- Redes de proteção são essenciais para prevenir quedas em obras da Construção Civil
- ABNT publicou novas normas que detalham critérios de fabricação, instalação e uso desses sistemas de proteção
- As normas regulamentadoras e técnicas da ABNT estabelecem requisitos claros para prevenção de quedas e segurança nas obras
A rede de proteção obra é um dos elementos mais importantes para prevenir quedas na Construção Civil brasileira. Apesar dos avanços em gestão de segurança do trabalho, o trabalho em altura continua liderando os acidentes graves e fatais nos canteiros, gerando impactos humanos, financeiros e jurídicos para construtoras de todos os portes.
Nesse cenário, o uso correto de redes de proteção e sistemas de guarda-corpos provisórios torna-se uma estratégia essencial para proteger vidas e manter a produtividade.
Pensando em incentivar as práticas de proteção e segurança nesses aspectos, em julho de 2024, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou três novas normas que detalham critérios de fabricação, instalação e uso desses sistemas de proteção coletiva, estabelecendo parâmetros mais rigorosos e claros para o setor.
Neste artigo, você vai entender o que mudou com as novas NBRs, por que as redes de proteção são prioridade nas obras, como escolher o sistema adequado e muito mais.
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Por que redes de proteção são tema prioritário nas obras?
Prevenir quedas de altura em obras sempre foi um desafio, mas os números recentes mostram que essa é uma urgência que precisa sair do papel. Em 2023, o Brasil registrou quase 500 mil acidentes de trabalho, resultando em 2.888 mortes, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
As quedas de altura representam aproximadamente 40% de todos os acidentes ocupacionais no país e, dentro desse total, cerca de 65% acontecem em atividades da Construção Civil, um dos setores com maior índice de acidentes fatais no Brasil.
As consequências vão além dos impactos físicos e emocionais aos trabalhadores e suas famílias. Acidentes graves e fatais geram afastamentos prolongados, processos judiciais, aumento de custos operacionais e prejuízos à reputação das construtoras.
Em boa parte dos casos, essas quedas poderiam ser evitadas com medidas de proteção coletiva e individuais adequadas, como EPIs, redes de segurança e guarda-corpos provisórios instalados conforme as normas. Esses equipamentos funcionam como barreiras físicas capazes de amparar pessoas ou conter materiais que possam cair de níveis elevados, protegendo quem trabalha ou circula no entorno da obra.
A publicação recente de novas normas técnicas brasileiras reforça ainda mais a necessidade de utilizar rede de proteção obra. Investir nesses equipamentos significa atender à legislação, mas também preservar vidas, reduzir custos com acidentes e manter a continuidade dos projetos sem interrupções ou passivos trabalhistas.
O que diz a legislação sobre proteção contra quedas em obras?
A legislação brasileira estabelece requisitos claros para prevenção de quedas na Construção Civil, abrangendo tanto normas regulamentadoras (NRs) quanto normas técnicas que detalham a aplicação prática dessas exigências. Vamos ver a seguir as principais delas.
NR 35 – Trabalho em altura
A NR 35 – Trabalho em Altura trata especificamente das atividades executadas acima de 2 metros do nível inferior, onde haja risco de queda. Ela define responsabilidades do empregador e do trabalhador, requisitos mínimos de segurança, treinamentos obrigatórios e medidas de proteção coletiva e individual. Entre essas medidas, está o uso de sistemas de ancoragem, linhas de vida, cintos de segurança tipo paraquedista e redes de proteção dimensionadas de acordo com as normas técnicas. A NR 35 funciona como base legal para qualquer atividade em altura, seja qual for o tipo de obra.
NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na Construção Civil
Complementando a NR 35, a NR 18 regulamenta as condições de segurança e saúde nos canteiros de obras. Ela exige a adoção de sistemas de proteção coletiva, como guarda-corpos, plataformas de proteção e redes de segurança, sempre que houver risco de queda. A norma estabelece que esses sistemas sejam projetados e instalados antes do início dos trabalhos em altura, garantindo a integridade física de trabalhadores e terceiros que circulem pelo local.
Normas técnicas da ABNT
Além das normas regulamentadoras, existem as normas técnicas da ABNT, que detalham requisitos específicos para fabricação e uso seguro dos sistemas de proteção.
Entre elas estão:
- NBR 17152-1:2024 e NBR 17152-2:2024: tratam sobre as redes de segurança contra quedas (fabricação e instalação);
- NBR 17164:2024: trata especificamente sobre os sistemas provisórios de guarda-corpos.
Essas normas fornecem diretrizes técnicas que orientam como atender aos requisitos legais da melhor forma. Vamos detalhar essas novas NBRs a seguir e entender o que muda na prática para as construtoras.
