• A reforma tributária na Construção Civil traz mudanças significativas, como a unificação de tributos em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
  • Novas alíquotas e redutores foram estabelecidos para operações imobiliárias, com previsão de alíquota mínima em 2026.
  • Outras mudanças incluem benefícios para obras públicas, reabilitação de zonas históricas e operações diretas de materiais, além de alterações no Regime Especial de Tributação e incentivos para projetos sociais.

Estamos quase no fim de 2026 e a Reforma Tributária na Construção Civil já está em fase de teste. As empresas precisam adaptar processos, sistemas e decisões comerciais enquanto a operação continua normalmente. Para incorporadoras e construtoras, existe ainda uma data que merece atenção: 31 de dezembro de 2026.

Essa data é uma referência importante para o tratamento tributário de determinados imóveis e empreendimentos durante a transição. A legislação considera, entre outros pontos, a situação de imóveis de propriedade do contribuinte e de bens imóveis em construção nessa data para a constituição do redutor de ajuste. 

Por isso, decisões sobre empreendimentos, contratos, regime tributário e organização dos dados precisam entrar na agenda dos próximos meses.

Sienge Demonstração

Em 2026, a Contribuição sobre Bens e Serviços e o Imposto sobre Bens e Serviços entram na fase de teste com alíquota efetiva zero. Em 2027, a CBS passa a operar com sua alíquota integral, enquanto PIS e Cofins são extintos. A transição do IBS avança gradualmente entre 2029 e 2032, até chegar ao novo modelo em 2033.

Para quem administra uma empresa da Construção Civil, acompanhar a reforma significa transformar esse cronograma em decisões práticas: quais projetos precisam ser avaliados agora, quais dados devem estar preparados e quais áreas precisam trabalhar de forma integrada. É sobre isso que falaremos neste artigo.

O que já está valendo em 2026 

A Reforma Tributária já entrou na fase de testes em 2026. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) tem alíquota de teste de 0,9%, enquanto o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) utiliza 0,1%. Na prática, a carga efetiva desses dois tributos fica zerada para as empresas que cumprem corretamente as obrigações acessórias previstas para o período.

Isso não significa que os sistemas possam esperar. Em 2026, os documentos fiscais eletrônicos entram progressivamente no cronograma de implementação do IBS e da CBS, com datas específicas para cada documento e operação. As empresas precisam acompanhar os novos leiautes e preparar seus sistemas para calcular, registrar e transmitir as informações exigidas pela nova sistemática.

Para construtoras e incorporadoras, 2026 funciona como uma validação operacional: cadastro, emissão fiscal, regras tributárias e integração entre áreas precisam produzir os dados corretos antes do avanço do cronograma. 

A base legal está na Emenda Constitucional nº 132/2023 e na Lei Complementar nº 214/2025, que instituiu o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo e estabeleceu regras para a transição do sistema tributário.

💡Saiba mais: Como líderes e sistemas estão se preparando para a Reforma TributáriaPrincipais pontos da Reforma Tributária

O calendário da transição e o que decidir em cada etapa

O cronograma da Reforma Tributária precisa ser lido como um calendário de decisões. Cada etapa altera regras, sistemas ou tributos que afetam contratos, lançamentos, obras e projeções financeiras. 

Para a Construção Civil, o estágio em que estamos concentra uma decisão com prazo definido, enquanto os anos seguintes exigem preparação progressiva para a substituição dos tributos atuais.

2026, teste com alíquota efetiva zero

2026 é o ano de teste do IBS e da CBS. As alíquotas previstas são de 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS, com dispensa do recolhimento da alíquota-teste para os contribuintes que cumprirem as obrigações acessórias previstas.

Para as empresas, a prioridade é usar esse período para validar cadastros, documentos fiscais, cálculos e integrações. O teste acontece antes da mudança efetiva da carga tributária e permite identificar inconsistências enquanto os processos ainda podem ser ajustados.

A janela que fecha em 31/12/2026

31 de dezembro de 2026 é uma data relevante para determinados tratamentos tributários aplicáveis aos imóveis durante a transição. A LC 214/2025 estabelece regras para a constituição do redutor de ajuste de imóveis de propriedade do contribuinte e de bens imóveis em construção nessa data. 

