• INCC de setembro de 2025 teve desaceleração em relação ao mês anterior, ficando em 0,21%
  • INCC é um índice que acompanha os preços de materiais, equipamentos e custos trabalhistas na Construção Civil
  • Variações do INCC impactam diretamente no orçamento das obras e no valor final dos imóveis, sendo crucial para o planejamento financeiro e gestão de riscos em projetos de construção.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 0,25% em setembro de 2026, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A alta foi menor que a de agosto, quando o índice avançou 0,85%. O indicador acumula aumento de 5,86% de janeiro a setembro de 2026 e de 6,61% nos últimos 12 meses, refletindo a evolução dos custos da construção civil no país.

Calculado mensalmente pela FGV, o INCC é um dos principais termômetros da inflação no setor da construção civil, acompanhando os preços de materiais, equipamentos e custos trabalhistas no mercado.

As variações deste percentual impactam diretamente o orçamento das obras e o valor final dos imóveis, especialmente aqueles comercializados na planta. Portanto, se você quer entender melhor a movimentação do INCC, quais os últimos valores registrados e tudo mais sobre o uso deste índice, continue a leitura deste artigo.

O que é o INCC?

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é o indicador da FGV que mede, todo mês, a variação dos custos da construção habitacional no Brasil, considerando materiais, equipamentos, serviços e mão de obra.

O INCC é uma referência para o planejamento financeiro e a gestão de riscos na Construção Civil. Ao acompanhar a evolução desses custos, construtoras e incorporadoras podem identificar tendências de aumento, revisar orçamentos e ajustar suas estratégias financeiras.

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Além de sua função prática no dia a dia dos negócios, o INCC também serve como um termômetro da economia no setor. As flutuações observadas podem indicar mudanças nas condições econômicas gerais, como alterações na política monetária, variações na oferta de crédito e mudanças no poder de compra da população. 

Essas informações são fundamentais para construtoras, investidores e gestores públicos, que dependem de dados concretos para tomar decisões informadas. Por isso, o INCC costuma ser lido ao lado de outros índices da construção civil.

O INCC também influencia diretamente o mercado imobiliário, especialmente no segmento de imóveis comprados na planta. Os contratos de compra e venda desses imóveis frequentemente incluem cláusulas de reajuste baseadas no INCC, de modo que o valor do imóvel permaneça alinhado com os custos atuais da construção. Isso protege tanto o consumidor quanto o construtor contra a erosão do valor devido à inflação, assegurando uma negociação justa e transparente.

Assim, o INCC é uma peça-chave para entender as tendências do setor de construção civil, oferecendo insights valiosos sobre a demanda por novas construções, a sustentabilidade dos preços no mercado imobiliário e a saúde geral da economia. 

Tipos de INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é uma ferramenta essencial para medir a variação dos custos na construção civil, adaptando-se às diferentes necessidades de análise através de suas variantes: INCC-DI, INCC-M e INCC-10.

Cada uma dessas versões possui características e utilidades específicas. Voltadas para a apuração da variação de custos em distintos períodos do mês, proporcionam flexibilidade e precisão para diferentes aplicações, desde o planejamento financeiro até o ajuste de contratos imobiliários. 

INCC-DI

O INCC-DI, ou Índice Nacional de Custo de Construção – Disponibilidade Interna, é calculado mensalmente, cobrindo a variação de custos do primeiro ao último dia do mês de referência. Este índice é particularmente significativo, pois compõe 10% do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). 

Devido à sua abrangência temporal completa do mês e sua relevância nos contratos de financiamento imobiliário, o INCC-DI é frequentemente referido simplesmente como INCC, sendo a versão mais utilizada e reconhecida pelo público geral.

INCC-M

O INCC-M, ou Índice Nacional de Custo de Construção – Mercado, é outro importante indicador que mede a variação dos custos entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência. Este índice é integrante do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), correspondendo também a 10% deste. Para entender como o INCC se diferencia do IPCA e do IGP-M, veja o comparativo entre os principais indicadores econômicos. 

Sua periodicidade permite um acompanhamento ajustado das tendências de custo no mercado, sendo crucial para análises econômicas e ajustes contratuais que buscam refletir as variações de custo mais recentes.