Novas NBRs: o que muda com as atualizações
As novas normas técnicas publicadas em julho de 2024 trouxeram avanços importantes para a segurança em altura, detalhando requisitos que agora passam a ser parte do dia a dia das obras (CBIC). São eles:
ABNT NBR 17152-1:2024 – Requisitos e métodos de ensaio
A primeira parte da norma estabelece critérios técnicos rigorosos para fabricação de redes de segurança contra quedas. Entre as exigências, estão ensaios de resistência mínima à tração e testes dinâmicos com esferas de até 100kg para simular quedas reais.
Além disso, passam a ser obrigatórios os ensaios de envelhecimento por radiação UV, garantindo que as redes mantenham suas propriedades mesmo quando expostas ao tempo por longos períodos (Sinduscon-SP).
Essa atualização representa um avanço expressivo, pois cria critérios de desempenho mais confiáveis para os fabricantes e amplia a segurança no canteiro, ao passo que obriga construtoras a utilizarem redes devidamente certificadas e testadas para cada aplicação.
ABNT NBR 17152-2:2024 – Diretrizes de instalação
Já a segunda parte da norma traz orientações detalhadas para a instalação correta das redes, incluindo métodos de fixação, força mínima nas ancoragens, altura máxima de queda e distância de segurança abaixo das redes.
Um ponto importante é que ela exclui redes do tipo S com área inferior a 35 m² ou lado menor que 5m, exigindo, nesses casos, avaliações técnicas específicas.
Além de padronizar o processo de instalação, a norma exige que fabricantes forneçam manuais técnicos completos, com instruções claras de montagem e manutenção, o que fortalece a segurança e reduz falhas operacionais nos canteiros.
ABNT NBR 17164:2024 – Sistemas provisórios de guarda-corpos
Pela primeira vez no Brasil, os guarda-corpos provisórios utilizados em obras passaram a ter regulamentação própria. Inspirada na norma europeia EN 13374, a NBR 17164 define requisitos de fabricação, cálculo estrutural e métodos de ensaio dinâmico com impactos que podem chegar a 1.100 J.
A norma classifica os sistemas em três categorias (A, B e C), conforme o tipo de aplicação e exposição ao risco de queda.
Outro avanço é a obrigatoriedade de marcação individual em cada peça, facilitando rastreabilidade, além da exigência de laudo técnico ou ART assinada por profissional habilitado para projetos e instalação. Esses requisitos elevam o nível de segurança e profissionalismo, além de padronizar práticas até então pouco regulamentadas no país.
Impactos na obra: o que as construtoras precisam adaptar?
As novas normas publicadas em 2024 trazem mudanças práticas que exigem atenção imediata das construtoras. A começar pelos procedimentos internos, que precisam ser revisados para incluir projetos específicos de redes de proteção e guarda-corpos já na etapa de planejamento de segurança da obra.
Além de adquirir equipamentos certificados, é necessário dimensioná-los corretamente para cada aplicação, seguindo as orientações técnicas de instalação, ensaios e manutenção previstos nas normas. Essas adaptações são essenciais não só para obras residenciais e comerciais, mas também para redes de proteção para edificações em geral, como shoppings e galpões industriais.
Outro ponto crítico é a capacitação das equipes. Os treinamentos devem contemplar desde o entendimento básico das novas NBRs até a prática de montagem, inspeção e desmontagem de redes de segurança e sistemas provisórios de guarda-corpos, sempre sob supervisão de profissionais habilitados. Com isso, diminui-se o risco de falhas na instalação, que podem anular a eficácia dos equipamentos mesmo que sejam certificados.
Vale lembrar que essas normas também se conectam diretamente com a ABNT NBR 16046:2012, que já estabelece critérios de fabricação, dimensionamento e instalação de redes de proteção para Construção Civil. Enquanto a NBR 16046 apresenta parâmetros gerais e métodos de ensaio para redes de segurança, as novas normas aprofundam requisitos, classificações e especificações de uso, criando um conjunto técnico mais robusto e completo para projetos de proteção coletiva contra quedas.
Portanto, as construtoras devem revisar seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) e Procedimentos Operacionais Padrão (POP), atualizando documentos e práticas conforme os novos critérios técnicos.

Escolhendo a rede de proteção ideal: requisitos técnicos e de instalação
As redes de proteção são itens essenciais para segurança contra quedas em obras, mas escolher o modelo adequado requer atenção aos requisitos técnicos e à correta instalação, de acordo com as novas normas e especificidades de cada projeto.
Tipos de redes, resistência e pontos de ancoragem
Ao escolher uma tela rede de proteção para obras, é preciso considerar o material (polietileno ou poliamida), a resistência à tração mínima exigida, a malha e o tipo de sistema (S, T, U ou V). Redes de polietileno são amplamente usadas como contenção de materiais e detritos, enquanto as de poliamida têm maior capacidade de absorver impactos de quedas de pessoas, desde que projetadas para essa função.
Outro ponto fundamental é a definição dos pontos de ancoragem. Eles devem ser dimensionados e testados para suportar a força gerada pelo impacto, considerando as orientações da ABNT NBR 16046:2012 e as novas NBR 17152 e 17164. Uma instalação incorreta compromete toda a eficácia do sistema, gerando riscos de acidentes graves mesmo quando a rede utilizada possui certificação.