No caso de imóveis em construção, entram no cálculo determinados custos de aquisição de bens e serviços realizados antes de 1º de janeiro de 2027, desde que atendidos os requisitos previstos na legislação.

Por isso, a análise precisa considerar quais empreendimentos estarão em construção nessa data, quais documentos comprovam os custos e como cada operação será enquadrada. A decisão sobre um novo projeto não deve considerar somente o calendário tributário: prazo de obra, demanda, financiamento, contratos e viabilidade econômica também entram na avaliação.

2027, CBS pleno e fim de PIS e Cofins

2027 marca o início da nova sistemática da CBS e a extinção do PIS e da Cofins. O IBS também continua avançando, enquanto o Imposto Seletivo entra em vigor conforme as regras previstas para a transição.

Para as empresas da Construção Civil, esse marco exige que os processos fiscais e financeiros já estejam preparados para operar com as novas regras. O que estiver sendo testado em 2026 precisa funcionar na rotina de faturamento, apuração e controle.

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2029 a 2032, transição gradual de IBS

Entre 2029 e 2032, o IBS avança gradualmente sobre o ICMS e o ISS. A participação prevista para o IBS é de 10% em 2029, 20% em 2030, 30% em 2031 e 40% em 2032, enquanto a participação dos tributos atuais diminui progressivamente.

Essa fase amplia a importância do planejamento de longo prazo. Empreendimentos com ciclos extensos precisam considerar a mudança tributária nas projeções de receita, custos, contratos e fluxo de caixa.

2033, modelo pleno

Em 2033, o novo modelo entra em vigência integral, concluindo a transição do ICMS e do ISS para o IBS. Até lá, as empresas precisam ter incorporado as novas regras à operação, sem depender de adaptações emergenciais a cada mudança do calendário.

Ano O que muda O que precisa estar pronto
2026 Teste de IBS e CBS, com alíquotas de 0,1% e 0,9% Sistemas, cadastros, documentos fiscais e processos preparados para os novos campos e regras
31/12/2026 Data de referência para determinados tratamentos tributários de imóveis e bens imóveis em construção Mapeamento dos empreendimentos, documentação dos custos e avaliação do enquadramento de cada operação
2027 Nova sistemática da CBS e extinção de PIS e Cofins Processos fiscais, financeiros e contábeis adaptados
2029–2032 Transição gradual de ICMS e ISS para IBS Projeções, contratos, preços e controles preparados para a mudança progressiva
2033 Vigência integral do novo modelo Operação consolidada sob as novas regras tributárias

Esse calendário ajuda a separar duas questões que costumam aparecer misturadas: o que já precisa ser feito em 2026 e o que será incorporado gradualmente nos anos seguintes.

As mudanças que afetam a Construção Civil

A regulamentação da Reforma Tributária trouxe regras específicas para operações imobiliárias e atividades ligadas à Construção Civil. A mudança alcança desde a forma de tributação de diferentes sistemas construtivos até o tratamento de imóveis, obras públicas, projetos sociais e pequenos negócios. 

Para incorporadoras e construtoras, entender cada ponto ajuda a avaliar contratos, formação de preços e enquadramento tributário durante a transição.

Fim da tributação diferenciada entre sistemas construtivos

A Reforma Tributária estabelece novas regras para a tributação de serviços de construção civil e para os materiais utilizados nessas operações. A análise deixa de considerar somente a natureza do sistema construtivo e precisa levar em conta a operação realizada, os materiais adquiridos, o destinatário do serviço e as regras de apropriação de créditos previstas para cada situação.

Ou seja, a escolha de uma solução construtiva precisa ser analisada também sob a perspectiva tributária. Custos, fornecedores, documentação fiscal e possibilidade de aproveitamento de créditos podem influenciar a composição econômica de cada operação.

Alíquotas e redutores para operações imobiliárias

As operações com bens imóveis contam com tratamento específico na LC 214/2025. Para venda de imóveis, incorporação e parcelamento de solo, as alíquotas do IBS e da CBS têm redução de 50%. Nas operações de locação, cessão onerosa e arrendamento de imóveis, a redução é de 70%.

A alíquota efetivamente aplicável deve ser analisada considerando a alíquota de referência vigente em cada período e os redutores previstos para a operação. Por isso, projeções tributárias precisam registrar o período de referência, evitando tratar uma estimativa como se fosse uma alíquota definitiva para toda a transição.