INCC-10

Por fim, o INCC-10 foca na variação de custos no período que vai do dia 11 do mês anterior ao dia 10 do mês de referência. Assim como os outros, este representa 10% de outro índice mais amplo, o Índice Geral de Preços -10 (IGP-10). O INCC-10 é útil para quem necessita de uma análise intermediária das variações de custo, oferecendo uma alternativa para o cálculo e ajuste de despesas em um período diferente dos demais INCCs.

Cada uma dessas versões do INCC atende a propósitos específicos. Isso permite que profissionais da construção civil, investidores e analistas econômicos escolham o índice mais adequado para suas necessidades de planejamento, análise e ajuste contratual, refletindo assim de maneira mais precisa as variações no custo de construção no Brasil.

INCC até agora em 2026

Até setembro de 2026, o INCC-M acumulou alta de 5,86% no ano e de 6,61% nos últimos 12 meses. O resultado ficou abaixo dos 7,07% registrados no mesmo intervalo de 2025, o que indica uma desaceleração no ritmo de aumento dos custos da construção habitacional.

No mesmo período, o INCC-10 acumulou alta de 5,85% em 2026, com avanço de 6,63% em 12 meses. Já o INCC-DI registrou aumento de 5,83% no ano e de 6,66% nos últimos 12 meses.

Os resultados das três modalidades ajudam construtoras e incorporadoras a avaliar a evolução dos preços do setor e seus possíveis impactos nos orçamentos dos empreendimentos.

INCC setembro 2026

Em setembro de 2026, as três modalidades do INCC apresentaram resultados positivos:

  • INCC-M: alta de 0,25%, abaixo dos 0,85% registrados em agosto.
  • INCC-10: aumento de 0,50% no mês.
  • INCC-DI: avanço de 0,22% no período.

Apesar das altas, o INCC-M apresentou desaceleração em relação ao mês anterior. O resultado indica um ritmo menor de crescimento dos preços, mas não representa uma redução efetiva dos custos da construção.

INCC setembro 2025

Em setembro de 2025, o INCC-M registrou alta mensal de 0,21%, com acumulado de 7,07% em 12 meses.

Na comparação com setembro de 2026, quando o aumento mensal foi de 0,25%, observa-se uma diferença de 0,04 ponto percentual. Entretanto, o acumulado em 12 meses recuou para 6,61%, uma redução de 0,46 ponto percentual em relação ao ano anterior.

INCC por grupos

Grande parte da variação do INCC está relacionada aos grupos que compõem o índice, como Materiais, Equipamentos e Serviços e Mão de Obra. Veja como esses componentes influenciaram o resultado de setembro de 2026.

Materiais, Equipamentos e Serviços sobe 0,17% em setembro

O grupo Materiais, Equipamentos e Serviços registrou alta de 0,17% em setembro de 2026, abaixo da variação de 0,33% observada no mês anterior. Dentro desse grupo, a categoria Materiais e Equipamentos também desacelerou, passando de 0,33% em agosto para 0,17% em setembro. O resultado indica uma redução no ritmo de aumento dos preços dos insumos utilizados na construção civil.

Entre os destaques, o subgrupo “materiais para instalação” apresentou desaceleração, com a taxa passando de 1,26% em agosto para 0,48% em setembro.

No segmento de Serviços, a variação recuou de 0,33% em agosto para 0,15% em setembro. Esse movimento foi influenciado pelo item “projetos”, cuja taxa passou de 0,35% para 0,10% no mesmo período.

Mão de Obra desacelera para 0,37% em setembro

O índice referente à Mão de Obra registrou alta de 0,37% em setembro de 2026, abaixo da variação de 1,56% observada em agosto. A redução indica uma desaceleração no ritmo de aumento dos custos trabalhistas considerados pelo indicador.

A queda na taxa mensal contribuiu para moderar a variação geral do INCC-M, embora os custos de mão de obra continuem sendo um componente importante no orçamento de obras e empreendimentos imobiliários.

Capitais brasileiras

O comportamento do INCC-M variou entre as sete capitais brasileiras que compõem o índice em setembro de 2026. Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo registraram desaceleração nas taxas de variação.

