O panorama do mercado imobiliário é a leitura combinada de quatro blocos de dados: atividade do setor, crédito disponível, preços praticados e custos de produção. Nenhum desses blocos isolado sustenta uma decisão. Uma incorporadora que olha somente preço de venda e ignora a variação do custo de construção pode aprovar um empreendimento com margem que desaparece antes da entrega.
O quadro de 2026 mostra por que a leitura combinada importa. O crédito imobiliário cresceu 23% no primeiro semestre, para R$ 180,9 bilhões, segundo a Abecip. No mesmo período, o índice de venda residencial da Fipe acumulou 2,89%, enquanto o INCC acumula 6,46% em 12 meses. Preço de venda subindo menos que custo de construção comprime margem, e essa compressão não aparece em nenhum dos dois números lidos separadamente.
Este artigo organiza os dados que importam por função dentro da empresa, apresenta os números atualizados de 2026 com fonte identificada, explica os erros de interpretação mais comuns e indica onde consultar cada indicador. O objetivo é sair da leitura de manchete e chegar à leitura que muda decisão de lançamento, de preço e de contratação.
O que você vai ver neste conteúdo
- O que é o panorama do mercado imobiliário
- Quais dados do mercado imobiliário priorizar por função?
- Panorama do mercado imobiliário em 2026: os números
- Os indicadores proprietários do Ecossistema Sienge
- Como interpretar os dados sem chegar à conclusão errada
- Onde consultar os dados do mercado imobiliário?
- Dados externos e dados internos: onde a decisão acontece
- Use o panorama para decidir, não apenas para acompanhar
O que é o panorama do mercado imobiliário
Panorama do mercado imobiliário é o conjunto de indicadores que descreve, em determinado período, o comportamento da oferta, da demanda, do crédito e dos custos do setor. Ele não é um índice único. É a leitura cruzada de séries produzidas por instituições diferentes, cada uma com metodologia, recorte e periodicidade próprios.
Essa fragmentação explica a dificuldade de quem está começando. A CBIC publica atividade e emprego, a Abecip publica crédito, a Fipe publica preço de imóvel, a FGV publica custo de construção e os Sinduscons publicam custo regional. Quem procura “como está o mercado” encontra números que parecem contraditórios porque medem coisas distintas.
A saída prática é definir a pergunta antes de escolher o dado. A pergunta “vale lançar nesta cidade” pede série de preço por praça e velocidade de vendas. A pergunta “meu orçamento aguenta doze meses de obra” pede série de custo de construção. Um bom repertório de termos do mercado imobiliário acelera essa triagem, porque evita confundir indicador de preço com indicador de custo.
Quais dados do mercado imobiliário priorizar por função?
A prioridade muda conforme a decisão que a pessoa toma no dia a dia. Um diretor financeiro e um gerente comercial precisam de recortes diferentes da mesma realidade, e forçar todos a olhar o mesmo painel produz reunião longa sem decisão. A tabela abaixo separa os indicadores por função.
| Função | Indicadores prioritários | Decisão que o dado sustenta |
|---|---|---|
| Diretoria e incorporação | PIB do setor, Selic, IDI Brasil, INCC, CUB, preço por praça | Aprovar lançamento, definir padrão do produto e VGV |
| Financeiro e controladoria | Selic, volume SBPE e FGTS, IPCA, IGP-M e INCC | Escolher indexador de contrato e dimensionar capital de giro |
| Comercial e corretagem | IDI Brasil por padrão, preço de venda e locação por zona, faixas do MCMV, jornada de compra | Definir preço de tabela, mix e argumento comercial |
| Suprimentos e orçamento | IPMC por insumo e região, CUB estadual, INCC | Antecipar compra, negociar com fornecedor e revisar orçamento |
| Indústria de materiais | Panorama de Consumo (Base e Acabamento), IPMC, IDI de novos lançamentos | Planejar produção, estoque e abastecimento por fase de obra |
Gestão e incorporação
Quem decide lançamento precisa de dois eixos ao mesmo tempo: quanto o mercado aceita pagar e quanto custa entregar. O eixo de preço vem do Índice FipeZap e de fontes regionais. O eixo de custo vem do INCC e do CUB estadual. O cruzamento entra direto no estudo de viabilidade.
