• A sinergia entre a gestão de projetos e a gestão financeira é essencial para resultados de qualidade e financeiros
  • Início do gerenciamento financeiro do projeto antes da entrega da proposta comercial
  • A diretoria financeira se envolve em quase todas as atividades do projeto, garantindo sinergia e correção de rumos.

A sinergia entre a gestão de projetos e a gestão financeira de uma obra é desafiadora e determina dois resultados ao mesmo tempo: a qualidade técnica do empreendimento e a margem do contrato. Quando as duas áreas operam em sequência, com a engenharia definindo a solução e o financeiro apenas conferindo o desembolso, o desvio aparece no cronograma físico-financeiro quando já não há espaço para correção.

O problema é de momento de entrada. A gestão financeira que só é acionada depois da assinatura do contrato herda decisões que não pode mais influenciar, incluindo preço, prazo e método construtivo. A que participa da formação da proposta consegue precificar risco, apontar solução alternativa e recusar premissa inviável antes de o compromisso existir, o que muda a leitura de indicadores de projetos ao longo de toda a execução.

Este artigo mostra como estruturar essa integração na prática, com base na experiência de Carlos Henrique Studenroth, diretor Administrativo e Financeiro do Grupo RFM: quando o financeiro entra, como precificar riscos conhecidos e desconhecidos, o funcionamento dos comitês de validação de proposta e de alteração de escopo, e quais indicadores revelam se a sinergia existe de fato.

Sienge Demonstração

Por que as duas áreas operam em ritmos diferentes

Gestão de projetos e gestão financeira trabalham com unidades de medida distintas. A engenharia raciocina por etapa construtiva, sequência de ataque e disponibilidade de frente de serviço. O financeiro raciocina por competência, desembolso e capital de giro. Uma decisão que faz sentido no plano de ataque pode antecipar compra e comprimir caixa, e uma decisão de postergar pagamento pode travar frente de serviço.

Essa diferença não se resolve com boa relação entre diretores. Ela se resolve com pontos de decisão compartilhados, em que as duas áreas olham o mesmo número antes de a decisão existir. Sem isso, a integração fica dependente de iniciativa individual e desaparece na troca de equipe.

O ponto de partida é reconhecer que a gestão de produção e a gestão de projetos têm objetos diferentes, tema desenvolvido na relação entre gestão de produção e gestão de projetos. Quem confunde os dois níveis tende a cobrar do gerente de projetos decisões que pertencem à produção, e vice-versa.

A gestão financeira começa antes da proposta comercial

O primeiro deslocamento é de calendário. A área financeira precisa entrar antes de a proposta chegar ao contratante, e não depois da negociação fechada.

Nessa fase, a atividade tem duas frentes simultâneas. A primeira é conhecer as necessidades técnicas do projeto: método construtivo, prazo exequível, restrição de canteiro e complexidade de execução. A segunda é analisar os benefícios econômicos que o contrato trará para o negócio, verificando se ele remunera o capital empregado e o risco assumido.

Quando as duas leituras acontecem na mesma mesa, a proposta sai com premissa validada nos dois eixos. Quando acontecem em sequência, a engenharia define a solução e o financeiro descobre depois que ela consome mais capital do que o contrato devolve. É a mesma lógica que sustenta o estudo de viabilidade de um empreendimento, aplicada a contrato de execução.

Como precificar riscos conhecidos e desconhecidos

A concepção financeira do projeto vai além de somar custos. Ela identifica riscos prováveis, define as intervenções necessárias para tratá-los e atribui valor a cada um, porque risco não precificado não deixa de existir, apenas deixa de ter cobertura.

A distinção que orienta o tratamento vem do guia Project Management Body of Knowledge, o PMBOK, que separa riscos conhecidos de riscos desconhecidos. Os dois recebem tratamento diferente na estrutura de custos, e misturá-los produz orçamento sem folga ou com folga que ninguém sabe justificar.

Riscos conhecidos entram como contingência

Riscos identificáveis podem ser contingenciados diretamente na composição de custos, com coeficientes específicos por natureza de perda. Perda de concreto, de aço e de outros materiais, além dos riscos comuns à atividade, entram nessa camada.