Em contrapartida, Recife e Salvador apresentaram aceleração. Os resultados mostram diferenças regionais no comportamento dos custos da Construção Civil, reforçando a importância de acompanhar as condições de cada mercado na elaboração de orçamentos e no planejamento de empreendimentos.

INCC acumulado nos últimos 12 meses

O INCC-M acumulou alta de 6,61% nos 12 meses até setembro de 2026. Confira abaixo a variação mês a mês.

Mês de referência Evolução mensal Acumulado 12 meses
set/26 0,25% 6,61%
ago/26 0,85% 6,56%
jul/26 0,62% 6,40%
jun/26 0,85% 6,71%
mai/26 0,77% 6,82%
abr/26 1,04% 6,28%
mar/26 0,36% 5,81%
fev/26 0,34% 5,83%
jan/26 0,63% 6,01%
dez/25 0,21% 6,10%
nov/25 0,28% 6,41%
out/25 0,21% 6,58%

Fonte: FGV-SP

O que levou à desaceleração do INCC em setembro de 2026?

A desaceleração do INCC-M em setembro de 2026 veio dos dois grupos do índice. Mão de Obra perdeu mais força, de 1,56% para 0,37%, e Materiais, Equipamentos e Serviços passou de 0,33% para 0,17%.

Entre os itens, as principais influências para baixo foram vergalhões e arames de aço ao carbono (de 0,19% para -0,27%) e tubos e conexões de PVC (de 2,92% para -0,48%). Na outra ponta, condutores elétricos aceleraram de 1,86% para 2,34%.

O grupo Mão de Obra também apresentou desaceleração, passando de uma alta de 1,56% em agosto para 0,37% em setembro. Esse movimento contribuiu para moderar a variação mensal do indicador, embora os custos trabalhistas continuem representando um componente relevante no orçamento das obras.

Com alta de 5,86% acumulada em 2026 e de 6,61% nos últimos 12 meses, o INCC-M permanece em trajetória de elevação. Por isso, construtoras e incorporadoras precisam acompanhar a evolução dos custos para revisar orçamentos, avaliar reajustes contratuais e planejar financeiramente seus empreendimentos.

Metodologia de cálculo do INCC

Desde 2023, a metodologia de cálculo do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou por uma atualização para refletir melhor a realidade do setor. A revisão considerou três aspectos principais: a estrutura de custos das construtoras, os padrões construtivos e a representatividade das cidades pesquisadas. 

Essas mudanças ajustaram os pesos dos itens avaliados, tornando o índice mais aderente aos reais custos encontrados na Construção Civil.

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Estrutura de custos

Com base em orçamentos de empreendimentos realizados entre 2018 e 2022, a FGV revisou a composição dos custos de materiais e mão de obra. O número total de subitens analisados aumentou de 52 para 79, permitindo um monitoramento mais detalhado dos insumos. Na categoria de mão de obra, os subitens passaram de 11 para 19, refletindo melhor a diversidade dos serviços e funções presentes nos canteiros de obras.

Confira a correspondência entre os subitens do INCC antigo e do INCC atual (novo):

