• A eficiência na Construção Civil depende da interdependência entre orçamento, planejamento e contratos
  • Equipes de orçamento e planejamento devem trabalhar juntas para evitar erros e desperdícios
  • A administração contratual é crucial para lidar com alterações de escopo, revisões de prazo e controle de custos ao longo da obra

Neste episódio do Sienge Podcast da Construção, abordamos o tema “O tripé da engenharia eficiente: custo, planejamento e contratos” com Aldo Dórea Mattos, engenheiro civil, consultor e autor de referência na área de planejamento de obras, com mais de 35 anos de experiência no setor.

Separamos os principais momentos da entrevista para você conferir neste artigo ou, se preferir, assista ao episódio completo no vídeo abaixo.

Principais Insights

Confira abaixo os principais pontos abordados neste episódio. Se quiser saber mais sobre eles, não deixe de assistir ao conteúdo completo. 

Sienge Demonstração
  1. A eficiência na Construção Civil depende da interdependência entre orçamento, planejamento e contratos, desde a concepção até a entrega da obra. 
  2. Quando equipes de orçamento e planejamento trabalham em silos, ou seja, separadamente, aumentam as chances de erros, desperdícios e retrabalhos.
  3. O cronograma de obra precisa ser validado pelas equipes de campo. Planejamentos que não refletem a realidade do canteiro perdem credibilidade e dificultam a gestão.
  4. A administração contratual é decisiva para lidar com alterações de escopo, revisões de prazo e controle de custos ao longo da obra.  
  5. A inteligência artificial pode apoiar decisões preditivas no planejamento, análise de produtividade e identificação de padrões, mas precisa ser usada com senso crítico e por profissionais qualificados.
  6. Indicadores como valor agregado, IDC e dashboards em tempo real ajudam a transformar dados em decisões estratégicas, mas ainda são subutilizados.
  7. Dividir a obra em etapas e unidades de controle facilita o acompanhamento dos custos e prazos. Metas menores ajudam a identificar gargalos e tomar decisões mais ágeis.

Esses pontos mostram como a gestão integrada é essencial para elevar o nível de maturidade das empresas da Construção Civil. A seguir, veja os melhores momentos do bate-papo entre Izadora Scariot e Aldo Mattos.

Perguntas e respostas

Nesta seção de Perguntas e Respostas, destacamos alguns pontos da conversa entre Izadora Scariot e Aldo Mattos, abordando temas como a interdependência entre áreas, o papel da tecnologia na gestão de obras e a importância de decisões orientadas por dados. 

Acompanhe os melhores momentos da entrevista.

1) Por que custo, planejamento e contratos precisam andar juntos?

Izadora Scariot: Aldo, por que você acredita que orçamento, planejamento e administração contratual precisam caminhar juntos? Dá pra dizer que boa parte dos problemas em obras começa lá na origem, com escopos desalinhados e orçamentos mal definidos? Qual a importância dessa interdependência?

Aldo Mattos: Gostei da palavra “interdependência”, porque é exatamente disso que se trata. Quando falamos em orçar uma obra, estamos falando em antever como ela será executada e quanto vai custar. Mas esse orçamento só será preciso se ele traduzir, em dinheiro, aquilo que foi pensado para a execução. 

Acontece que, muitas vezes, quem orça não tem as informações do planejamento, como a necessidade de turnos noturnos ou o número de frentes de trabalho simultâneas, o que afeta diretamente os custos indiretos. Isso gera distorções graves. Outro problema comum é que orçamento e planejamento são feitos na sede da empresa, longe do canteiro, sem envolvimento de quem vai de fato executar a obra. 

O resultado? O pessoal do campo não acredita nas premissas e trata esses documentos como burocracia. O correto seria que a equipe de obra participasse desde o início, validando as premissas e ajudando a construir tanto o orçamento quanto o planejamento.

As construtoras precisam eliminar os “silos” entre departamentos e garantir colaboração real. E mais: o cronograma precisa ser feito desde o começo, mesmo que seja simples, para que o orçamentista possa trabalhar com base em informações reais da operação.

2) Como validar o cronograma e o orçamento na prática?

Izadora Scariot: Quais seriam os pontos que você acha imprescindíveis de serem feitos para que seja validado um cronograma e um orçamento também? Quais são os passos para alcançar isso?

Aldo Mattos: A validação do orçamento e do cronograma deve ser um rito dentro da construtora. E esse rito envolve reunir diferentes setores — orçamento, planejamento, suprimentos e produção — para analisar as premissas antes de iniciar a obra. 

Um dos passos mais importantes é revisar as produtividades utilizadas: o orçamentista pode ter considerado uma média padrão, mas quem está no campo sabe se ela se aplica ou não àquela realidade. Se o pé-direito for mais alto, por exemplo, a produtividade cai, porque exige mais andaime. 

Outro passo é avaliar o custo indireto: muitas vezes, a sede orça com duas pessoas na equipe técnica, mas a realidade exige quatro. Isso precisa ser revisto antes de começar. 

No caso do cronograma, é essencial validar o plano de ataque. Quem está no campo tem visão de onde começa a obra, quais frentes são viáveis, onde estão os acessos. 