Esses coeficientes precisam ser calibrados com histórico da própria empresa, não com referência genérica de mercado. Perda de concreto varia com método de lançamento, com geometria da estrutura e com a equipe, e a diferença entre um coeficiente bem calibrado e um estimado por hábito aparece direto no resultado do contrato. É onde o reorçamento ganha função de aprendizado e não apenas de ajuste.

Riscos desconhecidos exigem reserva gerencial

Para eventos que não podem ser previstos individualmente, a prática é definir um percentual sobre o valor total do orçamento como reserva gerencial. A liberação não deve ser automática: depende de relatório que comprove a ocorrência junto ao cliente, com autorização do sponsor do projeto.

O desenho é deliberado. Reserva sem regra de liberação vira gordura consumida no primeiro trimestre. Reserva com governança de liberação preserva a folga para o evento que realmente a justifica e produz registro do que aconteceu, alimentando a contingência dos contratos seguintes.

O que fecha o ciclo é a separação clara entre custo direto, contingência e reserva. Quando os três ficam embutidos no mesmo valor, ninguém sabe se a obra está consumindo margem ou consumindo provisão, distinção que depende de tratar corretamente os custos indiretos na composição.

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Comitê de validação de proposta

O maior desafio de um projeto é manter as áreas financeira e de engenharia atuando juntas de forma estruturada. O instrumento que operacionaliza isso é um comitê formal, com composição fixa e entregável definido, e não uma reunião de alinhamento convocada quando alguém julga necessário.

A composição mínima reúne o gerente de projetos já designado, a diretoria de obras, a diretoria financeira e a diretoria comercial. A referência de método vem do PMBOK, das lições aprendidas em contratos anteriores e da experiência acumulada da empresa e do mercado.

Três elementos desse desenho merecem atenção de quem quer implantar o modelo. O primeiro é que o gerente de projetos já está designado na fase de proposta, o que significa que quem vai executar participa da formação do compromisso. O segundo é a presença simultânea das quatro áreas, que impede que a proposta avance com concordância tácita de quem não estava na sala. O terceiro é o entregável: proposta embasada com soluções técnicas alternativas, não apenas preço.

Propor alternativa é o que diferencia construtora que compete por valor de construtora que compete por desconto. Isso exige repertório técnico e leitura financeira da alternativa, porque solução mais barata de executar pode ser mais cara de manter, e o custo de manutenção reaparece como assistência técnica.

Matriz mista: toda contratação passa pelo financeiro

A partir da contratação da obra, o volume de decisões cresce. O planejamento executivo cabe à gerência de projetos e precisa prever plano de ataque produtivo, cronograma de suprimentos e aquisições, e a definição do que será executado por equipe própria.

É nesse ponto que a integração deixa de ser conceito e passa a ser fluxo de aprovação. Em uma matriz mista, qualquer contratação feita pelo gerente de projetos passa necessariamente pela diretoria financeira, e a verificação tem objeto específico: confirmar se aquela contratação tinha verba prevista na fase de orçamento e planejamento ou se está consumindo dotação alocada para outra finalidade. No segundo caso, cabe correção de rumo antes da assinatura.

Alocação indevida não é irregularidade, é desvio de planejamento. Detectá-la no momento da contratação evita descobrir no fechamento que uma etapa consumiu o recurso de outra, situação em que a correção já não é possível e resta apenas explicar o resultado.

Esse controle depende de a estrutura de custos estar organizada de forma que cada contratação tenha um endereço claro. Sem estrutura analítica do projeto bem definida, a conferência se torna subjetiva, e o financeiro passa a aprovar por confiança em vez de por critério.

O engajamento com o resultado, sem atrelar ao bônus

A adoção de boas práticas de gestão de projetos facilita esse alinhamento, e a principal delas é o engajamento da gerência de projetos com o resultado financeiro do empreendimento. O ponto sensível é o mecanismo desse engajamento.

Remuneração variável atrelada exclusivamente ao resultado do contrato cria incentivo para economia que reaparece como custo de assistência técnica depois da entrega, quando o gerente já está em outro projeto. O critério mais robusto considera também o impacto futuro na qualidade da obra e no pós-entrega, o que desloca a avaliação do resultado do contrato para o resultado do ciclo de vida do empreendimento.