Código Descrição INCC (antigo) INCC (atual) Diferença
101 Vergalhões e arames de aço ao carbono 3,02% 6,50% 3,48%
102 Aduela e alizar de madeira 0,50% 0,31% -0,19%
103 Aluguel de máquinas e equipamentos 1,86% 1,53% -0,33%
104 Areia lavada 0,23% 0,43% 0,20%
106 Placas cerâmicas para revestimento 0,66% 1,50% 0,84%
109 Carreto para retirada de entulho 0,28% 0,24% -0,04%
111 Cimento Portland comum 2,42% 2,10% -0,32%
114 Pias, cubas e louças sanitárias 0,72% 0,75% 0,03%
115 Eletrodutos de pvc 0,30% 0,80% 0,50%
116 Elevador 3,51% 3,88% 0,37%
119 Condutores elétricos 0,92% 1,32% 0,40%
121 Gesso 0,38% 0,30% -0,08%
122 Impermeabilizante 0,71% 1,48% 0,77%
123 Esquadrias de alumínio 1,85% 2,78% 0,93%
124 Ladrilhos e placas para pisos 0,21% 0,46% 0,25%
128 Madeira para telhados 1,11% 0,37% -0,74%
129 Mármore e granito trabalhados 0,42% 0,60% 0,18%
131 Materiais elétricos 0,92% 2,07% 1,15%
132 Metais para instalações hidráulicas 2,02% 0,71% -1,31%
133 Pedra britada 0,24% 0,16% -0,08%
136 Portas e janelas de madeira 0,65% 0,88% 0,23%
141 Projetos 3,04% 3,39% 0,35%
151 Tinta a óleo 0,34% 0,27% -0,07%
152 Tinta à base de pva 0,72% 0,27% -0,45%
153 Tubos e conexões de ferro e aço 1,63% 0,20% -1,43%
154 Tubos e conexões de PVC 1,80% 2,36% 0,56%
160 Massa corrida para parede – PVA 0,38% 0,74% 0,36%
162 Argamassa 1,93% 0,84% -1,09%
163 Massa de concreto 2,27% 4,45% 2,18%
203 Armador ou ferreiro 1,65% 3,04% 1,39%
204 Bombeiro 3,14% 3,07% -0,07%
205 Carpinteiro (fôrma, esquadria e telhado) 5,68% 2,98% -2,70%
206 Eletricista 3,15% 3,43% 0,28%
207 Encarregado 2,62% 2,50% -0,12%
208 Engenheiro 4,15% 3,06% -1,09%
210 Gesseiro 1,69% 0,87% -0,82%
213 Pedreiro 6,07% 7,90% 1,83%
214 Pintor 1,78% 2,53% 0,75%
215 Servente 9,73% 2,00% -7,73%

Fonte: FGV-SP

Padrões construtivos

A atualização também levou em conta as diferenças nos processos de construção, ajustando os pesos dos materiais e equipamentos conforme o padrão construtivo. Dessa forma, o índice passou a distinguir melhor as variações de custo entre edificações populares, de padrão médio e de alto padrão, tornando a medição da inflação mais precisa para diferentes tipos de empreendimentos.

Peso dos padrões construtivos definidos para o INCC:

Padrões Pesos
Econômico (Eco) 33%
Médio (Med) 41%
Alto (Alt) 26%

Fonte: FGV-SP

Representatividade das cidades

Embora o número de cidades analisadas tenha sido mantido em sete, os pesos de cada município no cálculo do INCC foram ajustados. Agora, a influência de cada localidade no índice final considera a relevância do setor da construção dentro de seu respectivo estado, garantindo um retrato mais fiel do comportamento dos preços no país.

Peso das cidades componentes do INCC:

Cidades INCC antigo INCC atual
Recife 5,24 3,81
Salvador 9,31 7,84
Belo Horizonte 11,13 16,16
Rio de Janeiro 9,49 14,27
São Paulo 43,29 44,51
Porto Alegre 11,04 10,54
Brasília 10,5 2,87
Brasil 100 100

Fonte: FGV-SP

Impacto do INCC no orçamento de obras

Como você já pode perceber, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desempenha um papel crucial na economia do setor da Construção Civil, especialmente no que diz respeito ao orçamento de obras. Seu impacto se dá de várias maneiras, influenciando desde o planejamento inicial até a conclusão dos projetos. 

Abaixo, destacamos os cinco principais aspectos do impacto do INCC no orçamento de obras:

1. Reajuste de contratos

O INCC é frequentemente utilizado como base para o reajuste de contratos de obras. Isso significa que, à medida que o índice varia, os valores contratuais entre fornecedores, construtoras e clientes podem ser ajustados, visando refletir as mudanças nos custos dos materiais, mão de obra e serviços. Este mecanismo assegura uma compensação justa frente à inflação setorial. Para incorporadoras, o reajuste também mexe no fluxo de recebimentos. Veja como calcular o impacto do INCC no caixa da incorporadora.

2. Planejamento financeiro com o INCC

No planejamento de novos projetos, o INCC oferece uma base para a estimativa de custos futuros. Os profissionais da área utilizam o histórico e as tendências do índice para prever variações nos preços, permitindo uma elaboração mais precisa do orçamento. Isso é fundamental para evitar surpresas financeiras desagradáveis ao longo do desenvolvimento da obra.