Também existe o redutor de ajuste para imóveis, utilizado para reduzir a base de cálculo das operações de alienação. Para imóveis de propriedade do contribuinte ou em construção em 31 de dezembro de 2026, a lei estabelece regras específicas para a constituição desse valor.

RET, com manutenção revalidada e opção irretratável

O Regime Especial de Tributação (RET) continua contemplado pelas regras de transição da Reforma Tributária, com tratamento específico para determinadas incorporações submetidas ao patrimônio de afetação. 

A LC 214/2025 permite, em determinadas condições, que incorporações cujo pedido de opção pelo RET tenha sido efetivado antes de 1º de janeiro de 2029 optem, de forma irretratável, pelo recolhimento de IBS e CBS sobre a receita mensal recebida. 

Para determinadas incorporações, a alíquota conjunta prevista nessa transição é de 2,08%; em hipóteses específicas, o percentual é de 0,53%. Essa escolha exige atenção porque o regime de transição tem regras próprias, incluindo restrições à apropriação de créditos e à utilização de determinados redutores. 

Por isso, a comparação entre o tratamento aplicável ao empreendimento e o regime regular precisa considerar o modelo de negócio, o cronograma da incorporação, os recebimentos previstos e os efeitos tributários ao longo do projeto.

 
Obras públicas

As obras contratadas pela administração pública recebem regras específicas no novo modelo. Na prestação de serviços de Construção Civil para a administração pública direta, autarquias e fundações públicas, a LC 214/2025 prevê tratamento próprio para os créditos relacionados aos materiais de construção.

A regra também precisa ser analisada em conjunto com os contratos públicos e com a forma de composição dos preços. Em projetos de prazo longo, alterações na tributação podem exigir acompanhamento das condições econômico-financeiras pactuadas.

Reabilitação de zonas históricas

Projetos de reabilitação urbana de zonas históricas e de áreas críticas de recuperação e reconversão urbanística contam com redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS, desde que atendam às condições previstas na legislação. As áreas precisam ser delimitadas por lei municipal ou distrital.

A regra alcança projetos relacionados à preservação patrimonial, recuperação de áreas habitacionais, restauração de imóveis e melhorias de infraestrutura urbana e mobilidade, conforme os critérios estabelecidos para esse regime.

Projetos sociais

As operações com imóveis residenciais novos e lotes residenciais podem utilizar um redutor social na base de cálculo do IBS e da CBS. O valor inicial é de R$ 100 mil por unidade residencial nova e de R$ 30 mil por lote residencial, limitado ao valor da base de cálculo após a aplicação do redutor de ajuste. Esses valores são atualizados mensalmente pelo IPCA, conforme as regras previstas na legislação.

Esse mecanismo precisa entrar nas projeções dos empreendimentos voltados ao mercado residencial, principalmente quando a empresa trabalha com diferentes faixas de preço e modelos de incorporação.

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MEI e Simples Nacional

Microempreendedores individuais e empresas do Simples Nacional também precisam avaliar como o regime tributário interfere na geração e no aproveitamento de créditos de IBS e CBS ao longo da cadeia. As regras específicas para esses contribuintes entram em uma nova etapa a partir de 2027, acompanhando o avanço da Reforma Tributária.

Para construtoras e incorporadoras que contratam pequenos prestadores, a análise não fica restrita ao fornecedor. O regime tributário adotado por cada participante da cadeia pode afetar a dinâmica dos créditos e, consequentemente, a composição dos custos da operação.

Faturamento direto de materiais

A Reforma Tributária também modifica a relação entre prestação de serviços de Construção Civil e fornecimento de materiais. Nas situações previstas pela LC 214/2025, o crédito de IBS e CBS relativo aos materiais utilizados em serviços prestados a não contribuinte do regime regular fica limitado ao valor do débito relativo ao serviço. Essa limitação não se aplica às prestações para a administração pública direta, autarquias e fundações públicas.

Por isso, o faturamento direto de materiais pode ganhar relevância na definição da estrutura contratual de determinados projetos. A decisão precisa considerar quem compra o material, quem fornece, como a operação será documentada e quais créditos tributários poderão ser apropriados. A identificação dos custos por obra e a qualidade dos documentos fiscais também ganham importância para a apuração e o controle dessas operações.