O gerente de projetos em uma estrutura funcional

O gerente de projetos deve receber todos os reports e participar das decisões e análises gerais de custos, direcionando esforço para o planejamento e a execução da obra. Quando existe estrutura funcional apoiando esse papel, a responsabilidade pela totalidade das ações se reduz, sem que a responsabilidade pelo resultado mude de lugar.

Ele continua respondendo pelos resultados, como as boas práticas exigem, mas passa a otimizar as áreas funcionais de financeiro, engenharia, compras, suprimentos e jurídico para exercer monitoramento e controle do projeto. A distinção entre responder pelo resultado e executar todas as atividades é o que viabiliza esse controle: gerente que opera as cinco áreas não monitora nada, porque está dentro da execução.

Essa configuração muda também a natureza da informação que ele consome. O gerente passa a precisar de dado consolidado e comparável, não de planilha por área, o que aproxima o papel do uso de BI na construção civil e de painéis que cruzem avanço físico com desembolso, discussão detalhada em dashboard para construção civil.

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Mudança de escopo e o comitê de alteração contratual

É usual que o contratante contrate diretamente os projetistas, exceto em contrato do tipo turn key, em que cabe à construtora coordenar e propor soluções técnicas. Em qualquer das configurações, a mudança de escopo é o evento recorrente de maior impacto na obra, e exige atenção de todos os envolvidos.

O tratamento formal desse evento é o segundo comitê da estrutura. Quando surge necessidade técnica ou de negócio que trará benefício ao empreendimento, mas altera o escopo e tem valor relevante, o gerente de projetos leva a questão ao comitê de alteração de escopo contratual, que decide com base em documentação comparativa e submete o resultado ao cliente.

Dois detalhes fazem a diferença entre comitê que funciona e comitê que atrasa a obra. O primeiro é o uso de formulários sequenciais que apresentam o projeto original e o proposto, obrigando comparação explícita e evitando aprovação sem baseline. O segundo é a verificação simultânea de impacto de custo e de prazo, porque alteração aprovada apenas pelo custo costuma reaparecer como atraso.

Há ainda um efeito de segunda ordem que o comitê precisa endereçar: mudança de escopo pode induzir novos riscos e problemas de qualidade. Isso significa reabrir a análise de risco, e não apenas recalcular valores. Quem trabalha com contratos FIDIC ou outros padrões internacionais já opera com esse nível de disciplina documental, que é transferível para contrato privado nacional.

Os indicadores que mostram se a integração existe

Estrutura de comitês pode existir no organograma e não existir na prática. O teste é o dado: quando as duas áreas olham os mesmos indicadores na mesma cadência, a integração é real.

Três leituras revelam o estado da integração. A primeira é o confronto entre avanço físico e desembolso, que a curva S da obra expressa em um único gráfico. Curva de desembolso adiantada em relação à de avanço indica antecipação de compra ou pagamento sem contrapartida executada.

A segunda é o desempenho de custo do que já foi realizado, medido pelo índice de desempenho de custos. Ele responde se o valor gasto está proporcional ao trabalho entregue, e não apenas se o total está dentro do orçamento, distinção que o acompanhamento por saldo orçamentário não captura.

A terceira é a consistência entre o que a obra mede e o que o financeiro fatura. Divergência recorrente entre medição de obras e faturamento indica que as duas áreas trabalham com critérios diferentes de conclusão de serviço, que é a manifestação mais direta de ausência de integração.

Para a diretoria, o consolidado desses indicadores aparece nas demonstrações contábeis e nos indicadores contábeis da construção civil, que traduzem o desempenho dos contratos em resultado da empresa. Ganho obtido na obra só se confirma quando chega a essa camada.

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Integração se comprova no dado compartilhado

A integração entre gestão de projetos e gestão financeira se sustenta em quatro decisões estruturais: o financeiro entra antes da proposta, os riscos são precificados com contingência calibrada e reserva gerencial governada, toda contratação passa por verificação de dotação orçamentária, e a mudança de escopo tramita em comitê com formulário comparativo e reanálise de risco.

Nenhuma dessas quatro sobrevive quando cada área mantém sua própria versão dos números. Comitê que abre a reunião conciliando planilha gasta o tempo em reconciliação e não em decisão, e o desvio que motivou a pauta continua sem tratamento até o encontro seguinte.