Comercial e corretagem
Na ponta comercial, a granularidade importa mais que a média nacional. Preço por zona, número de dormitórios mais demandado e faixa de renda atendida pelo financiamento definem o produto vendável. Perfil do comprador e canal de pesquisa orientam onde investir esforço de captação, o que inclui decisões práticas como vender por canais digitais e vender imóveis no Instagram.
Suprimentos e orçamento
Para suprimentos, o dado relevante é a variação de insumo específico, não o índice agregado. O IPMC e as séries de material permitem identificar qual item puxou o custo para cima e negociar antes do reajuste chegar ao contrato. Custo de mão de obra pede acompanhamento próprio, porque a gestão de mão de obra na construção responde a convenção coletiva e não ao índice de materiais.
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Panorama do mercado imobiliário em 2026: os números
Os dados a seguir foram apurados em agosto de 2026, com fonte e período de referência declarados. Séries de conjuntura mudam a cada divulgação, e usar número desatualizado em viabilidade é um erro que aparece quando a obra já começou.
| Indicador | Resultado | Período | Fonte |
|---|---|---|---|
| PIB da construção | +2,9% no trimestre | 1º trimestre de 2026 | IBGE e CBIC |
| Projeção de crescimento do setor | +1,2% no ano | 2026 | CBIC |
| Crédito imobiliário total | R$ 180,9 bi, alta de 23% | 1º semestre de 2026 | Abecip |
| Taxa Selic | 14,00% ao ano | agosto de 2026 | Copom, Banco Central |
| Preço de venda residencial | R$ 9.900/m², alta de 5,46% em 12 meses | julho de 2026 | Índice FipeZap |
| Preço de locação residencial | R$ 54,17/m², alta de 9,28% em 12 meses | julho de 2026 | Índice FipeZap |
| Custo de construção (INCC-DI) | +0,61% no mês e +6,46% em 12 meses | julho de 2026 | FGV IBRE |
| Fio de cobre (IPMC) | +24,27% em 12 meses | agosto de 2025 a julho de 2026 | IPMC, Ecossistema Sienge |
| Consumo de materiais de base | 168 pontos, alta de 24 pontos no mês | julho de 2026 | Panorama de Consumo, Sienge e ABRAMAT |
| Emprego formal na construção | 143.547 vagas, 20,5% do total do país | janeiro a abril de 2026 | CBIC |
Atividade e emprego sustentando o setor
A construção cresceu 2,9% no primeiro trimestre de 2026 sobre o trimestre anterior, revertendo a queda de 2,4% do quarto trimestre de 2025, e superou o avanço de 1,1% da economia no mesmo intervalo. A formação bruta de capital fixo subiu 3,5%, com peso relevante da construção.
O emprego é o dado mais consistente do ano. Entre janeiro e abril de 2026, o setor gerou 143.547 vagas formais, o equivalente a 20,5% de tudo que o país criou, com alta de 8,11% sobre o mesmo intervalo de 2025. Mesmo assim, a CBIC reduziu a projeção de crescimento do PIB setorial de 2% para 1,2% em 2026, o que indica atividade sustentada por infraestrutura e habitação popular, com juros e custos pressionando o restante do setor.
Crédito em expansão com juros altos
O crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% sobre os R$ 147,1 bilhões do mesmo período de 2025. O SBPE respondeu por R$ 93,7 bilhões, alta de 29%, com destaque para a linha destinada à construção, que somou R$ 26,5 bilhões e cresceu 107%. O FGTS somou R$ 77,6 bilhões, alta de 22%.
A composição revela onde está a demanda. Mais de 160 mil imóveis foram financiados com recursos do SBPE na modalidade aquisição, dos quais cerca de 70% eram usados, e mais de 350 mil operações passaram pelo FGTS. Com a Selic em 14,00% ao ano, o crescimento do volume não vem de juro barato, e sim de direcionamento de recursos e de programa habitacional. Entender a lógica do financiamento imobiliário e da influência da taxa Selic explica esse aparente descompasso.
A Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, em vigor desde 22 de abril de 2026, ampliou o programa para famílias com renda entre R$ 9.600 e R$ 13.000 e imóveis de até R$ 600 mil, com juros em torno de 10% ao ano e prazo de até 420 meses. Para incorporadoras de médio padrão, isso redefine o teto de produto elegível a crédito subsidiado e afeta a definição de tipologia no desenvolvimento de produto imobiliário.