O que muda para obra e empreendimento já em andamento

Uma das principais dúvidas para incorporadoras e construtoras é o que acontece quando o contrato é assinado antes da transição, mas a entrega do imóvel ocorre depois. A resposta depende do regime tributário adotado, da situação do empreendimento e das regras específicas aplicáveis à operação. Por isso, contrato, cronograma da obra e enquadramento fiscal precisam ser analisados em conjunto.

As projeções consideradas para as incorporações indicam uma carga tributária efetiva entre 14% e 15,92% no novo modelo, dependendo das características da operação, das alíquotas de referência e dos mecanismos de redução previstos para o setor imobiliário. Essa faixa deve ser entendida como uma projeção para fins de planejamento, e não como uma alíquota única aplicável a todas as incorporações.

O percentual projetado fica acima dos 4% atualmente aplicados ao RET em determinadas incorporações submetidas ao regime especial. A comparação, porém, precisa considerar os redutores previstos para as operações imobiliárias, as regras de transição e o regime tributário adotado em cada empreendimento.

Essas diferenças colocam a comparação entre os regimes no planejamento dos empreendimentos. Nas hipóteses previstas na legislação, a opção pelo regime de transição tem caráter irretratável, o que exige uma avaliação econômica antes da decisão.

Para obras em andamento, a análise precisa considerar o momento de início do empreendimento, os contratos firmados, os recebimentos previstos, os créditos tributários e o tratamento aplicável durante a transição. A decisão tomada hoje pode repercutir na margem e no fluxo de caixa de um projeto que continuará por vários anos.

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O gatilho que já está ativo

A NF-e ABI (modelo 77) já entrou no radar operacional das empresas do mercado imobiliário. O ambiente de produção está aberto desde maio de 2026 e o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 definiu o início da obrigatoriedade: 1º de dezembro de 2026 para os contribuintes do regime regular do IBS e da CBS, e 1º de janeiro de 2027 para os optantes pelo Simples Nacional.

Com o prazo tão próximo, a preparação precisa estar em andamento. A NF-e ABI reúne informações relacionadas à operação imobiliária e exige integração entre dados de contratos, unidades, valores e condições de negociação. Para incorporadoras e construtoras, isso coloca a qualidade dos cadastros e a comunicação entre comercial, contratos, financeiro e fiscal na pauta da adaptação tributária.

Um ponto merece atenção: nas operações alcançadas pela NF-e ABI, a tributação considera a assinatura do contrato, e não a entrada do caixa. Em vendas parceladas, portanto, cada recebimento passa a ter relevância fiscal e precisa estar relacionado ao contrato que originou a operação e às informações correspondentes. Esse vínculo exige que os dados comerciais e financeiros estejam sincronizados com a rotina fiscal da empresa.

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As outras mudanças do novo modelo

A Reforma Tributária também modifica a forma como os tributos são calculados, apropriados e recolhidos ao longo da cadeia. Para empresas da Construção Civil, essas mudanças afetam principalmente a gestão de créditos, o fluxo financeiro e a integração entre áreas. 

Conhecer cada mecanismo ajuda a preparar processos antes que as novas regras avancem na transição.

IVA dual e tributação por fora

O novo modelo adota um IVA dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios. A tributação por fora significa que o valor do tributo não integra a própria base de cálculo, separando o imposto do preço líquido da operação.

Não cumulatividade ampliada

A não cumulatividade do novo modelo amplia a possibilidade de apropriação de créditos de IBS e CBS ao longo da cadeia, conforme as condições previstas na LC 214/2025. Para construtoras e incorporadoras, isso exige atenção aos documentos fiscais e aos dados dos fornecedores, já que a qualidade das informações de entrada interfere na apuração dos créditos.

Split payment

O split payment altera a dinâmica financeira das operações ao permitir a segregação e o recolhimento do IBS e da CBS no momento da liquidação financeira, conforme as regras aplicáveis. A mudança aproxima a rotina tributária do fluxo de recebimentos e pagamentos, exigindo integração entre faturamento, contas a receber, contas a pagar e área fiscal.

Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo incide sobre bens e serviços definidos pela legislação como prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Sua aplicação ocorre em paralelo ao IBS e à CBS e segue hipóteses próprias previstas na regulamentação da Reforma Tributária.