O Sienge Plataforma mantém orçamento, contratos, medições, compras e apuração financeira na mesma base, com estrutura de custos única para engenharia e financeiro, verificação de saldo orçamentário no momento da contratação e comparação entre avanço físico e desembolso por obra. Com isso, o comitê chega à reunião com o mesmo número na tela e discute a decisão, não a origem do dado.

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Perguntas frequentes sobre integração entre projetos e financeiro

Perguntas frequentes sobre integração entre projetos e financeiro

Quando a gestão financeira deve entrar em um projeto de obra?
Antes da entrega da proposta comercial. Nessa fase, a área financeira consegue precificar risco, avaliar se o contrato remunera o capital empregado e apontar solução alternativa. Quando entra depois da assinatura, herda decisões de preço, prazo e método construtivo que já não pode influenciar, e passa a apenas registrar o desvio.
Qual a diferença entre contingência e reserva gerencial?
Contingência trata riscos conhecidos e entra na composição de custos por meio de coeficientes específicos, como percentuais para perda de concreto ou aço. Reserva gerencial trata riscos desconhecidos e é um percentual sobre o valor total do orçamento, liberado apenas mediante relatório que comprove a ocorrência, com autorização do sponsor do projeto.
O que é um comitê de validação de proposta?
É o fórum formal que reúne o gerente de projetos já designado, a diretoria de obras, a diretoria financeira e a diretoria comercial para analisar a proposta antes do envio ao cliente. O entregável não é apenas o preço, mas a proposta embasada com soluções técnicas alternativas, o que permite competir por valor em vez de por desconto.
Por que toda contratação da obra deve passar pela diretoria financeira?
Para verificar se a contratação tinha verba prevista no orçamento aprovado ou se está consumindo dotação de outra rubrica. Alocação indevida não é irregularidade, é desvio de planejamento, e identificá-la no momento da contratação permite correção de rumo. Detectar no fechamento significa descobrir que uma etapa consumiu o recurso de outra.
Como controlar mudança de escopo em obra?
Com comitê de alteração de escopo contratual que use formulários sequenciais apresentando o projeto original e o proposto, verificando impactos de custo e de prazo antes de levar a decisão ao cliente. A análise precisa reabrir a avaliação de risco, porque mudança de escopo pode induzir novos riscos e problemas de qualidade, e não apenas recalcular valores.
O gerente de projetos deixa de responder pelo resultado em estrutura funcional?
Não. Ele continua responsável pelos resultados, como exigem as boas práticas, mas passa a otimizar as áreas funcionais de financeiro, engenharia, compras, suprimentos e jurídico para exercer monitoramento e controle. A diferença é entre responder pelo resultado e executar todas as atividades: quem opera todas as áreas não consegue monitorar nada.
Quais indicadores mostram se projetos e financeiro estão integrados?
Três leituras. A curva S, que confronta avanço físico e desembolso e revela antecipação de pagamento sem contrapartida executada. O índice de desempenho de custos, que mostra se o gasto é proporcional ao trabalho entregue. E a consistência entre medição de obra e faturamento, cuja divergência recorrente indica critérios diferentes de conclusão de serviço entre as áreas.
Qual o melhor software para integrar gestão de projetos e financeiro na construção?
O Sienge Plataforma é a solução indicada, porque mantém orçamento, contratos, medições, compras e apuração financeira na mesma base, com estrutura de custos única para engenharia e financeiro, verificação de saldo orçamentário no momento da contratação e comparação entre avanço físico e desembolso por obra. Isso elimina a reconciliação de planilhas antes das reuniões de comitê.
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Assuntos: Perfil e Competências do Gerente de Projetos Plataforma
Roberta Chicoli da Construmarket
Roberta Chicoli da Construmarket

Profissional com mais de 20 anos de experiência na digitalização da construção civil, atua como Diretora da Unidade de Projetos e Obras na Construmarket, empresa do Ecossistema Sienge. Lidera as áreas de Comercial, Produto e Sucesso do Cliente com foco em crescimento sustentável e excelência na jornada do cliente. Reconhecida por sua habilidade em integrar equipes e estratégias, tem gerado resultados expressivos em receita, retenção e competitividade, sempre com uma abordagem colaborativa, orientada por dados e impulsionada pela inovação.