3. Custos de construção

A variação do INCC reflete diretamente os custos de construção. Um aumento no índice indica que os preços dos materiais, da mão de obra e dos serviços estão crescendo, o que, por sua vez, eleva o custo total das obras. Isso pode levar a uma necessidade de revisão do orçamento e, em alguns casos, a ajustes no escopo do projeto para manter os custos sob controle.

4. Decisões de investimento

O INCC também influencia as decisões de investimento no setor. Investidores e incorporadoras analisam o índice para avaliar a viabilidade econômica de projetos futuros. Um período de alta no INCC pode sinalizar um momento menos oportuno para iniciar novas construções, devido ao aumento dos custos, enquanto uma estabilização ou queda pode indicar uma janela de oportunidade.

5. Negociações de preço

A evolução do INCC afeta as negociações de preços entre construtoras, fornecedores e clientes. Conhecendo a tendência do índice, as partes têm um parâmetro objetivo para discussões sobre ajustes de valores, seja para contratos em andamento ou novas contratações, proporcionando um terreno comum para negociações justas.

Por que o INCC afeta a inadimplência e como lidar com isso?

Engana-se quem pensa que a alta de preços no setor é boa para quem vende. Na verdade, a inadimplência tende a aumentar quando os preços e os juros sobem. Afinal, os impactos desse aumento acabam afetando todos os setores, não só a Construção Civil.

Logo, os clientes também podem sofrer com problemas de renda e liquidez das suas economias. Então, de forma indireta, o aumento do INCC também pode indicar uma chance de aumento na inadimplência no setor, tanto de clientes novos quanto recorrentes.

A pergunta é: como lidar com isso? É o que vamos ver agora.

1. Ajustar os critérios de venda

Com o aumento do INCC, a tendência é que haja queda de vendas. Como medida de recuperação, muitas empresas fazem condições mais agressivas para não perder clientes. Mas aí está uma grande armadilha.

Se você fizer muitas vendas para clientes com potencial de inadimplência, a chance de ter problemas é alta. Por isso, ajuste os critérios de venda e até os torne mais restritivos, se for preciso. É melhor vender menos para clientes que pagam em dia do que bater metas artificiais com clientes inadimplentes.

E aqui não estamos falando de aumentar a burocracia. Afinal, o excesso de etapas na venda também custa dinheiro para você. O processo de vendas deve ser o mais simples possível, mas tome cuidado para não deixar os critérios tão acessíveis a ponto de vender para quem não tem como pagar.

2. Recompensar o pagamento em dia

Uma das piores coisas que você pode fazer é ameaçar um cliente inadimplente para que ele pague em dia motivado pelo medo. Aliás, há chance de isso apenas esquentar os ânimos e tornar a relação mais difícil ainda.

Em vez disso, existe uma abordagem muito melhor: recompensar e incentivar o pagamento em dia. Por exemplo, vale a pena retirar a multa ou os juros se a pessoa pagar a dívida e corrigir o problema dentro de um prazo curto. Você também pode enviar pequenos lembretes antes de vencer o prazo do pagamento, com um pequeno desconto por antecipação.

3. Facilitar o pagamento

Aumentar as opções de pagamento de acordo com o histórico do cliente é uma boa forma de garantir que ele pague em dia. Então, em vez de oferecer apenas um ou dois modelos de pagamento, você pode expandir as formas de receber.

Mas aqui vai um alerta: clientes com histórico de inadimplência não podem ter acesso amplo a crédito que coloque em risco o seu recebimento, como cheques. Por isso, só aceite modelos de pagamento que garantam que você terá o dinheiro no prazo, como cartão de crédito e débito, Pix e outros.

Em alguns casos, você pode fazer parceria com alguma instituição de pagamento para aceitar boletos parcelados. Mesmo com os juros que o cliente paga, talvez ele prefira assim, e você terá o dinheiro adiantado pela instituição financeira, sem riscos.

4. Embutir a inadimplência nos preços

O combate à inadimplência precisa ser proativo e pragmático, ou seja, desde o início no planejamento e elaboração de orçamentos você precisa pensar nisso. Além disso, não adianta pensar que vai ser possível evitar a inadimplência em 100% dos casos.