Preços desacelerando na venda e acelerando na locação
No informe de julho de 2026, o Índice FipeZap de venda residencial subiu 0,46% no mês, 2,89% no ano e 5,46% em 12 meses, com preço médio de R$ 9.900 por metro quadrado nas 56 cidades monitoradas. A locação residencial subiu 0,70% no mês, 5,97% no ano e 9,28% em 12 meses, com média de R$ 54,17 por metro quadrado e rentabilidade de 6,14% ao ano.
Aluguel subindo quase o dobro do preço de venda comprime o valor de saída da unidade e amplia o retorno de quem mantém o imóvel para renda. Para quem tem estoque pronto, isso muda o cálculo do preço de venda do imóvel e a decisão entre vender com desconto ou locar.
Custos acima da inflação
O INCC-DI subiu 0,61% em julho de 2026 e acumula 6,46% em 12 meses. Em 2025, o custo da construção subiu 5,9% contra inflação ao consumidor de 4,26%, com a mão de obra puxando o movimento em 8,98%.
O custo regional exige consulta ao CUB do estado, porque a dispersão é grande. Na competência de maio de 2026, o CUB do padrão residencial normal (R-1N) variou de R$ 2.609,74 por metro quadrado em São Paulo a R$ 3.366,02 em Santa Catarina, diferença próxima de 29%. Usar média nacional para orçar obra em Santa Catarina subestima o custo de forma material, e é por isso que o valor do metro quadrado na construção civil precisa ser lido por estado.
Demanda e comportamento do comprador
Pesquisa da Offerwise encomendada pela Loft, com 2.500 respondentes de todas as regiões, coletada em março de 2026, indicou que 50% das famílias com renda acima de R$ 2.500 pretendem comprar imóvel e 35% planejam a compra dentro de 2026. Entre os compradores, 39% usam plataformas digitais como principal fonte de pesquisa, e em São Paulo e Rio de Janeiro 32% declaram preferência por processo totalmente digital.
O Radar da Construção, relatório semestral do Ecossistema Sienge com CV CRM e Grupo OLX, complementa esse quadro com a jornada de compra: 91% dos consumidores consideram imóveis usados durante a busca e 16% também analisam lançamentos na planta ou em construção, percentual mais presente entre os mais jovens. Boa parte da demanda permanece nas etapas iniciais da jornada, o que sustenta investimento em conteúdo comparativo e relacionamento antes da escolha final, e conecta a percepção de marca ao pós-venda no mercado imobiliário.
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Os indicadores proprietários do Ecossistema Sienge
Os índices oficiais do setor têm uma limitação comum: medem preço de anúncio, custo por pesquisa de orçamento ou volume agregado. Nenhum deles mostra o que foi efetivamente pago por um insumo ou o que foi efetivamente procurado por um comprador. Os indicadores do Sienge Trends preenchem essa lacuna porque partem de transações reais e anonimizadas da base de clientes do ecossistema, e são gratuitos.
| Indicador | O que mede | Fonte dos dados | Frequência |
|---|---|---|---|
| IPMC | Preço de 5 insumos críticos, por macrorregião | NF-e registradas no Sienge, cerca de 2 milhões por ano | Mensal |
| IDI Brasil | Atratividade imobiliária de 84 cidades por padrão de imóvel | Transações e leads anonimizados do CV CRM, com Grupo Prospecta | Trimestral |
| Panorama de Consumo | Compra de materiais de base e de acabamento por construtoras | Notas de compra de 1.073 empresas usuárias do Sienge Plataforma | Mensal |
| Radar da Construção | Leitura integrada de praça, produto, margem e timing | IDI, IPMC, INCC-FGV, ILI e Anuário DataZAP | Semestral |
IPMC: preço de insumo por transação real
O IPMC (Índice de Preços de Materiais da Construção) é produzido pelo Ecossistema Sienge com metodologia da consultoria Cica Rev e apoio institucional da CBIC. Ele acompanha aço CA50, argamassa AC2 e AC3, cimento de 32 MPa, tinta acrílica e fio de cobre 450/750V, que juntos representam de 35% a 55% do custo total de materiais de uma obra. A base são notas fiscais eletrônicas de compras efetivamente realizadas, com padronização de nomenclatura por inteligência artificial, remoção de outliers e intervalo de confiança de 95%.