ITBI e ITCMD

ITBI e ITCMD não são substituídos pelo IBS ou pela CBS. O ITBI continua sendo um imposto municipal sobre transmissões de bens imóveis e determinados direitos relacionados a eles. O ITCMD permanece sob competência dos estados e do Distrito Federal e alcança transmissões por herança e doação.

Para o mercado imobiliário, essa distinção é importante porque uma mesma operação pode envolver tributos com competências e regras diferentes.

O fim gradual dos tributos atuais

A substituição dos tributos atuais ocorre em etapas. Em 2027, PIS e Cofins são extintos e a CBS entra em sua nova sistemática. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são reduzidos gradualmente enquanto o IBS amplia sua participação. Em 2033, a transição do novo modelo é concluída.

O IPI também passa por mudança a partir de 2027, com redução das alíquotas a zero para a maioria dos produtos, preservadas as exceções previstas na legislação.

As regras que disciplinam o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo estão na Lei Complementar nº 214/2025, editada a partir das alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 132/2023.

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O que preparar por área, ainda em 2026 

A adaptação à Reforma Tributária depende de informações que circulam entre diferentes áreas da empresa. Em 2026, o trabalho precisa sair do campo genérico da preparação e chegar à rotina de cada equipe. Comercial, contratos, financeiro, suprimentos, fiscal e contábil têm responsabilidades diferentes, mas os dados precisam chegar completos de uma área à outra.

Comercial e contratos

O cadastro precisa estar completo antes da venda. Dados do empreendimento, unidade, cliente, condições comerciais e informações contratuais alimentam etapas posteriores da emissão fiscal e da apuração tributária. Um cadastro incompleto hoje pode resultar em inconsistência fiscal quando a operação avançar.

Também vale revisar contratos em andamento e novos modelos comerciais considerando as regras da transição, principalmente em operações com recebimentos parcelados e empreendimentos com ciclo longo.

Financeiro

Planilhas isoladas ficam mais difíceis de sustentar diante de uma operação tributária que exige conexão entre recebimento, documento fiscal e crédito. O split payment aproxima o recolhimento tributário da liquidação financeira, enquanto a apropriação de créditos depende de informações consistentes sobre as operações.

Por isso, o financeiro precisa trabalhar com dados integrados ao faturamento e à área fiscal, permitindo acompanhar cada operação sem depender de controles paralelos.

Suprimentos

O dado fiscal nasce na compra. Cadastro de fornecedor, classificação dos itens, documento fiscal e informações necessárias para apropriação de créditos precisam chegar corretamente desde a entrada do material ou serviço.

Um fornecedor com cadastro incompleto pode comprometer o aproveitamento de créditos e gerar retrabalho para outras áreas. A revisão dos cadastros e dos processos de compras deve entrar na rotina de 2026.

Fiscal e contábil

A equipe fiscal e contábil precisa avaliar com antecedência o impacto do RET em comparação com o regime regular para cada empreendimento em que houver essa possibilidade. A análise deve considerar carga tributária, cronograma da obra, contratos, fluxo de recebimentos e regras específicas da transição.

Essa avaliação também precisa acompanhar as mudanças legais e regulamentares que surgirem durante a implantação do novo modelo.

Contratos e acompanhamento especializado

A revisão dos contratos deve fazer parte do planejamento, principalmente quando houver obras em andamento, vendas parceladas ou compromissos que atravessam diferentes etapas da transição. Questões com impacto tributário relevante também merecem análise de profissional especializado antes da tomada de decisão.

Em 2026, o objetivo é chegar aos próximos marcos com processos revisados, dados confiáveis e responsabilidades definidas entre as áreas.

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Prepare a sua empresa 

A Reforma Tributária exige decisões que atravessam diferentes áreas da empresa. Depois de revisar o calendário e os impactos sobre empreendimentos, vale transformar essa análise em uma rotina de preparação.

Use este checklist para verificar o que já foi encaminhado:

  • Mapeie créditos e fornecedores: revise os cadastros e avalie como o regime tributário de cada fornecedor interfere no aproveitamento de créditos.
  • Revise contratos: identifique contratos que atravessam diferentes etapas da transição e avalie cláusulas relacionadas aos impactos tributários.
  • Consulte especialistas: simule os efeitos da Reforma Tributária sobre empreendimentos, contratos e regimes tributários antes de tomar decisões com impacto financeiro.
  • Acompanhe as atualizações: monitore regulamentações, leiautes fiscais e mudanças operacionais que possam alterar processos ao longo da transição.
  • Integre a gestão: conecte informações de comercial, contratos, financeiro, suprimentos, fiscal e contábil para reduzir inconsistências e retrabalho.