Pensando nisso, uma solução que você pode (e deve) adotar é embutir o custo da inadimplência no preço final das suas vendas ou aluguéis. Sim, é essencial entender que a inadimplência tem um custo alto para a sua empresa, que muitas vezes fica escondido.

Portanto, considere incluir nesses custos coisas como:

  • Assessoria jurídica de cobrança;
  • Advogado;
  • Problemas com fluxo de caixa por falta de receita.

Muitas empresas cobram um valor entre 5% e 10% maior do que calculado nos orçamentos, justamente para cobrir possíveis prejuízos com a gestão de inadimplência. Você pode fazer o mesmo como forma de garantia antecipada.

Assim, o aumento histórico do INCC deve abrir os olhos de gestores de construtoras e incorporadoras quanto ao aumento da inadimplência no setor. Mas, se você seguir as dicas que viu aqui, vai manter a situação sob controle.

INCC em 2026: como usar o índice para proteger o orçamento das obras

A alta de 0,25% do INCC-M em setembro de 2026 mostra que o ritmo de aumento dos custos diminuiu em relação a agosto, quando o índice subiu 0,85%. Mesmo assim, o acumulado continua alto: 5,86% no ano e 6,61% em 12 meses. Na prática, materiais, serviços e mão de obra seguem mais caros do que no início do ano.

Para construtoras e incorporadoras, isso significa revisar o orçamento das obras com mais frequência, aplicar o índice certo no reajuste dos contratos e acompanhar o efeito da inadimplência no caixa. Quanto antes a variação do índice chega aos números da empresa, menor o risco de a margem ser corroída ao longo da obra.

Fazer esse acompanhamento em planilhas separadas abre espaço para erro e retrabalho. Com o Sienge Plataforma, orçamento, suprimentos e financeiro ficam conectados numa gestão integrada da construção, de ponta a ponta, o que dá uma base mais segura para revisar custos e decidir com dados atualizados.

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Perguntas frequentes sobre o INCC

O que é o INCC?

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) é o índice calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) que mede a variação dos custos da construção habitacional no Brasil. Ele acompanha os preços de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra e é usado no planejamento financeiro de obras e no reajuste de contratos, como os de imóveis vendidos na planta.

Qual versão do INCC é usada nos contratos de financiamento imobiliário?

O INCC-DI é a versão do índice mais usada em contratos de financiamento imobiliário e costuma ser chamado simplesmente de INCC. Ele mede a variação de custos do primeiro ao último dia do mês de referência e compõe 10% do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), o que explica sua presença frequente em cláusulas de reajuste.

O INCC é o mesmo índice que o IGP-M?

Não, o INCC não é o mesmo que o IGP-M. O INCC-M, versão de mercado do índice, mede a variação dos custos da construção entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência e responde por 10% do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), um índice mais amplo do que o da construção.

Quantas capitais entram no cálculo do INCC e qual pesa mais?

O INCC é calculado com preços de sete capitais: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Brasília. Na metodologia atual da FGV, São Paulo tem o maior peso no índice, 44,51, seguido de Belo Horizonte, com 16,16, e Rio de Janeiro, com 14,27.

Quantos subitens o INCC acompanha desde a revisão da metodologia em 2023?

Desde a revisão da metodologia em 2023, o INCC acompanha 79 subitens, contra 52 antes. Na mão de obra, os subitens passaram de 11 para 19. A FGV baseou a revisão em orçamentos de empreendimentos realizados entre 2018 e 2022 e também ajustou os pesos dos padrões construtivos e das cidades pesquisadas.

Assuntos: Indicadores e dados Sienge Plataforma
Gabriela Torres do Sienge
Gabriela Torres do Sienge

Engenheira civil formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Consolidou sua atuação na estruturação e análise de dados da Construção Civil, com foco em ciência de dados e análise estratégica de informações com objetivo em fornecer direcionadores estratégicos que auxiliem na tomada de decisões, visando melhorar processos e impulsionar resultados. Atualmente, é Gerente de Inteligência Estratégica do Sienge, ecossistema especialista da Starian Indústria da Construção.