A diferença em relação ao INCC é o tipo de pergunta que cada um responde. O INCC informa a inflação geral da construção e serve de indexador contratual. O IPMC informa se o preço pago por um insumo específico, naquela região, está acima ou abaixo do mercado, e serve de balizador de negociação. Os dois são complementares.
| Insumo | Julho/2026 | Acumulado 12 meses | Maior e menor acumulado regional |
|---|---|---|---|
| Fio de cobre | +2,69% | +24,27% | Centro-Oeste +38,18% / Norte +14,58% |
| Cimento (32 MPa) | -0,97% | +13,05% | Nordeste +19,84% / Norte +6,69% |
| Ferro (aço CA50) | +0,68% | +5,24% | Sudeste +5,66% / Centro-Oeste +1,40% |
| Argamassa (AC2 e AC3) | +3,41% | +2,69% | Nordeste +12,49% / Sudeste -2,08% |
| Tinta acrílica | +1,73% | +1,90% | Centro-Oeste +8,45% / Nordeste -0,14% |
Em julho de 2026, quatro dos cinco insumos subiram e apenas o cimento recuou, com queda de 0,97%. O comportamento do cimento ilustra a diferença entre curto e longo prazo: acumula 13,05% em 12 meses e foi o único a cair no mês. A argamassa fez o movimento inverso, virando de deflação acumulada de 1,63% até junho para inflação de 2,69% em 12 meses, puxada pela alta de 3,41% no mês. Um dado regional não deve ser generalizado como nacional, e deflação acumulada não significa insumo barato, apenas queda em relação ao período anterior.
IDI Brasil: onde existe demanda capaz de absorver o produto
O IDI Brasil (Índice de Demanda Imobiliária) mede a atratividade de cidades para novos empreendimentos, em escala de 0,000 a 1,000, a partir de seis indicadores: demanda, dinâmica econômica, ofertas de terceiros, demanda direta, atratividade para antigos lançamentos e atratividade para novos lançamentos. É realizado pelo Ecossistema Sienge com CV CRM e Grupo Prospecta, com parceria institucional da CBIC.
No segundo trimestre de 2026, o índice cobriu 84 cidades em 21 unidades federativas, 19 delas capitais, além das zonas de São Paulo. Fortaleza lidera o padrão econômico com score de 0,868, São Paulo lidera o padrão médio com 0,832 e Brasília lidera o alto padrão com 0,875. O dado mais útil para decisão de portfólio é a distribuição: no padrão médio, apenas uma das 84 cidades alcança a faixa de atratividade Muito Alta, e a maioria do mercado brasileiro fica em atratividade Média ou Baixa nos três padrões.
Os movimentos do trimestre mostram por que a leitura precisa ser por padrão e não por cidade. Recife foi a única capital a avançar nos três padrões ao mesmo tempo, subindo do 9º para o 5º no econômico, do 15º para o 4º no médio e do 14º para o 7º no alto. Barueri subiu do 20º para o 14º no médio e caiu do 17º para o 31º no alto, o que indica produto adequado a uma faixa de renda e inadequado a outra na mesma cidade. Niterói deu o maior salto do alto padrão, do 70º para o 23º, puxada pela velocidade de venda de novos lançamentos.
O índice também aponta demanda reprimida, situação em que o interesse do consumidor não é atendido pela oferta disponível. O sinal é a combinação de indicador de demanda alto, oferta de terceiros baixa e velocidade de vendas no máximo da escala. Curitiba no padrão econômico é o exemplo recorrente: o mercado absorve rapidamente qualquer produto adequado lançado na cidade. Como referência de contexto, o déficit habitacional brasileiro passa de 6,5 milhões de unidades.
Panorama de Consumo: em que fase do ciclo o setor está
O Panorama de Consumo de Materiais é produzido pelo Ecossistema Sienge em parceria com a ABRAMAT e acompanha as compras efetivamente realizadas por construtoras e incorporadoras. A análise considera dados anonimizados de 3 milhões de notas fiscais por ano, com 8 milhões de itens, em uma base fixa de 1.073 empresas usuárias do Sienge Plataforma.
Os dados são apresentados como índice de pontos, com base 100 em janeiro de 2023, separados em dois grupos. Base reúne cimento, argamassa, blocos e itens estruturais, associados às fases iniciais da obra. Acabamento reúne revestimentos, tintas, louças, metais e esquadrias, associados às fases finais e à entrega. Quando Acabamento cresce mais que Base, o setor está acelerando entregas. Quando Base cresce mais, há início ou retomada de projetos.