Diferenças entre redes para estruturas horizontais e verticais
As redes de proteção podem ser aplicadas em estruturas horizontais, como plataformas e lajes, ou em verticais, como fachadas e perímetros de andaimes. Em aplicações horizontais, o objetivo principal é reter quedas de pessoas que transitem sobre estruturas abertas. Já nas verticais, a função é conter materiais ou pessoas que possam cair lateralmente, além de reduzir a projeção de detritos para áreas externas. Cada aplicação exige especificação e cálculo técnico próprio para proporcionar a resistência adequada.
Aplicações práticas da tela rede de proteção para obras
Na prática, a tela rede de proteção para obras é utilizada em diversos pontos do canteiro: em plataformas de proteção coletiva, no perímetro de fachadas, em andaimes tubulares e em estruturas metálicas ou de concreto em construção. Além de prevenir acidentes com trabalhadores, essas telas reduzem a projeção de materiais, protegendo áreas vizinhas e pessoas que circulam próximas ao canteiro.
Quanto custa colocar rede de proteção e sistemas provisórios?
Os custos de instalação de redes de proteção variam conforme o tipo de sistema, material, certificação exigida e complexidade do projeto. Em média, o fornecimento e instalação de redes de proteção para Construção Civil gira em torno de R$ 25,00 a R$ 60,00 por metro quadrado, dependendo do tipo de tela e do local de instalação. Já os sistemas provisórios de guarda-corpos possuem custo médio entre R$ 80,00 e R$ 200,00 por metro linear, considerando materiais certificados, projeto técnico e montagem.
Entre os fatores que mais influenciam o custo estão a altura da obra, os pontos de ancoragem disponíveis, o tipo de estrutura (alvenaria, metálica ou concreto) e a necessidade de projetos ou laudos específicos. Por isso, incluir o custo de redes e guarda-corpos no orçamento de segurança é essencial para evitar atrasos ou adequações de última hora.
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Boas práticas e erros comuns na implementação
Mesmo com o avanço das normas e a disponibilidade de redes de proteção certificadas, erros na instalação e uso ainda são causas frequentes de acidentes em obras. Adotar boas práticas no planejamento, instalação e manutenção desses sistemas é essencial para garantir sua eficácia.
Verifique sempre a certificação e especificação correta
Um erro comum é adquirir redes sem a certificação conforme a ABNT NBR 16046:2012 e as novas normas publicadas. Antes de comprar, confira a resistência à tração, o tipo de sistema indicado (S, T, U ou V) e o manual técnico do fabricante. Redes fora de especificação podem não suportar o impacto previsto, colocando vidas em risco.
Realize instalação adequada com profissionais habilitados
A instalação deve ser feita por equipes treinadas, seguindo as orientações técnicas de fixação e tensionamento. É comum encontrar redes instaladas com folga excessiva, ancoragens improvisadas ou pontos de fixação que não suportam as cargas de impacto previstas. Esses erros anulam totalmente a função de proteção, mesmo com materiais certificados.
Inspecione regularmente as redes de proteção
Outro ponto negligenciado é a inspeção periódica. Redes expostas ao sol, chuva e poeira sofrem desgaste natural e podem perder resistência ao longo do tempo. Realize inspeções visuais diárias para verificar rasgos, abrasões ou deformações, além de inspeções técnicas mensais com registros formais no cronograma de segurança da obra.
Faça manutenção preventiva e substituições quando necessário
Quando constatado desgaste excessivo, perda de integridade estrutural ou falha em pontos de fixação, a rede deve ser substituída imediatamente. Manter peças danificadas em uso expõe trabalhadores a riscos graves e configura não conformidade com as normas.
Essas boas práticas reduzem falhas, ampliam a vida útil dos sistemas e fazem com que a rede de proteção obra cumpra seu principal objetivo: proteger vidas no canteiro.
Segurança e responsabilidade: compromisso além da norma
As novas normas técnicas para redes de proteção e guarda-corpos trouxeram avanços significativos para a segurança em obras no Brasil, mas, mais do que atender a requisitos legais, sua aplicação reflete um compromisso ético das construtoras com a vida de seus trabalhadores.
Investir em sistemas de proteção coletiva certificados, projetos específicos para cada aplicação e treinamentos adequados é um dever, uma decisão estratégica que evita acidentes graves, paralisações e passivos jurídicos, além de demonstrar responsabilidade social perante colaboradores, clientes e a sociedade. Obras seguras têm maior produtividade, menos afastamentos e custos controlados ao longo de todas as etapas.
Garantir a conformidade com a ABNT NBR 16046:2012 e as novas NBR 17152-1, NBR 17152-2 e NBR 17164 é, portanto, um passo fundamental para qualquer construtora que queira se posicionar como referência em segurança, qualidade e gestão responsável. Afinal, mais do que cumprir a lei, proteger vidas deve ser prioridade em toda obra bem planejada e gerida.
