar volumes.
Já uma obra em fase de acabamento pode ter uma composição de materiais completamente diferente, com outros itens determinando o momento de compra.
Por isso, usar o mesmo sinal de mercado para empreendimentos em fases distintas pode levar a decisões diferentes das necessidades reais de cada obra. O índice descreve o mercado; a cesta descreve a sua obra.
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Juro real: o sinal que antecede o consumo de cimento e aço
O comportamento dos juros ajuda a antecipar a demanda por materiais antes que ela apareça nos preços. Historicamente, períodos de queda do juro real tendem a anteceder aceleração no consumo de cimento e aço, enquanto a alta dos juros costuma vir antes de uma desaceleração.
Essa relação não funciona como previsão fechada. Oferta e prazo de entrega também interferem no comportamento dos materiais, por isso o juro real deve ser usado como referência de cenário, ao lado dos dados de preço e consumo de cada insumo.
Para suprimentos, o sinal vale como acompanhamento: um ciclo de cortes na Selic pode indicar que a demanda por insumos de estrutura tende a se aquecer nos meses seguintes, o que pesa na decisão de antecipar ou não volumes.
Em agosto de 2026, a Selic estava em 14% ao ano, após o quarto corte consecutivo. Na reunião de setembro, realizada nos dias 15 e 16, o Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, no quinto corte seguido.
Veja também: Macroeconomia e matemática financeira são essenciais para boas compras
Como isso muda a decisão de compra em obras
A divergência entre os insumos muda a forma de definir o momento da compra na construção civil. Em vez de aplicar uma mesma regra à cesta inteira, vale avaliar cada material a partir de quatro variáveis:
- Curva de preço e consumo: a antecipação pode fazer sentido quando o insumo apresenta trajetória de alta e o consumo permanece estável. Isso não significa antecipar toda a cesta de compras.
- Cronograma de suprimentos: a fase da obra define quando determinado material será necessário. Um item previsto para as próximas semanas exige uma decisão diferente daquele que só será utilizado em uma etapa futura.
- Curva ABC: o peso financeiro do item ajuda a definir a prioridade. Uma alta de 5% em um material de grande participação no orçamento pode afetar a margem, enquanto a mesma variação em um item de cauda longa tende a ter impacto menor.
- Lead time: o prazo entre o pedido e a entrega pode pesar mais que uma pequena diferença de preço. Quando o fornecimento é demorado, esperar uma eventual queda pode criar um risco de abastecimento e afetar o cronograma da obra.
Ou seja, basicamente, o momento de compra surgiria do cruzamento dessas variáveis. Preço, consumo, fase da obra e prazo de fornecimento precisam ser analisados em conjunto para definir onde vale antecipar, onde é possível esperar e quais itens merecem acompanhamento mais próximo.
Veja também:
Como usar um plano de compras eficiente na indústria da construção
Cronograma de suprimentos: o que é e como fazer o seu
O que é a Curva ABC e como fazer na sua obra?
O que é lead time e qual sua importância na construção civil
O que o comprador precisa ter na mão para decidir
Tomar uma decisão de compra com base apenas nos índices de mercado deixa de fora uma informação importante: como aquele insumo se comporta nas compras da própria construtora?
O histórico de preço praticado pela empresa mostra valores negociados, condições obtidas e períodos de maior ou menor pressão nas cotações. É uma referência mais próxima da realidade das obras do que um indicador agregado do mercado. A mesma lógica vale para os fornecedores.
Uma base de fornecedores homologados precisa registrar o desempenho de cada parceiro ao longo das compras. Preço é uma variável, mas prazo de entrega, qualidade, cumprimento do combinado e recorrência de problemas também ajudam a entender qual fornecedor oferece condições consistentes para cada tipo de aquisição.
Na comparação entre propostas, critérios de equalização também evitam que valores aparentemente menores sejam comparados em condições diferentes. Frete, prazo, condições comerciais, especificação do material e demais componentes da proposta precisam estar na mesma base antes da decisão.
Nesse momento, uma ferramenta que pode ser muito útil é o mapa de cotação. Através dele, você consegue organizar a comparação das propostas e facilitar a visualização das condições apresentadas pelos fornecedores.
Veja também: Como comparar fornecedores de forma justa
Decisão de compra pede histórico próprio, não só índice de mercado
Índices de mercado ajudam a entender tendências, mas a decisão de compra ganha precisão mesmo quando o comprador também conhece o histórico da própria construtora. Preços praticados nas cotações, comportamento dos fornecedores e desempenho das negociações formam uma base mais próxima da realidade de cada operação.
É nesse ponto que o Sienge Construcompras entra como apoio à gestão estratégica de fornecedores e à inteligência de preço.
A solução reúne histórico de cotações e informações sobre o desempenho dos fornecedores, permitindo acompanhar a evolução das negociações e usar esses dados como referência nas próximas decisões de compra.
Para o gerente ou coordenador de suprimentos, ter esse histórico organizado ajuda a transformar a cotação de uma decisão pontual em uma análise baseada no comportamento acumulado da operação. Ou seja, o resultado aparece no dia a dia da operação.
Quer dar mais consistência às decisões de compra da sua construtora? Conheça o Sienge Construcompras e veja como a gestão de fornecedores e o histórico das cotações podem apoiar sua estratégia de suprimentos.
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Perguntas frequentes sobre preço de materiais de construção 2026
Quanto o INCC-M variou em junho e julho de 2026?
O INCC-M passou de 0,85% em junho para 0,62% em julho de 2026, o que indica desaceleração no ritmo dos custos da Construção. Essa desaceleração descreve o comportamento médio do mercado e não garante que cada material da cesta de compras tenha seguido a mesma direção no período.
Queda no consumo de aço significa que o preço do aço caiu?
Não necessariamente, porque a queda no consumo de aço mede a demanda, e não o preço. Segundo o Instituto Aço Brasil, o consumo de aço caiu 5,07% em junho de 2026, terceiro mês consecutivo de queda, e acumulou -5,37% em 12 meses, uma retração de demanda que cria uma dinâmica diferente da observada no cimento.
A falta de matéria-prima ainda preocupa as construtoras em 2026?
A falta ou o alto custo de matéria-prima perdeu espaço entre as preocupações das empresas da Construção em 2026. O indicador caiu de 16,0% no 1T26 para 10,1% no 2T26, passando da 6ª para a 11ª posição entre os problemas apontados, o que sinaliza menor pressão percebida sobre os materiais no agregado.
O que mudou na projeção da ABRAMAT para a indústria de materiais em 2026?
A ABRAMAT reduziu a expectativa de crescimento da indústria de materiais de construção em 2026 de 1,9% para 0,5%. A revisão veio depois de um primeiro semestre fraco, em que o Índice ABRAMAT fechou o 1S26 com queda de 3,4% no faturamento deflacionado, embora os dados de julho tenham mostrado alta na intenção de compra de insumos de base e de acabamento.
Quando vale antecipar a compra de material de obra?
Antecipar a compra de material de obra vale a pena quando o insumo apresenta trajetória de alta de preço e o consumo permanece estável, e não para a cesta inteira. A decisão também depende da fase da obra, que define quando o material será necessário, e do lead time, já que esperar uma eventual queda de preço pode criar risco de abastecimento.
Engenheiro Civil com sólida trajetória na transformação comercial de empresas por meio de tecnologia, dados e processos. Atua há 10 anos com desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e digitalização na construção civil, com forte experiência se relacionando com grandes construtoras como MRV, Direcional, Tecnisa, MPD, entre outras.