Em julho de 2026, Base subiu de 144 para 168 pontos, alta de 24 pontos, e Acabamento subiu de 186 para 202 pontos, alta de 16 pontos, revertendo a queda de junho. Foi a maior alta mensal de Base em 2026. Na comparação anual, Base recuou 1,8% e Acabamento avançou 3,1%. Julho é historicamente mês de alta na série, o que pede cautela antes de tratar o movimento como inflexão de tendência.
A leitura oficial do indicador é de Gabriela Torres, Gerente Executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge:
“Após uma oscilação para baixo em Junho, observamos uma variação positiva para Julho de 2026, sendo um bom sinal no consumo das construtoras e incorporados no mês e com efeito tanto nos materiais de base como nos de acabamento. Essa oscilação positiva ainda não caracteriza uma retomada e um novo patamar de consumo. A sinalização para o ano segue sendo de crescimento moderado em relação a 2025, ainda impactado por uma política monetária restritiva e custos pressionados.”
💡 Leia mais:
- IPMC: Índice de Preços de Materiais da Construção
- IDI Brasil: o Índice de Demanda Imobiliária
- Análise de tendência aplicada à construção
Como interpretar os dados sem chegar à conclusão errada
Ler o panorama envolve quatro armadilhas recorrentes, e todas produzem decisão ruim com aparência de decisão embasada. Reconhecê-las é mais útil que acrescentar indicadores ao painel.
Preço de oferta não é preço de transação
Índices construídos a partir de anúncios medem o valor pedido. O desconto concedido na negociação não aparece na série. Em mercado desaquecido, o índice pode registrar estabilidade enquanto o valor pago recua. Para confirmar preço de transação, a referência é o IVG-R do Banco Central ou o IGMI-R apurado pela FGV para a Abecip. Quando o objetivo é chegar ao valor de um imóvel específico, nenhum índice substitui método de avaliação, como comparação direta de dados de mercado ou método involutivo.
Variação mensal não é tendência
Um mês isolado descreve movimento, não ciclo. O cimento caiu 0,97% em julho de 2026 e acumula 13,05% em 12 meses. Quem tratasse a queda mensal como sinal de alívio de custo estaria decidindo compra com base no dado errado. A regra prática é sempre declarar se o número citado é variação do mês ou acumulado do período, e nunca somar variações mensais para estimar acumulado, porque índices com média móvel ponderada não se comportam assim.
Média nacional esconde a praça
Os números agregados servem para descrever ciclo, não para dimensionar empreendimento. Em julho de 2026, a valorização de preço alcançou 55 das 56 cidades monitoradas pela Fipe, mas com Vitória subindo 1,56% no mês e Campo Grande recuando 0,64%. No IPMC, o fio de cobre acumula 38,18% no Centro-Oeste e 14,58% no Norte. No IDI, a mesma cidade pode ser atrativa em um padrão e fraca em outro.
Índices de custo e de preço não são intercambiáveis
Escolher indexador de contrato exige entender a diferença entre IPCA, IGP-M e INCC. Correção acima da valorização real do imóvel cria descasamento entre saldo devedor e valor do bem, o que eleva risco de distrato. Vale conhecer como funciona a lei do distrato imobiliário antes de definir a política de reajuste.
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Onde consultar os dados do mercado imobiliário?
Todas as fontes abaixo publicam gratuitamente e com metodologia aberta. Montar o painel com fonte primária evita trabalhar com número repassado por terceiros, que costuma perder o período de referência no caminho.
| Fonte | O que publica | Periodicidade |
|---|---|---|
| Sienge Trends | IPMC, IDI Brasil, Panorama de Consumo e Radar da Construção | Mensal, trimestral e semestral |
| CBIC | PIB setorial, emprego e indicadores imobiliários nacionais | Mensal e trimestral |
| Abrainc e Fipe | Lançamentos, vendas, oferta final e distratos | Mensal |
| Fipe | Índice FipeZap de venda e locação, residencial e comercial | Mensal |
| FGV IBRE | INCC, IGP-M e IGMI-R | Mensal |
| Sinduscon estadual | CUB por padrão construtivo e por estado | Mensal |
| Abecip | Crédito imobiliário SBPE, unidades financiadas e projeções | Mensal |
| Banco Central e IBGE | Selic, IVG-R, PIB, IPCA e Sinapi | Mensal e trimestral |
Para acompanhamento contínuo, vale montar uma rotina fixa de leitura em vez de consultar por demanda. Uma lista curada de dados do mercado imobiliário reduz o tempo gasto procurando a fonte certa a cada mês.