Por isso, outro passo é visitar o terreno, discutir a sequência com quem vai executar e só então consolidar o cronograma. E, claro, esse planejamento precisa ser atualizado regularmente, não pode virar papel de parede, como já vi por aí. A ideia é transformar orçamento e planejamento em instrumentos reais de gestão desde o início.

3) Gestão de contratos conectada com orçamento e planejamento 

Izadora Scariot: E em relação à administração contratual? Como você vê os desafios dessa frente quando a gente fala de gestão de obras, conectadas também ao orçamento e ao planejamento?

Aldo Mattos: Orçamento e planejamento são elaborados com base em um escopo inicial, mas esse escopo muitas vezes muda ao longo da obra. Essas mudanças podem ocorrer por alterações no projeto, revisões de especificações, interferências externas ou necessidades do cliente. Quando isso acontece, é essencial que haja uma gestão eficiente da mudança. A administração contratual entra justamente para mapear essas alterações e garantir que elas sejam formalizadas, com os impactos refletidos nos prazos e nos custos.

Se essas mudanças não forem registradas e tratadas corretamente, o planejamento e o orçamento deixam de representar a realidade da obra. Isso pode comprometer a rentabilidade do projeto, gerar disputas com o cliente e prejudicar a tomada de decisões.

Por isso, a administração contratual não pode ser vista como algo isolado, mas como um pilar integrado à gestão da obra, sempre conectado com as atualizações de escopo, prazo e custo. Quanto mais cedo os impactos forem identificados, maior a capacidade de resposta da empresa.

4) O que fazer na prática quando a obra está atrasando?

Izadora Scariot: Estou fazendo uma obra e estou vendo que ela está atrasando. O que eu posso fazer hoje, de forma prática? Que rito, processo ou sugestão você traria para quem está nos ouvindo e precisa retomar o controle?

Aldo Mattos: O primeiro passo é parar e encarar a realidade da obra. Mesmo que o planejamento original tenha se perdido, nunca é tarde para recomeçar. É preciso fazer um cronograma do remanescente, ou seja, planejar o que ainda falta ser feito, com base no cenário atual. Esse novo cronograma precisa ser validado pelas equipes de campo, para garantir que seja realista e útil.

Em paralelo, é essencial revisar o orçamento do que ainda será executado. Isso inclui verificar se os preços contratados continuam válidos, se houve aumento de custos e se os pacotes de serviço ainda fazem sentido do ponto de vista financeiro.

Depois disso, é hora de avaliar a tendência de prazo e identificar o caminho crítico da obra. Esse ponto é crucial: ações para tentar recuperar o prazo só fazem sentido se estiverem focadas nas atividades que realmente impactam a data final. E aí sim é possível desenhar um plano de recuperação — com reforço de equipe, turno adicional ou outras estratégias.

5) Como a inteligência artificial pode contribuir na gestão de obras

Izadora Scariot: Agora vamos entrar em outro assunto: inteligência artificial. Como é que você enxerga esse movimento no contexto da engenharia? Você já tem visto essa tecnologia aplicada nos canteiros? 

Aldo Mattos: Eu vejo com otimismo, mas também com cautela. A inteligência artificial, apesar do nome, ainda é uma ferramenta que depende da inteligência humana para ser usada corretamente. Ela pode ser muito útil em situações onde há repetição e padrão, como quando você realiza o mesmo serviço várias vezes e começa a perceber que o prazo real difere do previsto. A IA consegue identificar esses padrões e alertar o planejador sobre desvios recorrentes.

Outra aplicação prática que tenho visto envolve a integração entre planejamento e administração contratual. A IA pode ajudar a detectar onde há risco de impacto por atraso de projeto ou liberação de área, e sugerir quais tarefas do cronograma podem ser afetadas. Também pode apoiar a comunicação em tempo real, disparando alertas automáticos quando surgem inconsistências no campo.

Mas é importante lembrar: ela não vai substituir o engenheiro. O que vai acontecer é que o engenheiro que souber dialogar com a IA vai substituir aquele que não sabe. É uma mudança de perfil profissional. A IA não toma decisões, mas ajuda a gerar informações melhores para que as decisões sejam mais acertadas.

Construsummit 2026

Essas cinco perguntas representam apenas uma parte dos temas discutidos no episódio “O tripé da engenharia eficiente”. Para entender melhor as conexões entre orçamento, planejamento e contratos, vale assistir ao episódio completo e refletir sobre como essas práticas podem ser aplicadas no seu dia a dia.

Além disso, esse e outros temas estratégicos estarão em pauta no Construsummit 2026, que acontece nos dias 1 e 2 de julho em Florianópolis, Santa Catarina.

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Sienge Plataforma: ERP para construtoras
Assuntos: Ecossistema Gestão Empresarial e Estratégia para Construtoras
Andre Campos do Sienge Construpoint
Andre Campos do Sienge Construpoint

Engenheiro Civil com sólida trajetória na transformação comercial de empresas por meio de tecnologia, dados e processos. Atua há 10 anos com desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e digitalização na construção civil, com forte experiência se relacionando com grandes construtoras como MRV, Direcional, Tecnisa, MPD, entre outras.