Esse trabalho também ajuda a identificar onde a empresa precisa melhorar a integração entre áreas. Nesse ponto, o Sienge Plataforma pode funcionar como uma camada de conexão entre comercial, contratos, financeiro e fiscal, reunindo informações que precisam circular pela operação.

Quer aprofundar sua preparação? Consulte também o relatório sobre a Reforma Tributária e use o material como apoio para avaliar os próximos passos da empresa.

Relatório Reforma Tributária
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Perguntas frequentes sobre o que muda com a Reforma Tributária

A Reforma Tributária já está valendo na Construção Civil?

Sim. 2026 é o primeiro ano de teste do IBS e da CBS, com alíquotas de teste e regras específicas para o cumprimento das obrigações acessórias. A transição segue nos anos seguintes, com mudanças relevantes a partir de 2027 e conclusão do novo modelo em 2033.

O que muda para obras e empreendimentos já em andamento?

Obras e empreendimentos em andamento precisam ser analisados conforme a data de início, os contratos firmados, o regime tributário adotado e as regras específicas da transição. A situação do empreendimento em 31 de dezembro de 2026 também pode influenciar a aplicação de mecanismos previstos para imóveis e bens imóveis em construção.

Vale a pena iniciar o projeto ainda em 2026?

A decisão depende da viabilidade econômica, comercial e tributária de cada empreendimento. 31 de dezembro de 2026 é uma data de referência para determinados tratamentos tributários aplicáveis aos imóveis durante a transição, mas isso não significa que iniciar uma obra até essa data garanta determinado benefício fiscal.

É preciso avaliar demanda, financiamento, cronograma, contratos, custos, documentação e enquadramento tributário do empreendimento.

O RET acaba com a Reforma Tributária?

Não. O RET continua previsto para determinadas incorporações e há regras específicas de transição para empreendimentos submetidos ao patrimônio de afetação. Em determinadas condições, a legislação permite optar, de forma irretratável, pelo recolhimento de IBS e CBS conforme as regras específicas da transição.

Por isso, a análise precisa considerar o empreendimento, a data de efetivação da opção, o patrimônio de afetação, o fluxo de recebimentos e os efeitos sobre créditos e redutores.

O que é a NF-e ABI e quando ela passa a ser obrigatória?

A NF-e ABI é o documento fiscal eletrônico destinado às operações de alienação de bens imóveis. A obrigatoriedade de emissão para os contribuintes abrangidos pelo cronograma começa em 1º de dezembro de 2026.

Para optantes pelo Simples Nacional, a obrigatoriedade dos documentos previstos no cronograma começa em 1º de janeiro de 2027. As empresas devem usar o período de adaptação para revisar cadastros, contratos, processos e sistemas relacionados às operações imobiliárias.

Qual sistema ajuda a construtora a se preparar para a Reforma Tributária?

O Sienge Plataforma integra informações de áreas como comercial, contratos, financeiro, suprimentos e fiscal, ajudando a empresa a trabalhar com dados conectados durante a transição. A integração facilita o acompanhamento das operações e reduz a dependência de controles isolados à medida que as exigências tributárias avançam.

Sienge Plataforma: ERP para construtoras
Assuntos: Ecossistema Reforma Tributária
Giovani Amaral do Sienge
Giovani Amaral do Sienge

Giovani Amaral é executivo formado em administração com MBA em administração global, tendo como principal característica o empreendedorismo e intraempreendedorismo. Apaixonado por pessoas e por desafios, atua há mais de 35 anos no segmento de TI, com passagens por grandes empresas nacionais de tecnologia. Sua expertise contribui para o fortalecimento da proposta de negócio do Ecossistema Sienge focada na integração de toda a cadeia da construção, com o objetivo de potencializar resultados para construtoras e incorporadoras, garantindo maior previsibilidade e eficiência operacional. Atualmente, é Diretor de Operações do Ecossistema Sienge.