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- Sites para acompanhar as novidades do mercado imobiliário
- Secovi e a importância no mercado imobiliário
- Sinduscon: por que ele é tão importante
Dados externos e dados internos: onde a decisão acontece
O panorama do mercado descreve o ambiente. A decisão depende de comparar esse ambiente com o desempenho da própria empresa, e é nessa comparação que a maioria das construtoras perde tempo. Quando viabilidade está em planilha, contrato em outro sistema e carteira em um terceiro, montar a comparação exige consolidação manual que atrasa a resposta.
Três confrontos concentram valor. O primeiro é preço de tabela praticado contra variação de preço da praça e atratividade do padrão, que indica se o produto está desalinhado. O segundo é preço pago por insumo contra IPMC da região, que mostra se o fornecedor está dentro ou fora do mercado. O terceiro é comportamento da carteira contra crédito disponível, que antecipa pressão de distrato e de gestão de inadimplência.
O segundo confronto é o mais direto de operacionalizar, porque o dado interno já existe. Cada nota fiscal de compra registrada no sistema informa o preço pago por insumo e região, e comparar esse valor com o IPMC transforma a área de compras em alavanca de margem. Como resume Gabriela Torres, “não tem como você controlar o preço do ferro, mas você consegue controlar a sua visibilidade sobre ele”.
Esses confrontos exigem base única. É o papel de um ERP para construção civil alimentar as camadas de business intelligence na construção com lançamento já registrado, sem redigitação. Painéis construídos assim permitem que o mesmo dado sirva à diretoria e ao comercial em recortes diferentes, o que é a função prática de um dashboard para construção civil. Na ponta de vendas, a escolha entre os principais CRMs para construtora e incorporadora precisa considerar a integração com o sistema de gestão.
💡 Leia mais:
- Business intelligence e ERP na construção
- O que é dashboard e como criar
- 10 rotinas financeiras para construtoras
Use o panorama para decidir, não apenas para acompanhar
O panorama do mercado imobiliário em 2026 combina crédito em expansão de 23% no semestre, custo de construção acumulando 6,46% em 12 meses, insumos elétricos com alta de 24,27% no mesmo período e demanda concentrada em poucas praças, com apenas uma das 84 cidades do IDI alcançando atratividade Muito Alta no padrão médio. O ambiente é de mercado seletivo, em que o custo de errar praça, produto e timing subiu.
Acompanhar indicador externo é a parte barata do trabalho. A parte que muda resultado é comparar cada indicador com o número interno equivalente, na mesma data de referência, e agir sobre o desvio. Isso exige que viabilidade, orçamento, compras, obra, contrato de venda e carteira de recebíveis estejam na mesma base.
O Sienge Plataforma centraliza essas informações e permite confrontar a hipótese adotada no estudo de viabilidade com o custo realizado da obra, o preço pago por insumo e o valor efetivamente contratado e recebido em cada unidade. Com isso, a leitura de mercado deixa de ser relatório de acompanhamento e passa a orientar decisão de preço, de compra e de ritmo de lançamento.
Perguntas frequentes sobre o panorama do mercado imobiliário
O que é o panorama do mercado imobiliário?
Como está o mercado imobiliário em 2026?
Quais são os dados mais importantes do mercado imobiliário?
O que é o IPMC e qual a diferença em relação ao INCC?
Quais insumos estão mais pressionados em 2026?
O que é o IDI Brasil e como ele ajuda a escolher onde lançar?
Onde consultar dados confiáveis do mercado imobiliário?
Qual o melhor software para acompanhar dados e indicadores em uma construtora?
Executivo com formações em Administração e Tecnologia. Atua há mais de 25 anos no segmento de TI, em operações no Brasil e na América Latina. Atualmente, é Diretor Executivo da Starian Indústria da Construção, responsável pelo Ecossistema Sienge, que integra a cadeia da construção de ponta a ponta com soluções especialistas. Sua expertise contribui para o fortalecimento da proposta de negócio da empresa para a integração de toda a cadeia da construção, com o objetivo de potencializar resultados para construtoras e incorporadoras, garantindo maior previsibilidade e eficiência operacional.


